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A Virgem das Amêndoas
Segunda, 08 Março 2010 23:05

Autora: Marina Fiorato
Edição: Mar/2010
Páginas: 288
Dimensões: 152 x 235 mm
Editor: Porto Editora

Na Itália do século XVI, o jovem pintor Bernardino Luini, discípulo favorito do mestre Leonardo da Vinci, é encarregado de pintar um fresco religioso na igreja de Saronno, uma pequena localidade nas colinas da Lombardia. Ao entrar na igreja, a sua atenção é captada pela beleza e pela melancolia da jovem Simonetta, viúva de um poderoso senhor feudal morto em combate.
Sozinha e a ver a sua fortuna desaparecer até não restar nada mais a não ser as amendoeiras da sua villa, Simonetta acede a posar como modelo para Luini, que a imortalizará para sempre nos frescos da igreja como a Virgem di Saronno. À medida que o trabalho progride, artista e modelo apaixonam-se, selando o sentimento com um beijo que escandalizará a Igreja.
À genialidade com que Bernardino imortalizará a sua musa, Simonetta retribui com a criação da sua própria obra de arte: um licor especial fabricado com o fruto das suas amendoeiras. O licor ficará conhecido, até aos dias de hoje, como o famoso Amaretto di Saronno.
Contudo, antes de ambos completarem as suas obras, a relação é fortemente abalada por um acontecimento que porá em perigo aquele amor. E as suas vidas.
Uma inesquecível história de paixão e arte que se desenrola tendo como pano de fundo uma Itália Renascentista, onde a intriga, os escândalos, a guerra e a intolerância religiosa imperavam no dia-a-dia.

Autora:
Marina Fiorato é de origem Veneziana, nasceu em Manchester e cresceu em Yorkshire Dales. É licenciada em História com pós-graduação pela Universidade de Oxford e pela Universidade de Veneza, onde se especializou no estudo das peças de Shakespeare.
Após a universidade, estudou arte e trabalhou algum tempo como ilustradora e crítica de cinema. Foi também actriz. Também desenhou visuais de tour para bandas de rock, como U2 e Rolling Stones.
Vive no norte de Londres com seu marido, o realizador Sacha Bennett, um filho e uma filha.
É autora de vários livros, entre os quais o best-seller The Glassblower of Murano. A Virgem das Amêndoas é o seu primeiro livro publicado em Portugal pela Porto Editora.
Actualizado em Quarta, 21 Abril 2010 22:09
 

Comentários  

 
0 #6 Joana Dias 02-11-2010 21:46
Os romances históricos que ultimamente tenho lido, apesar de eu adorar este género, têm-me desiludido um pouco, por se perderem em descrições exageradas e inúteis sobre a época, acontecimentos e personagens, parecendo, por vezes, mais livros de história do que propriamente romances históricos, o que torna a sua leitura muito maçuda para o leitor. Sendo romances, não deviam servir apenas para informar o leitor sobre uma época histórica, mas também para o entreter.
Mas este livro é simplesmente encantador. É uma leitura muito leve e agradável. E a escrita da escritora é tão deliciosa como o famoso Amaretto que nos descreve na obra. A história inicia com Simonetta que se torna viúva ainda adolescente e, apesar da sua situação nobre, encontra-se sem dinheiro. Bernardino Luini, um aprendiz de Leonardo da Vinci, que também se tornou um grande pintor, apaixona-se por ela assim que a vê…
Mas este livro é muito mais que uma história de amor, é uma grande lição de história, de pintura, de tolerância e de vida. E cumpre os dois objectivos que acima referi anteriormente de forma notável.
É um romance muito viciante, apelativo e cativante. A leitura passa a correr e, a partir da primeira dúzia de páginas, é impossível parar de ler. As personagens são muito realistas e soberbas, mas a minha preferida é, sem dúvida, a da jovem Simonetta, uma rapariga bela, culta, inteligente, corajosa, bondosa e tolerante e um óptimo exemplo para as mulheres actuais, apesar da história ser passada no renascimento.
Uma história imperdoável que recomendo vivamente!
 
 
0 #5 Sandra 19-08-2010 21:45
Simonetta era apenas uma menina quando desposou Dom Lorenzo di Saronno, outro rapaz cuja visão do mundo ainda é muito restrita.
Quando, numa batalha, Dom Lorenzo é morto, o véu de engano que cobria os olhos da senhora di Saronno é levantado e ela que sempre foi acostumada a luxos e grandezas, vê-se na mais pura miséria, com a única solução de ter de batalhar e trabalhar para comer.
A transformação que esta personagem sofreu por causa deste acontecimento trágico fez-me gostar muito mais do que estava a ler. A menina fez-se mulher para poder colocar pão na mesa.
Nesta luta desenfreada de sobrevivência, Simonetta vê-se confrontada com uma tentadora, mas inesperada, proposta - a de ser o modelo para a imagem feminina religiosa que será pintada pelo famoso Bernardino Luini nas paredes da igreja di Saronno. O que Simonetta não sabe é que este homem, conhecido como O Lobo, já tem uma outra finalidade para si.

Caída em desgraça por uma série desastrosa de acontecimentos, Simonetta vê-se mais uma vez a recorrer a forças que não pensava que tinha, para sobreviver, tendo a seu lado amigos em que antes pensaria com desprezo. Mas a maior luta de Simonetta ainda está para vir, quando um homem conhecido apenas por Selvaggio (o selvagem), decide enfrentar a senhora di Saronno, destruindo todo o mundo que ela construiu com esforço.

Um livro soberbo. Nunca pensaria que, em breves 284 páginas, leria uma história tão completa, tão extraordinária.

Não se trata apenas de um romance, uma história de amor. Apesar da verdadeira identidade de Selvaggio ser por demais evidente, este livro não se resume a este mistério. Este livro é uma lição de vida de muitas formas. Uma delas é a (in)tolerância religiosa associada ao preconceito, numa época em que a Inquisição fazia inúmeras vítimas.
Para ler e pensar.

Numa altura em que o preço dos livros estão um absurdo, o preço deste (abaixo da média), associado à sua elevada qualidade, justifica a sua compra por homens e mulheres.
Uma excelente leitura!
 
 
0 #4 Joana Caires 08-07-2010 19:59
A Virgem das Amêndoas é um livro belíssimo! Dotado de uma história encantadora, descrições vívidas e uma escrita doce quase poética. Mergulhei na Itália Renascentista, inspirei o suave aroma das amendoeiras em flor, maravilhei-me com a beleza e com a cor dos pigmentos da paleta de Luini e deliciei-me com o Amaretto, o doce e amargo licor de amêndoas. Há livros que nos fazem esquecer a realidade e que nos enredam tão eficazmente que ficamos perdidos e, ao mesmo tempo, vigilantes pois não queremos perder pitada. Eis um desses livros! A história central baseia-se numa lenda. A criação do famoso licor Amaretto em homenagem a Bernardino Luini. Luini, pintor da Renascença, pupilo de Leonardo da Vinci, era um homem devasso, libertino e mulherengo até receber uma encomenda que o levará a Saronno. Aí encontra Simonetta, mulher aristocrata de beleza inigualável, recentemente viúva e cuja sobrevivência está risco. Ela, a troco de dinheiro, aceita posar como modelo para Luini que usará a sua imagem para pintar a Virgem Maria num dos muitos frescos que irão preencher a Igreja do simpático padre Anselmo. Bernardino, muito mais velho que Simonetta, apaixona-se pela singela e corajosa dama. Porém, ela carrega o luto e os remorsos por estar a trair a memória do seu falecido marido. Na ruína, Simonetta também tem de lidar com a possibilidade de ficar sem a sua casa e sem as suas amendoeiras. Recorre a Manodoratta, homem que muitos olham com desconfiança por professar o Judaísmo. No fundo, é um ser bondoso que se compadece da jovem viúva e lhe dá o seu apoio, investindo nas suas propriedades. Paralelamente a esta história, encontramos não muito longe dali, Amaria e Nonna. Nonna é uma mulher idosa, de boa índole, pobre que criou sozinha Amaria, a sua neta. Amaria é uma rapariga de espírito livre e uma beleza italiana selvagem. Ambas encontrarão Selvaggio, rapaz perdido e sem memória e o ajudarão. A jovem donzela descobre o seu destino nos olhos verdes límpidos de Selvaggio. Ele a corresponde, mas poderá um homem sem passado amar? O amor, seja o dos amantes, o filial, o fraternal é um tema recorrente do livro, contudo o ódio e o fanatismo também estão presentes. A perseguição aos Judeus pela Inquisição, pela população cega pela ignorância e pela superstição é retratada como aquilo que foi, uma mancha negra, horrível e impagável da História da Humanidade. Um livro encantador que incentiva à tolerância religiosa, que valoriza o poder da amizade e que glorifica o amor, adornado pelas belas pinturas da Renascença e pelas paisagens fantásticas da Itália.
 
 
0 #3 Tanea Lopes Costa 07-06-2010 21:51
Este foi, sem dúvida, dos melhores livros que li este ano.

As histórias estão bem contadas com personagens que nos prendem e encantam com o seu carácter e vontade de viver.

A nível histórico, está muito bem enquadrado. A vida dos Judeus, as guerras entre Itália e Espanha e toda a época em que se desenrola o livro.

No fim, não resisti a pesquisar na net os locais de que se fala no livro, a deliciar-me com as pinturas que vi, com os monumentos... e a sonhar com umas belas férias em Itália...

E penso que isto é o que um livro tem de melhor, fazer-nos ter vontade de ir ver tudo ao vivo e a cores :-)
 
 
0 #2 Júlia 27-04-2010 23:28
Este livro tem como pano de fundo a Itália renascentista.
A personagem principal é Bernardino Luini, aprendiz de da Vinci. Ele é convidado a fazer um fresco na Igreja Santa Maria dei Miracoli em Saronno(Lombard ia) onde vive Simonetta, uma jovem viúva com uma beleza única, captando logo a sua atenção.
Simonetta com algumas dificuldades financeiras após a morte de seu marido vê-se obrigada a aceitar posar para Bernardino a troco de algumas moedas e apaixonando-se inesperadamente .
Paralelamente a esta história de amor há outra em Pavia, que foi palco de uma batalha com os espanhóis, onde muitos homens deixaram as suas mulheres viúvas e é assim que aparece Selvaggio a Amaria e à sua nonna que o acolhem e o curam física e psicologicament e e se apaixonam por ele.
A par destas histórias de amor que acabam, previsivelmente por se encaixar, a autora vai contando as atrocidades que eram feitas aos judeus naquela época.
Assim como nos vai descrevendo os frescos feitos por Bernardino, tanto em Lombardia como posteriormente em Milão de uma maneira, como direi!? retratando as míticas histórias, quase sempre macabras da igreja com a sua vivência pessoal. E como Simonetta cria o licor de amêndoas, conhecido ainda hoje como Amaretto di Saronno.
Um belíssimo livro que recomendo vivamente.
 
 
0 #1 fernanda carvalho 26-03-2010 15:09
Tenho a mania que não gosto de romances históricos… mas a cada livro do género que despacho, provo a mim própria o quão errada estou.
Este é um livro perfeito, perfeito!
Nem sei por onde começar esta crítica… Sinto que tudo o que possa dizer é insuficiente para demonstrar o quão belo e rico é este livro.
Apenas posso citar que a base da história é verdadeira. Aliás, como a própria autora diz: “uma parte deste livro é verdadeira, outra não é”.

Bernardino Luini existiu e foi um dos discípulos de Leonardo da Vinci (há inclusive uma cena divertida que se passa no estúdio de Leonardo, enquanto este pinta um dos seus quadros mais famosos).

Coloquem este nome no google images e aparecer-vos-ão diversos quadros e frescos pintados por este senhor, que chegou a ser conhecido como o “Rafael da Lombardia”. Vão reparar numa coisa interessante… em praticamente todos os seus trabalhos irão reconhecer uma mesma senhora, retratada de formas diferentes, ou melhor, assumindo personagens diferentes, mas sempre com os mesmos traços gerais que a denunciam.
Essa dama é o amor da vida de Bernardino e a segunda personagem principal desta história.
Simonetta di Saronno também existiu. Não como uma dama nobre, mas como uma estalajadeira da vila de Saronno, e que foi, segundo a lenda, a musa inspiradora de Bernardino para a criação da virgem da igreja do Santuário de Saronno. Ela, em honra do seu amor por Bernardino dedicou-lhe a sua criação, o famoso Amaretto di Saronno (licor de amêndoas), que ainda hoje é comercializado por esse mundo fora.
Mas esta história vai muito mais além do que o romancear de uma lenda. O que aprendemos através da execução dos trabalhos de Luini no Monastero San Maurizio em Milão (anteriormente chamado Monastero Maggiore) é simplesmente maravilhoso.
Aprendemos também bastante sobre a posição dos judeus na época renascentista, o seu poder e simultaneamente o que sofriam, aprendemos sobre a forma como as pessoas se relacionavam e sobre o poder das multidões.
É sem dúvida um livro incrível que me apaixonou desde o primeiro momento!
 

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