Aço

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Autora: Silvia Avallone
Edição: Jul/2014
Páginas: 368
ISBN:  9789896265960
Editora: Esfera dos Livros

 

 


Uma história sobre amizade de duas adolescentes e a dificuldade em crescer num mundo sem esperança

Não é fácil crescer na rua Stalingrado, na cidade siderúrgica de Piombino, no litoral da Toscana, por debaixo da sombra da imponente fábrica de aço. Ter 14 anos num ambiente social degradado, demasiado duro, junto a realidades incómodas como a violência, a droga, a delinquência… e, principalmente, a total ausência de ilusões, complica ainda mais a adolescência de Francesca e Anna.

Mas estas duas jovens não estão dispostas a baixar os braços e a dar-se por vencidas. Têm como arma a sua beleza exuberante, a sua sexualidade, e a vitalidade que a juventude lhes confere, e estão prontas a ultrapassar todos os obstáculos, para lutar pelos seus sonhos.
Silvia Avallone, que surpreendeu Itália e comoveu a Europa com esta obra aclamada pela crítica, transporta-nos até a uma Itália industrial e periférica, para retratar a história de uma amizade intensa entre duas jovens que procuram desesperadamente a sua identidade. Com mestria e sinceridade, a autora capta as contradições da nossa época e da nossa economia, onde reina a falta de esperança e de perspetivas e os dramas dos jovens actuais.
Um livro actual, polémico, arrojado e duro como o Aço. Contudo, absolutamente comovente. Aço ensina aos jovens o valor da amizade e do amor e aos adultos, quem são e o que pensam, verdadeiramente os seus filhos.

Autora:

Silvia Avallone (Biela, Itália, 1984), licenciada em Filosofia e Letras pela Universidade de Bolonha, iniciou a sua carreira literária escrevendo contos e poemas para revistas prestigiadas como ClanDestino e Nuevo Argomenti. Em 2007 publicou a sua primeira obra, a antologia poética Il libro dei vent’anni, com que venceu o prémio Alfonso Gatto, 2008.
O seu verdadeiro reconhecimento chegou em 2010 com a publicação de Aço, a sua primeira incursão pelo mundo da narrativa. Um êxito de vendas e de crítica. Ganhou diversos prémios como o Prémio Campiello Pera Prima, 2010, o Prémio Flaiano 2010 de narrativa e o Prémio Fregene 2010. A obra foi ainda finalista do Prémio Strega 2010, considerado o mais prestigiado prémio literário em Itália. Recebeu ainda o Prémio dos Leitores do L’Express em 2011.

Comentários  

 
#3 Clarinda Cortes 2015-05-24 10:46
Um livro que nos apresenta uma Itália real.
Um livro que fala de vidas difíceis e de sofrimento.
Um livro que fala de amizades e sonhos.

Apesar de tudo, foi uma leitura que não me cativou. A narrativa é clara, relativamente bem escrita, mas algo repetitiva. Afigurou-se-me uma manta de retalhos. Parecia que já tinha lido partes da história noutras ocasiões. Se calhar, foi só impressão!

Parece-me que a autora vai ainda crescer bastante, mas não sei se irei apostar de novo na sua escrita. A ver vamos!
 
 
#2 Helena 2014-11-08 15:55
Frio e duro como aço. Realidade fria e dura como a liga metálica que as personagens desta história criavam na fábrica próxima daquele bairro social, onde todos viviam em condições humanas limite.

Os sonhos e a amizade eram o elo que resistia a tudo naquele ambiente agreste e poluído, apesar da praia que os jovens desfrutavam e da ilha de Elba ali tão perto. Uma fuga do sofrimento, da pobreza, violência doméstica, droga, prostituição, em suma, de uma vida fragmentada e tão diferente dos sonhos que fervilhavam no interior de cada uma destas personagens. Anna e Francesca simbolizam o que de mais puro e belo vibrava naquele cenário e eram admiradas e desejadas, enquanto alegremente mantinham aquela ligação como o ferro e o carbono que unidos são um só - AÇO. A sexualidade e o desejo que desponta nos corações daquelas jovens que se completavam provocam um afastamento doloroso.

Numa linguagem crua, seguimos o dia-a-dia destes jovens e das suas famílias. Não é uma leitura fácil e tranquila, mas sim perturbadora e inquietante, que nos obriga a olhar de frente para aquilo a que normalmente viramos a cara, para não encarar. Não há fuga possível com esta leitura.

Recomendo para quem procura uma leitura séria e lúcida, sem devaneios românticos e felizes.
 
 
#1 Vera Neves 2014-08-06 14:24
Quando pensamos na Toscana, vêm-nos à cabeça paisagens bucólicas, cores quentes e a arte no seu estado puro. A imagem que Silvia Avallone nos traz é muito diferente desse cenário idílico. Com Piombino como centro da acção (terra Natal da autora), ela vai dar-nos a conhecer um cenário da sua infância e o coração da cidade: a fábrica Lucchino. Retrata a vida da classe operária (jovem) italiana, os seus sonhos, medos e desejos, através das amigas Anna e Francesca, de Alessio, de Sandra e Rosa, de Arturo e de outras personagens.
Em Lucchino, trabalha-se o aço e a fábrica representa todas as dificuldades no dia-a-dia desta gente que vive em blocos de cimento, com a Ilha de Elba sempre no horizonte, como algo que se tenta alcançar sem nunca se conseguir.

Ana e Francesca são duas belas jovens que sempre foram amigas e que se adoram. Partilham sentimentos puros e belos no meio da pobreza, do lixo e da degradação. O desejo de ambas é crescer para poderem fugir para longe dali, para longe das suas famílias desestruturadas e problemáticas. Mas a realidade quase nunca é como sonhamos. Francesca vai ter a desilusão da sua vida e, na inocência da sua idade, escolhe um caminho difícil de percorrer. Será que alguém lhe vai esticar a mão? Com um pai abusador, uma mãe submissa e incapaz de lutar pelo que deseja, e um irmão que o que quer é viver a sua vida, não lhe restam muitas opções.

Se, através de Ana e Francesca, a autora retratou a importância da amizade, a inocência do amor e o desabrochar para a sexualidade, através dos pais de ambas ela traz-nos um cenário difícil de digerir: violência, mentira, roubos, vícios, pobreza... e a incapacidade para dizer basta.
Alessio, irmão de Anna, é uma das minhas personagens favoritas que tenta passar uma imagem de playboy. Aqui, a autora também caracterizou os jovens operários como sendo trabalhadores que laboram duramente, mas que têm os mesmos desejos e sonhos que toda a gente. No entanto, não conseguindo seguir o rumo certo, desviam-se muitas vezes para o alcoolismo e drogas duras, para casas de prostituição e crimes, para tentar melhorar as suas condições de vida. Alessio, no entanto, tem um fundo bom, sente-se que é meigo e até um pouco ingénuo. Elena é o seu calcanhar de Aquiles e, quando ela começou a trabalhar nos escritórios da Lucchino, pensei que... talvez... mas... custou-me tanto!! Depois de lerem, vão perceber porquê!

A autora apresenta-nos um leque de personagens forte, duro, que vive com muita dificuldade, mas consegue ter esperança, consegue pensar no bem estar do outro e ficar feliz com a felicidade do outro, mesmo que se sinta miserável e a morrer por dentro.

A autora conseguiu trazer-nos uma Itália muito diferente daquela que outros autores nos revelam e isto, à luz da sua idade e curta experiência literária, disse-me muito. Espero ler outros livros da autora, para confirmar a consolidação da sua escrita e o amadurecimento da sua narrativa.
 

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