Alma Rebelde

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Autora: Carla M. Soares
Edição: Abr/2012
Páginas: 288
ISBN: 9789720043375
Editora: Porto Editora

 

 

 

No calor das febres que incendeiam a Lisboa do século XIX, Joana, uma burguesa jovem e demasiado inteligente para o seu próprio bem, vê o destino traçado num trato comercial entre o pai e o patriarca de uma família nobre e sem meios.
Contrariada, Joana percorre os quilómetros até à nova casa, preparando-se para um futuro de obediências e nenhuma esperança.

Mas Santiago, o noivo, é em tudo diferente do que esperava. Pouco convencional, vivido e, acima de tudo, livre, depressa desarma Joana, com promessas de igualdade, respeito e até amor.
Numa atmosfera de sedução incontida e de aventuras desenham-se os alicerces de um amor imprevisto... Mas será Joana capaz de confiar neste companheiro inesperado e entregar-se à liberdade com que sempre sonhou? Ou esconderá o encanto de Santiago um perigo ainda maior?

Autora:

Carla M. Soares nasceu em Moçâmedes em 1971. Formou-se em Línguas e Literaturas Modernas pela Faculdade de Letras de Lisboa e tornou-se professora. Tem um mestrado em Estudos Americanos. A tese de doutoramento em História da Arte, começada na Faculdade onde se formou, aguarda dias mais tranquilos para uma conclusão cuidada. Publicou em 2012 o romance de época Alma Rebelde, com a Porto Editora, e embarcou em 2014 na aventura digital, publicando o romance A Chama ao Vento, com a Coolbooks.

Siga a autora em monsterblues-cms.blogspot.pt

Comentários  

 
#4 Liliana Patrícia Pereira Pinto 2013-11-13 21:37
Tenho de admitir: fico sempre de pé atrás quando pego num livro de um escritor português. As minhas anteriores experiências não foram muito gratificantes e eu tenho sempre medo de não gostar da leitura...

Mas com "Alma Rebelde" fiz muito bem em avançar com a leitura!

Este é o primeiro livro publicado por Carla M. Soares e tem como protagonista Joana, uma rapariga rebelde para os padrões da época que se vê obrigada a casar com um homem sem nunca o ter visto na vida. Mas Santiago (adorei o nome) não é um homem qualquer! É um jovem que viajou durante muitos anos e, por essa razão, tem a mente mais aberta e quer que Joana seja verdadeira com ele. No início, Joana fica intrigada e tenta com todas as suas forças ser para ele uma Joana amigável e dócil. Mas o amor é mais forte que tudo e, de dia para dia, ela vai-se apaixonando. Até, em conjunto com Santiago, tomar a decisão mais rebelde da sua vida!

Este livro chamou-me à atenção pela sua sinopse. Adoro romances históricos e adoro ainda mais quando os protagonistas se apaixonam. Comecei a leitura muito empolgada e só queria ler mais e mais. Demorei mais tempo do que queria a terminá-lo, porque tive de dar prioridade a outros livros, mas, logo que me foi possível, terminei a sua leitura. E gostei muito.

Sinceramente, não parece um primeiro livro. Está muito bem escrito. Lê-se fácil e rapidamente. A protagonista é uma rapariga que tem imensos sentimentos e pensamentos dentro de si e a sua forma de os expor é escrevendo no seu diário e, também, escrevendo cartas para a sua prima. No princípio, foi complicado lidar com a personalidade de Joana: por vezes ficava irritada por ela só ter pensamentos negativos, mas depois entendi que é normal. Só que nunca temos esta perspectiva nos livros históricos. Ponto a favor da Carla. Santiago é um doce. Apaixonei-me completamente por ele. Alto, belo, determinado, forte, amoroso. Só qualidades! Teve a coragem suficiente para enfrentar o seu pai e ser feliz.

Recomendo este livro a todas as pessoas, porque, acreditem, não se vão arrepender.
 
 
#3 Maria João 2013-11-06 13:03
Não sei porquê, mas não estava muito curiosa para ler este livro. Que grande erro da minha parte :) Gostei mesmo muito.
Antes de mais, como é que uma autora consegue ser tão multifacetada, escrevendo tantos géneros diferentes e todos com qualidade?! É, na minha pequena opinião, um segredo, mas ainda bem que existem autoras assim, para alegrar os nossos dias.
Adorei os pormenores da viagem para o interior. A descrição de uma Lisboa devastada pelas febres.
O conflito de Joana que, como mulher, não poderia ter opiniões, mas que não deixava por isso de pensar e ter os seus próprios objectivos. E a sua história de amor com Santiago é simplesmente deliciosa.
Uma autora a não perder de vista. Se ainda não leram, façam um favor a vocês próprias e leiam, pois não se vão arrepender.
 
 
+1 #2 Helena 2012-07-08 14:53
Um romance de época aprazível e encantador que, de início, narra os sentimentos de uma jovem angustiada, de família abastada, mas sem título ou brasão, que encarava o casamento como uma escravidão e sevícias. Um espírito livre que se revoltava contra tal destino, a que estava sujeita a sua prima Ester, com quem se correspondia regularmente.

Numa escrita simples e serena, Carla M. Soares, conta uma história de amor entre dois estranhos que se comprometem num casamento arranjado pelas respetivas famílias e que a mais não aspiravam do que uma pacífica e respeitosa união, mas foram surpreendidos desde o primeiro momento pelas controversas personalidades e sentimentos.
Santiago é uma personagem que corresponde ao imaginário de qualquer mulher. Seduz a leitora.

Na minha opinião, este livro é direcionado para um público jovem e sonhador, tem o mérito de nos dar a conhecer uma nova autora portuguesa e proporciona-nos , ainda assim, uma leitura fluída, com personagens verossímeis e convincentes.

Suave e tranquilo, é certamente uma agradável leitura.
 
 
+1 #1 Célia Loureiro 2012-06-12 23:40
Após perseguir ferozmente este livro durante a tarde de hoje (dia do lançamento), em que saiu para a luz do mercado, agora... que acabei de o ler, convido todos nós, portugueses e portuguesas amantes de um bom romance histórico, de um bom nível de português - acessível e bem alinhavado - a embrenharem-se neste livro, que é quase uma viagem contínua.

Li-o de enfiada, como se comprova com facilidade. Fala sobre uma rapariga, Joana, cujo pai é rico e despoleta, assim, as ambições de um nobre na miséria, D. Miguel. Este D. Miguel arranja um casamento entre Joana e o seu filho, Santiago, para que, com o dote, possa reaver um pouco da sua glória passada.

O que dizer destas personagens? Gosto mais do Santiago que da Joana, é verdade. Mas parece-me que ela foi escrita para se entranhar e ele para nos apaixonarmos à primeira vista. Contudo, no enredo, é o oposto que sucede entre os dois. Ela estranha-o e ele fica vidrado nela.

Não é o enredo em si que me faz valorizar a história - achei a Joana um pouco queixosa para uma pessoa que tinha a melhor amiga numa situação muito pior - mas sim a humanidade que encontrei nas personagens e, sobretudo, o talento evidente da escritora, que soube valer-se de conta e medida para se manter num terreno seguro. Não dramatizou excessivamente, não caiu em clichés, surpreendeu-me até várias vezes, e agradavelmente, o que raramente acontece quando leio, posto que já li tanta coisa.

O Santiago é cativante, qualquer mulher o quereria para si. A D. Ana é enternecedora e o D. Miguel é daquelas pessoas frustrantes, com quem temos perfeita consciência de que nunca conseguiremos lidar. Considerei todo o desenrolar de acontecimentos bastante pertinente e, apesar de algumas falhas de comunicação entre as personagens principais, a autora teve suficiente mestria para nos fazer compreender, com clareza, o porquê de se compreenderem as asserções de modo oposto. O romance prometia sensualidade e gabo também a elegância, a classe com que conseguiu envolver-nos nessa sugestão, sem cair nas vulgaridades que tenho lido em muitos livros, ultimamente. Já me tinha esquecido de que, tal como no E Tudo o Vento Levou, meia palavra arrepia muito mais do que uma frase completa à letra.

Curiosamente, a Joana é a personagem de quem gostei menos. Achei que a Rosália (a ama dela), a dado momento, perdeu-se no enredo, mas adorei a construção geral. Dei por mim a sorrir em diversas partes, dos atrevimentos do Santiago e das explosões da Brites e da doçura da D. Ana. Os desvios de língua da Joana também deram pano para mangas, porque incitaram o Santiago a revelar-se mais.

Em termos históricos, acho que vieram na medida certa. Dei por mim extasiada ante a menção do meu adorado romance Madame Bovary, do Flaubert, e de outras referências históricas que reconheci de imediato, porque sou amante da História. O casamento de D. Pedro com D. Estefânia. A América com presidentes e quase, quase em cima da Guerra de Secessão. A inauguração, em 1856, do primeiro troço de caminhos-de-fer ro em Portugal. O Brasil e a promessa de uma vida melhor...

Nas últimas páginas retive o fôlego, pois a autora virou o enredo de forma tão convincente que vislumbrei um final alternativo para o livro. Vestiu-o de nexo e de credibilidade e deixou-me a arfar por ler mais depressa. Em suma, todo o livro foi lido de um só sopro.

Os meus sinceros parabéns àquela que considero, sem dúvida, a melhor autora de romances 'romance' portuguesa da atualidade.
Um triunfo perfeito para um primeiro lançamento. Fico a contar os dias até ao próximo.
 

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Uma Pequena Palavra...

"Era uma vez uma mulher cujo ofício era contar histórias. Andava por todo o lado oferecendo a sua mercadoria, relatos de aventuras, de suspense, de horror ou de luxúria, tudo a um preço justo. Num meio dia de agosto encontrava-se no centro de uma praça quando viu avançar na sua direção um homem (...) És tu a que conta histórias?, perguntou o estrangeiro. (...) Então vende-me um passado, porque o meu está cheio de sangue e de lamentos e não me serve para percorrer a vida."
Isabel Allende
in Eva Luna