Amantes de Buenos Aires

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Autor: Alberto S. Santos
Género: Romance
Edição: Abr/2019
Páginas: 424
ISBN: 9789720031778
Editora: Porto Editora

 

 

 

Este é um romance intenso que se inspira na história real de Elisa e marcela, duas mulheres apaixonadas que se casaram no altar, um século antes da legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Elisa cortou o cabelo, trocou as saias por calças e criou uma infância em Londres, o suficiente para se fazer passar por Mário e se casar com Marcela. Mas os dias felizes estavam contados com a descoberta e a repercussão social do "casamento sem homem", e o casal depressa se viu obrigado a exilar-se. Tudo se adensou quando, já casadas, Marcela deu à luz uma filha, um mistério que carrega de drama e emotividade esta poderosa história de amor, cujos ecos ultrapassam as contingências do tempo.

Alberto S. Santos parte deste caso verídico para criar uma fascinante saga familiar na qual se cruzam várias gerações de mulheres de forte personalidade, que lutam pela verdade do passado que as une. Numa vertiginosa viagem de cem anos, o leitor assiste ao nascimento do tango nos prostíbulos de Buenos Aires e emociona-se com as gentes do Porto, a cidade que se uniu para acolher a coragem e a grandeza de um amor clandestino.

Deste autor no Segredo dos Livros:
A arte de caçar destinos
Para lá de Bagdad
O Segredo de Compostela
A Profecia de Istambul

Autor:

Alberto S. Santos, autor, advogado e conferencista, é apaixonado pelos factos inesperados da História e afirmou-se na ficção histórica criada a partir de marcantes acontecimentos reais, mas pouco conhecidos do grande público. Publicou os romances bestsellers A Escrava de Córdova (2008), A Profecia de Istambul (2010), O Segredo de Compostela (2013), Para lá de Bagdad (2016) e Amantes de Buenos Aires (2019). É também autor da coletânea de histórias A Arte de Caçar Destinos (2017) e participa na série de contos de autores lusófonos Roça Língua (2014). Está ainda ligado à criação e curadoria do Festival Literário "Escritaria" e à comissão científica da "Rota do Românico".

Comentários  

 
#1 Sebastião Barata 2019-07-08 16:24
Amantes de Buenos Aires, o novo romance de Alberto S. Santos, baseia-se numa história real e segue a linha dos seus livros anteriores, romanceando e desenvolvendo histórias reais pouco conhecidas da generalidade dos leitores, mas paradigmáticas da época em que ocorreram.
Depois de narrar, em romances anteriores, a empolgante viagem de uma caravana árabe até às terras frias dos Vikings, numa época em que emergiam os fundamentalismo s islâmicos ("Para Lá de Bagdad"); os problemas étnicos que, pela mesma altura, a Península Ibérica vivia no relacionamento entre os cristãos celtas e os invasores muçulmanos que dominavam o Sul ("A Escrava de Córdova"); o tempo da Inquisição, da fuga dos Judeus e Muçulmanos da Península e as consequências no equilíbrio à volta do Mediterrâneo ("A Profecia de Istambul"); e uma muito bem construída teoria sobre quem efetivamente está sepultado em Santiago de Compostela e o que esteve na origem da devoção a Santiago que tem atravessado os séculos e continua pujante ("O Segredo de Compostela"); o autor apresenta-nos agora uma história nada menos extraordinária (antes pelo contrário), que agitou a Galiza e se estendeu ao Porto, no início do século XX - o casamento legal (e na Igreja!) de duas mulheres, um século antes da primeira legislação sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Em poucas palavras e não querendo desvendar muito, trata-se de duas professoras primárias da Galiza que se apaixonaram loucamente uma pela outra. Quando uma delas começou a ser assediada por um homem rico e poderoso que a queria desposar à viva força, só encontraram uma forma de resolver o problema: uma delas fazer-se passar por homem, casarem e fugir para o estrangeiro. Estiveram no Porto, onde lhes nasceu uma menina que o galego alega ser filha dele, acabando por fugir para Buenos Aires, onde chegaram os tentáculos do todo poderoso e a sua vida acabou em tragédia. A menina nascida em Portugal cresceu e deixou descendência. E vamos encontrar uma sua neta regressar ao Porto, onde tinha começado a história das suas bisavós e todos os segredos vão ser revelados.

Repito o que já afirmei num comentário a um livro anterior e que se aplica integralmente nesta nova obra: "Este novo romance de Alberto S. Santos vem confirmar as qualidades que já lhe conhecíamos das suas anteriores obras: elevada cultura, investigação séria e profunda sobre os temas que desenvolve, e uma escrita cativante".

Na verdade, as referências que nos situam na época e nos locais dos acontecimentos são rigorosas e ilustrativas, ficando o leitor a conhecê-los e quase a revivê-los. Ao falar do Porto do início do século XX, quem conhece a cidade facilmente a reconhece como era nesse tempo e o que sobrevive atualmente. Mas é a Argentina que, talvez por ser mais afastada de nós, mais nos fascina: ali chegavam contínuas vagas de imigrantes, quase todos homens, em busca de fortuna; máfias arregimentavam e transportavam mulheres do centro e leste da Europa com promessas de casamento e uma vida melhor, mas que acabavam nos prostíbulos, a servir de "alívio" àquelas multidões de machos; nos bairros miseráveis nascia o tango como sublimação dos instintos sexuais mais primários, mas que veio a tornar-se numa dança carregada de sensualidade e evoluiu para o símbolo argentino que hoje é conhecido e se dança nos salões do mundo inteiro.

Também a construção da trama romanesca segue de perto o esquema de romances anteriores: a ação desenvolve-se fundamentalment e a três tempos, que vão alternando ao longo do livro: a vida das protagonistas na Galiza e no Porto até 1901; a vida das mesmas na Argentina alguns anos depois, quando a sua filha Cleide era criança e jovem; e 2009, quando Raquel decide vir a Portugal, tudo se desvenda e a sua vida muda para sempre. Será que a saga daquela sucessão de gerações de mulheres vai acabar em bem, as perseguições vão acabar e podem, finalmente, viver em paz?
Gabriel Garcia Marquez aparece no epicentro da história e faz um prognóstico em que compara a história desta família à do seu romance "Cem Anos de Solidão" que acabou da pior forma. Será a sua profecia realizada, ou, pelo contrário, o sol da felicidade vai, por fim, brilhar e findar o século de calvário que esta família viveu?

É um romance com base histórica muito interessante, com uma história de amor agora mais atual do que nunca, que se lê muito bem, cuja leitura aconselho vivamente.
 

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"Algumas obras morrem porque nada valem; estas, por morrerem logo, são natimortas. Outras têm o dia breve que lhes confere a sua expressão de um estado de espírito passageiro ou de uma moda da sociedade; morrem na infância. Outras, de maior escopo, coexistem com uma época inteira do país, em cuja língua foram escritas, e, passada essa época, elas também passam; morrem na puberdade da fama e não alcançam mais do que a adolescência na vida perene da glória. Outras ainda, como exprimem coisas fundamentais da mentalidade do seu país, ou da civilização, a que ele pertence, duram tanto quanto dura aquela civilização; essas alcançam a idade adulta da glória universal. Mas outras duram além da civilização, cujos sentimentos expressam. Essas atingem aquela maturidade de vida que é tão mortal como os Deuses, que começam mas não acabam, como acontece com o Tempo."
Fernando Pessoa, in Heróstrato