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As cores da minha vida
Sexta, 18 Setembro 2009 17:38


Autora:
Teresa Marques
Esfera Contemporânea: 13
Páginas: 136
Data de Publicação: Agosto de 2009
Editora: Esfera do Caos

Este livro é um relato sofrido, contado na primeira pessoa, da vida de uma mulher portuguesa ― independente, apaixonada e determinada ― que atravessa a segunda metade do século XX em luta contra os preconceitos de uma sociedade que asfixiava. É constituído por oito capítulos, cada um identificado por uma cor.

São os acontecimentos que marcam o percurso da personagem principal que determinam cada uma das cores ― as cores da sua vida.
Um país em ditadura, uma gente que vai procurar em África o que aqui não encontrava, uma guerra que deixou feridas ― mas também, as lutas estudantis, o 25 de Abril, a reforma agrária…
Dotada de uma personalidade muito forte, esta mulher é capaz de fazer as suas escolhas pessoais sem se deixar intimidar.

A protagonista deste romance, como muitas outras mulheres portuguesas, soube enfrentar todas as vicissitudes com que se deparou e soube lutar, corajosamente, pelos seus interesses. Sempre atenta às transformações sociais e políticas que em Portugal e no resto do mundo se faziam sentir, teve a ousadia de viver de acordo com os seus princípios e convic­ções.


Sobre a Autora:

Teresa Marques, aliás Rosa Maria Marques Carvalho. Adoptou este pseudónimo porque duas pessoas que a dada altura conheceu, antes de saberem o seu nome, decidiram chamar-lhe Teresa Marques por ser esse o nome da sua mãe. Tem 46 anos e  dois filhos. É professora. Nasceu em Moçambique, país que traz sempre no coração e no qual faz questão de acabar os seus dias. Vive em Vagos. Tal como a principal personagem do livro, dois dos grandes prazeres que tem na vida são ler e escrever ― com estas actividades consegue abstrair-se da inquietação que desde sempre a acompanhou.

Actualizado em Sexta, 23 Outubro 2009 22:20
 

Comentários  

 
0 #3 fernanda carvalho 15-12-2009 20:36
Muitas vezes damos por nós a ler livros enormes, cheios de páginas e páginas repletas de … nada. E eis que me surge nas mãos este pequeno livro, com apenas 129 páginas, cada uma delas cheias de significado e sentimento.
Num tom semelhante ao de um diário, a autora descreve os últimos 45 anos da sua vida, acompanhados de uma forma casual (por sinal, bastante interessante!) dos acontecimentos da atmosfera social e política de Portugal e do mundo.
Eu gostei imenso desta leitura, talvez exactamente pelo contexto em que a história está integrada.
De inicio encontramo-nos num Portugal profundamente manietado pelo regime salazarista, depois rumamos em direcção a uma das colónias, Moçambique, onde o ar que se respirava era um pouco mais livre, apesar de ainda se sentir o jugo do regime e apesar da guerra tão próxima. De regresso a Portugal, logo após o 25 de Abril, entendo finalmente as reticências que senti em pequena, quando alguém falava sobre os “retornados”. Daí para a frente todos os acontecimentos históricos saltam da minha memória à medida que são introduzidos na história. Até aos dias de hoje.
Com um olhar mais demorado pela capa, apercebo-me das semelhanças entre a própria autora e a personagem principal do livro.
Será este livro uma realidade? Ou será que a própria realidade se emaranha nos fios da meada da história? O resultado é algo extraordinário.
É um livro escrito por alguém que no final da sua vida se limita a contar uma história, sem fazer juízos sobre si própria ou sobre as escolhas que tomou. O tom é melancólico e talvez um pouco triste, mas é uma leitura perfeita para um final de tarde no sofá, acompanhado de uma boa chávena de chá.
 
 
0 #2 Lígia Teixeira 11-11-2009 18:09
Peguei neste livro sem saber muito bem o que de lá viria... A ideia era ler só um bocadinho para ver como era e se não me agradasse punha de lado. Li-o de uma assentada.

Através do relato das várias fases da vida da narradora, vamos tendo também uma perspectiva dos acontecimentos marcantes dos últimos 30 e tal anos do séc. XX, tanto no nosso país como no mundo. Além de termos uma perspectiva também do que era a vida no Ultramar e do que foi o regresso dos retornados.

Gostei da escrita da autora, clara, sem grandes floreados, mas intimista, de tal forma que me levou a pensar muitas vezes quanto de biográfico teria esta sua obra. É que a dada altura, esquecemo-nos mesmo que não é a autora a falar na 1ª pessoa, mas sim uma personagem...

Um livrinho que se revelou uma boa surpresa e que gostei bastante de ler.
 
 
0 #1 Roberta Gonçalves 25-10-2009 23:27
Um livro muito bom, que se lê de um fôlego. Pequenino mas muito bem recheado ;-)
Retrata a conjuntura politica e social do nosso país nas décadas de sessenta e setenta, estendo-se depois, mas de forma mais resumida, até quase à actualidade, vista pelos olhos de uma mulher lutadora e sempre inconformada com a sua vida.
É como que um diário onde a protagonista nos descreve os problemas que teve de enfrentar com a sua família e também com a sociedade, numa altura em que a mulher era vista como um acessório ao resto da sociedade.
Adorei ler :-)
A forma como a autora nos mostra como eram as coisas naquela época, como era a vida dos retornados antes do seu regresso a Portugal e também depois, é feita de uma forma bastante simples que leva o leitor a querer ler tudo seguidinho sem interrupções. A alusão a filmes que marcaram determinada época, fez-me ter vontade de rever os que já vi e ver os que ainda não tive oportunidade. Há também as músicas e mesmo os livros que marcaram a protagonista, mas que também a ajudaram a ultrapassar os seus problemas mais graves.
Achei engraçado o facto de serem atribuídas cores a cada fase da sua vida, é verdade que às vezes dizemos "a vida está preta" ou "é tudo muito cor-de-rosa", mas sinceramente nunca tinha pensado em fazer isto e agora dou por mim a atribuir cores aos meus dias ;-)
Quanto a passagens que tenha gostado, aqui vos deixo uma:

"Qual é a cor da Saudade? Existe uma cor que traduza a busca de nós mesmos? A procura da nossa identidade? Do rumo da nossa vida?" (Pag. 107)

Depois tenho outra que também adorei e que é uma grande verdade, mas também a mim me acontece ;-)

"Embora o preço dos livros seja quase proibitivo, muitas vezes não resisto a comprar algum." (Pag. 124)

Agora a título de curiosidade: o meu dia hoje foi... Azul :-)

Um livro excelente, não deixem de ler!
 

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