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| As cores da minha vida |
| Sexta, 18 Setembro 2009 17:38 | |||
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Este livro é um relato sofrido, contado na primeira pessoa, da vida de uma mulher portuguesa ― independente, apaixonada e determinada ― que atravessa a segunda metade do século XX em luta contra os preconceitos de uma sociedade que asfixiava. É constituído por oito capítulos, cada um identificado por uma cor. São os acontecimentos que marcam o percurso da personagem principal que determinam cada uma das cores ― as cores da sua vida.Um país em ditadura, uma gente que vai procurar em África o que aqui não encontrava, uma guerra que deixou feridas ― mas também, as lutas estudantis, o 25 de Abril, a reforma agrária… Dotada de uma personalidade muito forte, esta mulher é capaz de fazer as suas escolhas pessoais sem se deixar intimidar. A protagonista deste romance, como muitas outras mulheres portuguesas, soube enfrentar todas as vicissitudes com que se deparou e soube lutar, corajosamente, pelos seus interesses. Sempre atenta às transformações sociais e políticas que em Portugal e no resto do mundo se faziam sentir, teve a ousadia de viver de acordo com os seus princípios e convicções.
Teresa Marques, aliás Rosa Maria Marques Carvalho. Adoptou este pseudónimo porque duas pessoas que a dada altura conheceu, antes de saberem o seu nome, decidiram chamar-lhe Teresa Marques por ser esse o nome da sua mãe. Tem 46 anos e dois filhos. É professora. Nasceu em Moçambique, país que traz sempre no coração e no qual faz questão de acabar os seus dias. Vive em Vagos. Tal como a principal personagem do livro, dois dos grandes prazeres que tem na vida são ler e escrever ― com estas actividades consegue abstrair-se da inquietação que desde sempre a acompanhou.
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| Actualizado em Sexta, 23 Outubro 2009 22:20 |
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| Re:Jojo Moyes clarinda 21.5.2012 17:14 |
Comentários
Num tom semelhante ao de um diário, a autora descreve os últimos 45 anos da sua vida, acompanhados de uma forma casual (por sinal, bastante interessante!) dos acontecimentos da atmosfera social e política de Portugal e do mundo.
Eu gostei imenso desta leitura, talvez exactamente pelo contexto em que a história está integrada.
De inicio encontramo-nos num Portugal profundamente manietado pelo regime salazarista, depois rumamos em direcção a uma das colónias, Moçambique, onde o ar que se respirava era um pouco mais livre, apesar de ainda se sentir o jugo do regime e apesar da guerra tão próxima. De regresso a Portugal, logo após o 25 de Abril, entendo finalmente as reticências que senti em pequena, quando alguém falava sobre os “retornados”. Daí para a frente todos os acontecimentos históricos saltam da minha memória à medida que são introduzidos na história. Até aos dias de hoje.
Com um olhar mais demorado pela capa, apercebo-me das semelhanças entre a própria autora e a personagem principal do livro.
Será este livro uma realidade? Ou será que a própria realidade se emaranha nos fios da meada da história? O resultado é algo extraordinário.
É um livro escrito por alguém que no final da sua vida se limita a contar uma história, sem fazer juízos sobre si própria ou sobre as escolhas que tomou. O tom é melancólico e talvez um pouco triste, mas é uma leitura perfeita para um final de tarde no sofá, acompanhado de uma boa chávena de chá.
Através do relato das várias fases da vida da narradora, vamos tendo também uma perspectiva dos acontecimentos marcantes dos últimos 30 e tal anos do séc. XX, tanto no nosso país como no mundo. Além de termos uma perspectiva também do que era a vida no Ultramar e do que foi o regresso dos retornados.
Gostei da escrita da autora, clara, sem grandes floreados, mas intimista, de tal forma que me levou a pensar muitas vezes quanto de biográfico teria esta sua obra. É que a dada altura, esquecemo-nos mesmo que não é a autora a falar na 1ª pessoa, mas sim uma personagem...
Um livrinho que se revelou uma boa surpresa e que gostei bastante de ler.
Retrata a conjuntura politica e social do nosso país nas décadas de sessenta e setenta, estendo-se depois, mas de forma mais resumida, até quase à actualidade, vista pelos olhos de uma mulher lutadora e sempre inconformada com a sua vida.
É como que um diário onde a protagonista nos descreve os problemas que teve de enfrentar com a sua família e também com a sociedade, numa altura em que a mulher era vista como um acessório ao resto da sociedade.
Adorei ler :-)
A forma como a autora nos mostra como eram as coisas naquela época, como era a vida dos retornados antes do seu regresso a Portugal e também depois, é feita de uma forma bastante simples que leva o leitor a querer ler tudo seguidinho sem interrupções. A alusão a filmes que marcaram determinada época, fez-me ter vontade de rever os que já vi e ver os que ainda não tive oportunidade. Há também as músicas e mesmo os livros que marcaram a protagonista, mas que também a ajudaram a ultrapassar os seus problemas mais graves.
Achei engraçado o facto de serem atribuídas cores a cada fase da sua vida, é verdade que às vezes dizemos "a vida está preta" ou "é tudo muito cor-de-rosa", mas sinceramente nunca tinha pensado em fazer isto e agora dou por mim a atribuir cores aos meus dias ;-)
Quanto a passagens que tenha gostado, aqui vos deixo uma:
"Qual é a cor da Saudade? Existe uma cor que traduza a busca de nós mesmos? A procura da nossa identidade? Do rumo da nossa vida?" (Pag. 107)
Depois tenho outra que também adorei e que é uma grande verdade, mas também a mim me acontece ;-)
"Embora o preço dos livros seja quase proibitivo, muitas vezes não resisto a comprar algum." (Pag. 124)
Agora a título de curiosidade: o meu dia hoje foi... Azul :-)
Um livro excelente, não deixem de ler!
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