Autobiografia

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Autor: José Luís Peixoto
Género: Romance
Edição: Jul/2019
Páginas: 304
ISBN: 9789897224591
Editora: Quetzal

 

 

 

Na Lisboa de finais dos anos noventa, um jovem escritor em crise vê o seu caminho cruzar-se com o de um grande escritor. Dessa relação, nasce uma história que mescla realidade e ficção, um jogo de espelhos que coloca em evidência alguns dos desafios maiores da literatura.

A ousadia de transformar José Saramago em personagem e de chamar Autobiografia a um romance é apenas o começo de uma surpreendente proposta narrativa que, a partir de certo ponto, não se imagina como poderá terminar. José Luís Peixoto explora novos temas e cenários e, ao mesmo tempo, aprofunda obsessões, numa obra marcante, uma referência futura.

Deste autor no Segredo dos Livros:
O Caminho Imperfeito
Todos os Escritores do Mundo Têm a Cabeça Cheia de Piolhos
Em Teu Ventre
Livro
Nenhum Olhar

Autor:

José Luís Peixoto nasceu em 1974, em Galveias, concelho de Ponte de Sôr.
É um dos autores de maior destaque da literatura portuguesa contemporânea. A sua obra ficcional e poética figura em dezenas de antologias, traduzidas num vasto número de idiomas, e é estudada em diversas universidades nacionais e estrangeiras.
Em 2001, acompanhando um imenso reconhecimento da crítica e do público, foi atribuído o Prémio Literário José Saramago ao romance Nenhum Olhar. Em 2007, Cemitério de Pianos recebeu o Prémio Cálamo Otra Mirada, destinado ao melhor romance estrangeiro publicado em Espanha. Com Livro, venceu o prémio Libro d'Europa, atribuído em Itália ao melhor romance europeu publicado no ano anterior. As suas obras foram ainda finalistas de prémios internacionais como o Femina (França), Impac Dublin (Irlanda) ou o Portugal Telecom (Brasil). Na poesia, o livro Gaveta de Papéis recebeu o Prémio Daniel Faria e A Criança em Ruínas recebeu o Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores. Em 2012, publicou Dentro do Segredo, Uma viagem na Coreia do Norte, a sua primeira incursão na literatura de viagens. Os seus romances estão traduzidos em mais de trinta idiomas.

Comentários  

 
#1 Sebastião Barata 2019-08-18 17:41
"Autobiografia" , o novo romance de José Luís Peixoto, é o 3º livro que leio deste autor. Os anteriores foram "Nenhum Olhar" e "Em Teu Ventre". Todos eles têm algo em comum e o que me saltou logo à vista foi a fusão entre realidade e ficção. Em todos eles se torna difícil distinguir o que são acontecimentos acontecidos e acontecimentos imaginados pelo autor. Diria que o tema diferente que separa os três romances uns dos outros não é suficiente para fazer esquecer a semelhança entre aquilo que é, a meu ver, a característica do autor de imergir o que é produto da sua imaginação na realidade do que foi a vida real dos protagonistas. Refiro-me especialmente aos dois mais recentes destes três livros: "Em Teu Ventre", Maria a mãe de Lúcia a vidente de Fátima; em "Autobiografia" , José Saramago o escritor português nosso único Prémio Nobel de Literatura.

É para mim difícil dizer algo que corrobore a minha afirmação sem desvendar o que considero ser a surpresa final. A este propósito, permito-me chamar a atenção para o texto de Pilar del Rio que consta na badana da contracapa do livro, para o qual chamo a atenção do leitor. Dizer mais do que ela ali diz, é falar demais.

Para além de outras personagens circundantes, há neste romance duas personagens principais: José e Saramago. José é um jovem que editou um primeiro romance e se debate com a escrita do seu segundo. Temos aqui a primeira semelhança com Saramago, cujo segundo romance "Claraboia" só foi editado em 2011 depois da sua morte e talvez nunca viesse a ver a luz do dia se Saramago não tivesse atingido o patamar que atingiu. Outra semelhança é o jovem escritor ser chamado José, simplesmente José. E aqui cabe falar de "Todos os Nomes", romance de Saramago em que a personagem principal é José, um funcionário do Registo Civil que acaba por viver uma obsessão por conhecer as pessoas reais que estão detrás daqueles registos de nascimento. Este livro é citado em "Autobiografia" e pode levar o leitor a também querer saber mais sobre José, o tal escritor jovem, nomeadamente qual o seu apelido, qual o seu passado e, porque não, o seu futuro. Confusos? Acreditem que, no final, vão conhecer tão bem o seu futuro como o seu passado.

O âmago da história do romance "Autobiografia" começa no dia 2 de julho de 1997, data em que José Saramago deu por concluída a escrita de "Todos os Nomes" e 8 de outubro de 1998, data em que foi anunciado pela Academia Sueca a atribuição do Prémio Nobel de Literatura 1998 a José Saramago. A aparente coincidência da personagem José de "Todos no Nomes", a personagem José de "Autobiografia" e o homem real de nome José galardoado com o Prémio Nobel é um artifício de Peixoto, uma dica que o leitor não pode ignorar.

Se a esta construção literária acrescentarmos o facto do autor de "Autobiografia" também ser chamado José e ter sido galardoado com o Prémio José Saramago em 2001 pelo seu segundo romance "Nenhum Olhar", o puzzle fica completo.

Para terminar, quero afirmar que "Autobiografia" não é tão difícil de ler como outros livros de José Luís Peixoto, apesar dos trocadilhos com o nome José e os desvios que eles provocam. Não li, por exemplo, o romance "Livro", mas penso, pelo que li, ser muito mais confuso e, mesmo assim, ter sido genericamente apreciado pelos leitores.
 

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"Algumas obras morrem porque nada valem; estas, por morrerem logo, são natimortas. Outras têm o dia breve que lhes confere a sua expressão de um estado de espírito passageiro ou de uma moda da sociedade; morrem na infância. Outras, de maior escopo, coexistem com uma época inteira do país, em cuja língua foram escritas, e, passada essa época, elas também passam; morrem na puberdade da fama e não alcançam mais do que a adolescência na vida perene da glória. Outras ainda, como exprimem coisas fundamentais da mentalidade do seu país, ou da civilização, a que ele pertence, duram tanto quanto dura aquela civilização; essas alcançam a idade adulta da glória universal. Mas outras duram além da civilização, cujos sentimentos expressam. Essas atingem aquela maturidade de vida que é tão mortal como os Deuses, que começam mas não acabam, como acontece com o Tempo."
Fernando Pessoa, in Heróstrato