Cair no Coração de uma Flor - Cartas (1906-1918)

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Autor: Amadeo Souza-Cardoso
Género: Epistolografia
Edição: Out/2018
Páginas: 320
ISBN: 9789898881106
Editora: Ponto de Fuga

 

 

 

Autor de uma obra plástica visionária que tem atraído milhares de visitantes a exposições, Amadeo de Souza-Cardoso foi também um extraordinário epistológrafo, como atestam as mais de duzentas cartas que escreveu - à família, à companheira, a amigos, a outros artistas - e que chegaram até nós. Determinante para o estudo aprofundado, nos últimos anos, da sua vida e obra, esse acervo nunca tinha sido objeto de uma edição integral como a que agora se apresenta. Nela se reúnem todas as cartas escritas entre novembro de 1906, momento decisivo em que Amadeo partiu para Paris, onde se integrou nas vanguardas internacionais do início do século XX, e as semanas que antecederam a sua morte, aos 30 anos, em outubro de 1918.

Um século depois, este livro vem revelar, num registo ora quotidiano, ora profundamente íntimo, a demanda espiritual de um homem que se predestinou a deixar atrás de si «uma prova forte de existência»: «É preciso ser gigante para ser gota de orvalho. Depois de abraçar a terra, mergulhar no mar, transformado em nuvem comandar uma batalha de raios, cair muito alto, das alturas, no coração de uma flor, a nossa alma, gota celeste, desaparece num fino raio de sol.»

Autor:

Amadeo Souza-Cardoso nasceu a 14 de Novembro de 1887 em Manhufe, freguesia de Mancelos, no concelho de Amarante. Fez estudos liceais em Amarante e frequentou a Academia de Belas-Artes de Lisboa em 1905, tentando seguir o curso de Arquitetura que interrompeu para partir para Paris, em 1906, instalando-se, então, em Montparnasse. Frequentou ateliers preparatórios para o concurso de admissão às Beaux-Arts parisienses, ainda com destino a Arquitetura, vindo, no entanto, a dedicar-se exclusivamente à Pintura, tendo frequentado a Academia Viti do pintor espanhol Anglada Camarasa. Nesta primeira época realizou várias caricaturas e algumas pinturas marcadas por aspetos naturalistas e impressionistas. Em 1910 fez uma estada de alguns meses em Bruxelas e em 1911 expôs trabalhos no Salon des Indépendants, em Paris, havendo-se aproximado progressivamente das vanguardas e de artistas como Modigliani, Brancusi, Archipenko, Juan Gris, Robert e Sonia Delaunay. Em 1912 publicou o álbum XX Dessins e expôs no Salon des Indépendants e no Salon d’Automne. Em 1913 tomou parte, com oito trabalhos, no Armory Show, nos Estados Unidos da América, aí restando algumas das obras expostas, hoje patentes ao público nos museus americanos. Nesse ano participou ainda no Herbstsalon da Galeria Der Sturm, em Berlim. Em 1914 encontrou-se em Barcelona com Gaudí, e partiu depois para Madrid onde foi surpreendido pela guerra. Regressou a Portugal, instalando-se em Manhufe, e casou no Porto com Lucia Pecetto, que conhecera em Paris em 1908. Pintou com grande constância, refez algumas obras no seu atelier da Casa do Ribeiro, cultivou a amizade com Eduardo Viana, Almada Negreiros e os Delaunay (que então se instalaram em Vila do Conde). Em 25 de Outubro de 1918 Amadeo morre em Espinho, vítima da «pneumónica» que então grassava em Portugal.

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"O Homem e o escritor são a mesma pessoa. Mas este facto constitui a maior descoberta de um escritor. Precisei de muito tempo - e de quantas páginas escritas! - para chegar a essa síntese."
V.S.Naipaul, in O Enigma da Chegada.