Cartas Vermelhas

Autora: Ana Cristina Silva
Edição:
Set/2011
Páginas: 272
ISBN: 9789895558070
Editora: Oficina do Livro

 

 

Carol, nascida em Cabo Verde de família branca e abastada, nunca se resignou à miséria das ilhas. E, movida pelo sonho de construir uma sociedade mais justa, ingressou ainda jovem no Partido Comunista. Não se importando de usar a beleza como arma ideológica, abraçou a luta revolucionária, apaixonou-se por um camarada e ficou grávida pouco antes de ser presa. Foi a sua mãe quem tratou de Helena nos primeiros tempos, mas, depois de libertada, Carol levou-a para Moscovo, onde trabalhou nas mais altas esferas do Comintern.

Aí, o contacto com as purgas estalinistas não chegou para abalar as suas convicções, mas o clima de denúncia e traição catapultou-a para o cenário da Guerra Civil espanhola, obrigando-a a deixar Helena para trás; e, apesar de ter escapado aos fuzilamentos franquistas, a eclosão da Segunda Guerra Mundial impediu Carol de voltar à União Soviética para ir buscar a criança.
Será apenas vinte anos mais tarde que mãe e filha se reencontrarão em Berlim; mas a frieza e o ressentimento de Helena farão com que, na viagem de regresso a Lisboa, Carol decida escrever um romance autobiográfico com o qual a filha possa, se não perdoar-lhe, pelo menos compreender as circunstâncias do abandono – a clandestinidade, a prisão, a guerra, a espionagem e o inconcebível casamento com um inspector da polícia política.
Inspirado na vida de Carolina Loff da Fonseca, este romance extremamente empolgante vai muito além dos factos, confirmando Ana Cristina Silva como uma das mais dotadas autoras de romance psicológico em Portugal.

Ana Cristina Silva

Ana Cristina Silva nasceu em Lisboa e é professora no Instituto Superior de Psicologia Aplicada na área de Aquisições Precoces da Linguagem Escrita, Ortografia e Produção Textual. Autora de 15 romances e de um livro de contos, foi três vezes finalista do Prémio Fernando Namora (2011, 2012, 2013) e venceu o prémio em 2017 com o romance A Noite Não é Eterna. Recebeu o prémio Urbano Tavares Rodrigues pelo romance O Rei do Monte Brasil.

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Comentários

  • Cristina Delgado

    Novembro 11, 2011 às 18:24
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    Esperava desta escritora um livro assim. Intenso! Não foi, por isso, uma surpresa a sua leitura e já desconfiava que iria gostar. A leitura que tinha feito de Fogueiras da Inquisição assim o demonstrava...A sinopse revelava tratar-se de um romance histórico sobre uma mulher que muitos desconhecem (Carolina Loff da Fonseca) com uma vida muito participativa nos acontecimentos que se sucederam, por volta de 1900 e anos seguintes, em vários pontos do mundo - desde a Cidade da Praia a Lisboa, passando por Moscovo e Madrid.Para além da leitura da sinopse, a escrita de Ana Cristina Silva não me podia […] Ler Mais...Esperava desta escritora um livro assim. Intenso! Não foi, por isso, uma surpresa a sua leitura e já desconfiava que iria gostar. A leitura que tinha feito de Fogueiras da Inquisição assim o demonstrava...A sinopse revelava tratar-se de um romance histórico sobre uma mulher que muitos desconhecem (Carolina Loff da Fonseca) com uma vida muito participativa nos acontecimentos que se sucederam, por volta de 1900 e anos seguintes, em vários pontos do mundo - desde a Cidade da Praia a Lisboa, passando por Moscovo e Madrid.Para além da leitura da sinopse, a escrita de Ana Cristina Silva não me podia deixar indiferente. É de uma forma espectacular que ela descreve minuciosamente, com uma imaginação sem limites, o que terá sentido essa formosa mulher que, onde passava, deixava um rasto de beleza, mas também de empenhamento político, sempre em busca de um mundo mais justo. Ao fazermos esta leitura, temos consciência do que é ficção e do que é real e isso é um ponto a favor da autora.Mergulhamos na época do Estado Novo, das lutas clandestinas, das prisões e interrogatórios, na antiga União Soviética de Estaline, do Kremlim, da euforia, mas também do medo que aí reinava e também dos horrores que se cometeram na Guerra Civil Espanhola, da Frente Popular...Ficamos com vontade de saber mais sobre esta mulher especial, arruinada pelo remorso de ter abandonado a filha por longos anos, anos que tornaram difícil o seu reencontro e aproximação.Gostei deveras e recomendo muitíssimo! Read Less

  • João Teixeira

    Outubro 17, 2011 às 22:36
    Responder

    Antes de mais, devo começar por dizer que não gosto absolutamente nada que uma sinopse de contracapa de um livro diga praticamente a história toda. E é o que aqui acontece! O que vem escrito na contracapa (e/ou capa) deve incitar-nos a ler o livro na íntegra, e não deve ser nunca um resumo da história, pois assim não deixa espaço nenhum a que sejamos surpreendidos e, como tal, não vale a pena lê-la. Além disso, não sei por que se denomina este romance de "psicológico", pois julgo nada ter a ver com essa corrente literária. Aliás, o facto […] Ler Mais...Antes de mais, devo começar por dizer que não gosto absolutamente nada que uma sinopse de contracapa de um livro diga praticamente a história toda. E é o que aqui acontece! O que vem escrito na contracapa (e/ou capa) deve incitar-nos a ler o livro na íntegra, e não deve ser nunca um resumo da história, pois assim não deixa espaço nenhum a que sejamos surpreendidos e, como tal, não vale a pena lê-la. Além disso, não sei por que se denomina este romance de "psicológico", pois julgo nada ter a ver com essa corrente literária. Aliás, o facto de a história não ser toda narrada na primeira pessoa do singular, torna tudo menos "psicológico" e faz com que aquilo que nos é contado perca um pouco da sua autenticidade. E, tratando-se de uma obra de ficção e não de uma biografia, a narrativa só teria a ganhar se a autora tivesse evitado escrever na terceira pessoa. Em conclusão, este parece-me um romance normal e, infelizmente, sem grandes laivos de originalidade. Por outro lado, não querendo ser injusto na minha opinião, julgo que Ana Cristina Silva foi bastante competente no trabalho que fez. No entanto, parece-me faltar qualquer coisa... O romance está bem escrito? Está. É um romance memorável? Lamento dizê-lo, mas, para mim, não. Em todo o caso, penso que não irá desiludir o típico leitor de romances, ainda para mais porque a autora resgatou à História uma personagem que existiu na realidade, mas de que não conhecemos nada, e que parece ter estado bastante à frente do seu tempo. Este livro adaptado a uma série de televisão até seria bastante interessante, desde que a reconstituição histórica fosse bem feita e todos os profissionais envolvidos tivessem mérito reconhecido (tanto a nível de argumentistas, como actores e realizador). Fica aqui a ideia! Read Less

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