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Cativa na Arábia
Quinta, 22 Abril 2010 23:50

Autora: Cristina Morató
Edição: Abr/2010
Páginas: 404
Editor: Esfera dos Livros

A vida da condessa Marga d’Andurain é um autêntico livro de aventuras. Drama, aventura, intriga, acção, exotismo são alguns dos ingredientes de Cativa na Arábia. Nascida no seio de uma família da burguesia basca francesa, foi uma mulher à frente do seu tempo. Rebelde, transgressora e apaixonada, viajou da sua Baiona natal até cidades lendárias como o Cairo, Beirute, Damasco ou Tânger, onde protagonizou façanhas incríveis que lhe valeram títulos como «A Mata Hari do deserto», «A Condessa dos vinte crimes» ou «A amante de Lawrence da Arábia». Marga d’Andurain espiou para os britânicos, dirigiu juntamente com o marido um hotel no deserto sírio e propôs-se ser a primeira ocidental a entrar em Meca. Para isso, já divorciada, casou-se com um beduíno e converteu-se ao Islão. A sua viagem ao coração da Arábia foi um autêntico pesadelo, ao ser fechada num harém e mais tarde encarcerada na terrível prisão de Yidda. Ao abandonar o Próximo Oriente, dedicou-se ao tráfico de ópio em Paris, ocupada pelos nazis, acabando por ser assassinada em Tânger. Mas quem era na realidade esta mulher? Uma perigosa espia, uma assassina ou apenas uma audaciosa viajante?

Autora:

Cristina Morató nasceu em Barcelona, estudou jornalismo e fotografia. Desde muito jovem percorreu o mundo como repórter, realizando numerosos artigos e reportagens. Depois de passar grandes temporadas em países da América Latina, Ásia e África. Em 2005 viajou pela primeira vez para o Próximo Oriente visitando a Síria e mais tarde a Jordânia. O seu interesse em recuperar do esquecimento as grandes viajantes e exploradoras da história levou-a publicar com grande êxito da crítica e do público: Viajeras intrépidas y aventureras (2001), Las reinas de África (2003) e Las damas de Oriente (2005).
Comentários
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fernanda carvalho   |11:35:53 19-05-2010
Tenho alguma dificuldade em ler biografias. Ou o sujeito biografado é realmente alguém que me interessa e a leitura me apaixona, ou acabo por achar a leitura enfastiante, acabando eventualmente por desistir.
Com este livro não sei o que me aconteceu.
Marga d’Andurain não foi de todo uma personagem que me cativou. Era uma mulher desconhecida, uma suposta espia, uma prometida heroína, e sim, uma autêntica aventureira das arábias. Mas todos os seus grandes planos acabaram por sair furados, as aventuras que decidiu empreender não a levaram a lugar algum, e nem como mãe ela se viu realizada. Não foi sem dúvida uma mulher modelo ou que servisse de inspiração, muito pelo contrário.
Talvez tenha sido a forma como a autora conta a história da vida desta mulher, quase que como falando de uma amiga íntima. Apesar de eu achar os capítulos um pouco longos demais, não achei que ela me saturasse com datas e documentos, e factos históricos em demasia. Ajudou, sim, a recriar a personalidade desta falsa condessa ao introduzir pequenas histórias e situações ao longo da narrativa.
A autora, Cristina Morató, tem bastante experiência na construção de biografias de grandes viajantes e exploradoras, e teve acesso directo à voz de Marga através do seu livro autobiográfico “Mari-Passeport” (Marido-Passaporte), por diversas vezes mencionado, onde esta fala das suas aventuras pela a Arábia. Mas também pode contar com a ajuda de uma testemunha preciosa – o próprio filho de Marga, Jacques d’Andurain, através do qual ficamos a conhecer melhor esta misteriosa mulher, que foi por diversas vezes acusada de assassínio.
No fim fica a dúvida, quem foi realmente Marga d’Andurain?
Talvez tivesse sido uma leitura mais apaixonante se tivesse sido apresentada como um romance. No entanto, e segundo as palavras da autora, “com a vida que esta mulher levou, teria sido um romance inverosímil”.
Joana Dias   |22:36:51 17-06-2010
Eu não costumo ler biografias, nem livros de não ficção. Mas como adoro histórias de aventuras passadas no deserto, resolvi ler este livro pois na sinopse dizia que ele relatava a vida da “Mata-Hari” do deserto.
Quando começamos a ler o livro, logo entendemos que relata a vida de uma mulher à frente do seu tempo. Filha de pais burgueses extremamente conservadores, ela vai contra tudo aquilo para que é educada, seguindo a vida ao sabor dos seus desejos e vontades.
Mesmo por ser uma mulher à frente do seu tempo, a maior parte dos seus planos caiam por terra, pois o mundo ainda não estava preparado para este tipo de mulher, independente e autónoma, desejando uma vida de impossíveis e aventuras.
No entanto, demonstra também um certo egoísmo e egocentrismo que se pode ver na forma como abandona a família para conseguir os seus desejos.
O facto de se tratar de uma biografia torna a leitura por vezes aborrecida. Sem dúvida, preferia ter lido este livro em formato de romance. No entanto, o livro cumpre os objectivos a que se propõe, tratando-se de uma biografia, tendo sido muito bem documentada com o diário de Marga d’Andurain, o testemunho do seu filho mais novo e diversas fotografias.

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"Agora que o último livro morreu, posso partir. Estive presa nesta história durante séculos, ligada ao destino do que escrevi. Até aqui, meu amor, não podia amar-te: todo o real gritava que não nos conseguíamos tocar. Mas liberta daqui, atirada por todos os séculos até ao fundo do tempo, dentro dos restos deste livro te chamo. Fechada de luz dentro deste livro te chamo.”
"333" de Pedro Sena-Lino