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| Corja maldita |
| Terça, 11 Maio 2010 23:22 | |||
![]() Autor: Pedro Almeida Vieira Páginas: 224 Editora: Sextante Na segunda metade do século XVIII, a todo-poderosa Companhia de Jesus vê-se envolvida pelo futuro marquês de Pombal no processo dos Távora, em França torna-se um alvo a abater pelos jansenistas parisienses e em Espanha é transformada em bode expiatório no rescaldo de um motim. Em 1773 acabaria suprimida pelo papa Clemente XIV, após um conclave envolto em corrupção. Tudo isto se retrata neste livro. Estamos então perante um romance histórico? De acordo com o editor: sim, definitivamente. Segundo o narrador, que se assume afinal como o verdadeiro autor: não, é uma crónica verídica. Para a alma penada do padre Gabriel Malagrida, é uma reputada heresia; este livro deveria ser queimado... Queimado?! Não, guilhotinado... e jamais lido. O (presumido) autor não confirma nem desmente. Na dúvida, será uma cornucópia de criatividade e imaginação. Face ao estilo adoptado no novo romance, os exemplares de Corja maldita terão aposto um Literature Advisory. Autor: Pedro Almeida Vieira nasceu em Coimbra em Novembro de 1969. Engenheiro de formação, tem intercalado a sua actividade entre o jornalismo e a investigação ambiental. Na última década publicou os ensaios O estrago da Nação (2003) e Portugal: o vermelho e o negro (2006), e os romances Nove mil passos (2004), O profeta do castigo divino (2005) e A mão esquerda de Deus (2009). Corja maldita é o seu novo romance.
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| Actualizado em Quinta, 13 Maio 2010 08:29 |
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| Re:Coleção Triângulo Jota toiota 8.2.2012 14:40 |
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| Re:Compras - 2012 Ana_Pereira 8.2.2012 13:45 |
| Re:vendo/troco (brandybell) Patanisca 8.2.2012 13:36 |
Comentários
Primeiro, o início, a identificação ou não do autor, bastante original sem dúvida.
Depois o narrador, que é Satanás que conversa, por mais incrível que pareça, com os restos mortais de um padre jesuíta.
O ponto central é a expulsão dos jesuítas de Portugal e de outros países, no tempo do Marquês de Pombal (que ainda era só Conde de Oeiras na época). Conta as manobras e falsidades de que a toda poderosa Companhia de Jesus foi vítima, para conseguirem desacreditá-la e levar o Papa a suspendê-la. Em qualquer dos países, os jesuítas foram as vítimas mais ou menos inocentes, mas sempre as mais adequadas, para que quem governava se visse livre de inimigos, arrastados na voragem como apoiantes da corja maldita dos “corvos negros”, que eram os padres da Companhia de Jesus.
O mais interessante é que o narrador principal é o diabo, que dialoga com os ossos do Padre Malagrida, jesuíta e principal opositor do todo-poderoso ministro. O diálogo acontece na actualidade, 250 anos depois dos acontecimentos narrados. Satanás ataca a Companhia e Malagrida defende-a com unhas e dentes. Um pormenor interessante é que o jesuíta trata o diabo por todas as alcunhas possíveis e imaginárias, cobrindo todas as letras do alfabeto de A a Z (azucrim, beiçudo, canhoto, dianho, excomungado, fute, etc. para além das mais conhecidas, como satanás, mafarrico, demónio e outras).
Uma maneira de contar coisas muito sérias, de uma forma lúdica e muito agradável de ler.
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