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D. Amélia
Quarta, 17 Março 2010 23:42

Autora: Isabel Stilwell
Páginas: 554 + 32 extratextos
Formato: 16 X 23,5
Edição: Mar/2010
Editora: Esfera dos Livros

Uma rainha não foge, não vira costas ao seu destino, ao seu país. D. Amélia de Orleãs e Bragança era uma mulher marcada pela tragédia quando embarcou, em Outubro de 1910, na Ericeira rumo ao exílio. Essa palavra maldita que tinha marcado a sua família e a sua infância. O povo acolheu-a com vivas, anos antes, quando chegou a Lisboa. Admirou a sua beleza, comentou como era alta e ficou encantado com o casamento de amor a que assistiu na Igreja de São Domingos. A princesa sentia-se uma mulher feliz. Mas cedo começou a sentir o peso da tragédia. O povo que a aclamou agora criticava os seus gestos, mesmo quando eram em prol dos mais desfavorecidos. O marido, aos poucos, afastava-se do seu coração, descobriu-lhe traições e fraquezas e nem o amor dos seus dois filhos conseguiu mitigar a dor. Nos dias mais tristes passava os dedos pelo colar de pérolas que D. Carlos lhe oferecera, 671 pérolas, cada uma símbolo dos momentos felizes que teimava em não esquecer.  Isabel Stilwell, autora best-seller de romances históricos, traz-nos a história da última rainha de Portugal. D. Amélia viveu durante 24 anos num país que amou como seu, apesar de nele ter deixado enterrados uma filha prematura que morreu à nascença, o seu primogénito D. Luís Filipe, herdeiro do trono, e o marido D. Carlos assassinados ao pleno Terreiro do Paço a tiro de carabina e pistola. De nada lhe valeu o ramo de rosas que tinha na mão e com o qual tentou afastar o assassino. Outras mortes a perseguiriam...  D. Amélia regressou em 1945 a convite de António de Oliveira Salazar com quem mantinha correspondência e por quem tinha uma declarada admiração. Morreu seis anos depois em França, seu país natal, na cama que Columbano havia pintado para ela. Na cabeceira estavam desenhadas as armas dos Bragança.

Autora:
Isabel Stilwell é jornalista e escritora. Directora do jornal Destak, foi directora, igualmente, da revista Notícias Magazine, tem um longo percurso na imprensa escrita e sempre se confessou apaixonada por romances históricos. Os seus romances históricos anteriores têm obtido enorme sucesso junto do público. Filipa de Lencastre vai na 20ª edição, com 36.500 exemplares vendidos e Catarina de Bragança vai na 13ª edição, com 35.000 exemplares vendidos.
Comentários
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Joana Dias   |01:41:45 29-04-2010
Este não é primeiro livro que leio sobre a rainha D. Amélia que foi a última rainha de Portugal, nem o primeiro que li da autora. A autora é já conhecida no meio literário, graças aos seus dois outros livros sobre a rainha Filipe de Lencastre e rainha Catarina de Bragança. É óbvia a preferência da autora pelo género do romance histórico e em particular pela monarquia do ponto de vista da rainha. Desta forma, não se deve já, ao ler este livro, esperar que a história da D. Amélia seja descrita de uma forma neutra.
É verdade que se nota que a escritora, para desenvolver este livro, recorreu a uma profunda pesquisa histórica, chegando mesmo a mostrar no seu livro diversos documentos fotográficos relevantes sobre a rainha. Mas isto não significa, como já referi, uma perspectiva neutra ou fiel sobre os últimos dias da monarquia em Portugal. Antes pelo contrário, a rainha é claramente retratado como vitima do rei, do seu ministro e pelos grandes vilões que na sua perspectiva são os republicanos. Mais uma vez, o que menos me agradou neste autora foi a vitimização da rainha que é quase apresentada como uma mártir do marido e do país. Penso que a autora devia ter tentado contar a história da rainha de forma mais neutra, ainda por cima não sendo o romance narrado na primeira pessoa. No fim do livro, aparece-nos Salazar no auxilio à rainha, dando-nos uma perspectiva bastante favorável do antigo ditador. Já me agradou mais essa perspectiva menos estereotipada (e não porque algum tipo de simpatia por este tipo de regime), mas acho que ajuda recordar ao leitor que uma personagem hoje vista por muitos como vilão também fez algumas coisas como positivos, tendo como todas as pessoas qualidades e defeitos.
Achei francamente limitada a visão que autora nos dá do povo português como uma turba ignorante, ambivalente e infiel. A verdade é que a manutenção da monarquia ao longo de séculos e o início da republica não dependeu em quase nada da vontade da maior parte de povo, mas das pessoas mais letradas da altura. E faria assim tanta diferença ao povo, na sua maior parte pobre, se quem governava era o rei ou um presidente, quando acredito que muitos até desconheciam o nome de quem os governava? Mas isto não faz deles ignorantes, seres não pensantes se pensarmos nos constrangimentos da época.
O estilo de escrita da autora é claramente influenciado pelo estilo romântico, lembrando muitas vezes o estilo de Camilo, principalmente nesta obra, carregada de emoções exageradas e dramatismo. Apesar do livro ser bastante grande, é agradável e lê-se bem, mas, por vezes, este tipo de escrita torna-se um pouco enjoativa, devido ao exagero tão característico do romantismo. Ainda assim, vale a pena ler o livro que nos parece fazer chegar a sua história como uma série de frescos da época. Tão fortes são as imagens que nos evoca que ora espanta, aborrece ou emociona.

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