Deixem Passar o Homem Invisível

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Autor: Rui Cardoso Martins
Género: Romance
Edição: Jan/2020
Páginas: 280
ISBN: 9789896715342
Editora: Tinta da China

 

 

 

Depois de uma estreia fulgurante na ficção com E Se Eu Gostasse Muito de Morrer, Rui Cardoso Martins conquistou definitivamente a crítica com este segundo romance, Deixem Passar o Homem Invisível, vencedor do Grande Prémio de Romance e Novela da APE 2009. Agora, dez anos depois, o livro volta às livrarias e reforça a presença do autor no catálogo da Tinta-da-china, no mesmo ano em que será lançado o seu muito aguardado novo romance.

Este livro acompanha a viagem de um homem - cego desde os 8 anos - e de um pequeno escuteiro por uma Lisboa subterrânea, depois de uma enxurrada os empurrar para uma caixa de esgoto.
Pelo meio desta aventura complexa e intensa, que é também um caminho de memórias difíceis, há um ilusionista, um camaleão que não acerta com a cor e todas as pessoas que continuam a acreditar no salvamento, apesar de tudo.

Deste autor no Segredo dos Livros:
E Se Eu Gostasse Muito De Morrer

Autor:

Rui Cardoso Martins nasceu em Portalegre, em 1967. É autor dos romances «E Se Eu Gostasse Muito de Morrer» (2006), «Deixem Passar o Homem Invisível» (2009, Grande Prémio de Romance e Novela APE), «Se Fosse Fácil Era para os Outros» (2012) e «O Osso da Borboleta» (2014), e também do livro de crónicas «Levante-se o Réu» (2015). Tem livros traduzidos em várias línguas. Publicou contos em revistas nacionais e internacionais. É argumentista de cinema e autor de peças de teatro.
Foi co-fundador das Produções Fictícias, autor do programa «Contra-Informação» e de várias séries dramáticas e de comédia. Foi jornalista e cronista do jornal «Público» desde a sua fundação até 2015.

Comentários  

 
#1 Sebastião Barata 2020-03-25 23:36
Dez anos depois de ter vencido o Grande Prémio de Romance e Novela APE/DGLB 2009, regressa em nova edição este livro, que parece escrito para a situação de pandemia que atravessamos com o Covid 19. A história é sobre uma tempestade diluviana que se abateu sobre a região de Lisboa, mas a reação das entidades responsáveis foi em tudo semelhante à atual: começar por desconsiderar os danos, enquanto os jornalistas procuravam conseguir o seu furo editorial; depois correr atrás do prejuízo, quando as entidades começam a perceber que a coisa era mesmo séria e iriam acabar por sair mal na fotografia, se não fizessem algo de grande que mostrasse a sua elevada capacidade, competência e empenho; no final, acaba tudo em bem, depois da natureza e as vítimas da catástrofe ultrapassarem a situação pelos seus próprios meios.

Os protagonistas deste insólito acontecimento são um cego e uma criança de oito anos. O acontecimento inicial é um buraco gigantesco que a força das águas abriu no solo do Largo de São Sebastião da Pedreira e os engoliu a ambos, quando a criança tentava guiar o cego e este tentava salvar o garoto de morrer afogado. A criança era um escuteiro que estava a sair das instalações da sua alcateia que funcionava nos anexos da Igreja de São Sebastião da Pedreira e o adulto não era um ceguinho de pedir esmola, mas sim um invisual culto, licenciado em Direito e funcionário do Fundo de Garantia Automóvel, que detestava que lhe chamassem invisual, porque era cego e nada mais que cego.
O encontro do cego António com o escuteiro João foi uma pura obra do acaso, porque o destino é ditado pelas ações das pessoas. António tinha acabado de adquirir um GPS próprio para guiar cegos e resolveu vir testar a sua nova aquisição para este local, onde tinha estado alguns dias antes com a esposa, para "ver" os azulejos da Igreja através dos olhos dela, a sua "vidente", como ele a apelidava. Como disse, era um cego culto que adorava obras de arte.

A chuva partiu tão depressa como veio e as pessoas começaram a juntar-se à volta do buraco, cada uma dando os seus palpites. Em princípio, ninguém caíra ali, mas, se tivesse caído, a esta hora estaria morto, concluíam. Quem não embarcou em tão simplista diagnóstico foi o Comandante dos Bombeiros Municipais, que mandou que o descessem até ao fundo buraco. Encontrou uma bengala de cego e um sapato de criança, bem como o início de uma conduta. Ninguém queria acreditar, mas ele insistia na sua ideia de que havia um cego e uma criança dentro da conduta, podendo estar vivos. As suas teorias vieram revelar-se uma realidade, depois de aparecer a mãe da criança, um estranho ilusionista amigo do cego e a sua esposa. Havia que iniciar as buscas. Mas onde estavam as plantas dos esgotos da capital? Não havia. Vieram bombeiros, vieram mergulhadores, veio uma arqueóloga com fotocópias de um velho alfarrábio que descrevia os subterrâneos da Lisboa de há alguns séculos atrás. Não era o ideal, mas era o melhor que se arranjava. E o tempo ia passando.
No interior da terra, os dois sinistrados estavam vivos, esfomeados, sem encontrar forma de sair dali e sem ninguém que os viesse salvar. Foram descendo pelos canais e recordando o seu passado, sem grande esperança de que tivessem futuro. Até que outro cataclismo há muito prometido, mas para o qual ninguém se preocupa com preparar, aconteceu e os vem salvar da forma mais inesperada.

Escrito num estilo irónico e ridicularizando a sociedade com um humor negro acutilante, este romance diverte o leitor, enquanto alerta para a forma muito especial dos portugueses de deixar o barco correr, nunca estarmos preparados para o que nos pode vir a acontecer e, quando os azares surgem, improvisarmos umas coisas e esperarmos que os contratempos acabem por se resolver por si.
Com um leque de personagens caricatas e muito bem caracterizadas, com descrições de cenas passadas e atuais que são de vir às lágrimas, com uma descrição muito fiel da sociedade lisboeta, é um livro que dá gosto ler e recomendo vivamente.
 

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