Desgraça

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Autor: J.M. Coetzee
Edição: Mar/2011
Páginas: 240
Formato: livro de bolso
Editora: Bis Leya

Desgraça é muito mais do que um relato social: é um relato de sobrevivência pessoal numa sociedade decadente. Passado na África do Sul pós-apartheid, este romance sincero e despudorado centra-se em David Lurie, professor universitário na Cidade do Cabo, de meia-idade, divorciado, que divide o seu tempo entre o desânimo das aulas e as satisfações momentâneas que encontra numa prostituta. Quando este o deixa de atender, David desvia as atenções para uma jovem aluna, começando uma aventura sexual que, quando tornada pública, o leva ao despedimento e à humilhação.

Autor:
J.M. Coetzee nasceu em 1940 na Cidade do Cabo e estudou na África do Sul e nos Estados Unidos. As suas obras compreendem onze romances, bem como memórias, traduções e críticas literárias. Residindo na Austrália desde 2002, foi em 2003 galardoado com o Prémio Nobel de Literatura. As Publicações Dom Quixote editaram em Portugal os seus livros No Coração Desta Terra, À Espera dos Bárbaros, (James Tait Black Memorial Prize, 1982), A Vida e o Tempo de Michael K. (Booker Prize, 1983), A Ilha, A Idade do Ferro, O Mestre de Petersburgo, Desgraça (Booker Prize, 1999), Elizabeth Costello, O Homem Lento, Diário de Um Mau Ano e Verão.

Colecção BIS:
Portabilidade, preço, design e apelo ao coleccionismo são os principais atributos da BIS, colecção que, ao fim de dois anos, lançou um total de 87 títulos, tendo terminado o ano de 2010 como líder de mercado no respectivo segmento.
Todas as informações sobre a BIS podem ser encontradas em bisleya.blogs.sapo.pt.

Comentários  

 
#2 Sebastião Barata 2011-05-24 20:42
Não poderei dizer muito mais sobre este livro, depois do excelente comentário do João Teixeira.
De facto, todas as personagens se mantêm irredutíveis nos seus princípios: brancos, negros, novos, velhos, professores, alunos, pais, filhos, instruídos, ignorantes. Contudo, se reflectirmos mais profundamente, não será legítimo concluir que o expectável é que cada um defenda a sua verdade, a sua herança, de uma forma aparentemente bizarra, mas necessária para construir uma sociedade verdadeiramente multi-racial e multi-cultural? Deste choque vai nascer a sociedade onde todos terão o seu lugar.
Achei muito interessante o estilo de escrita do autor. Usou uma linguagem de estilo telegráfico, com frases muito curtas, secas, sem adjectivos. Emoções fortíssimas são relatadas com total frieza. Mas que outro estilo se poderia esperar deste relato, em que são narradas as histórias de pessoas vivas por fora, mas mortas por dentro?!
Achei este livro muito bom. Aliás, outra coisa não era de esperar de uma obra galardoada com o Booker Prize, cujo autor faz parte da galeria de detentores do Prémio Nobel de Literatura?!
 
 
#1 João Teixeira 2011-04-26 20:01
Coetzee narra neste livro, de uma forma sóbria e até um pouco desencantada, a realidade de uma África do Sul que, infelizmente, até nem é estranha aos portugueses (relembremos que ocasionalmente, os telejornais abrem com notícias de violência contra portugueses e luso-descendent es que vivem no país). Uma África do Sul que, por baixo das aparências, ainda não sarou completamente as feridas deixadas por anos de apartheid. Uma África do Sul onde reina a injustiça e a violência, ambas motivadas pelo ódio. Este é, de facto, um livro que não nos deixa indiferentes.
Tive alguma dificuldade em identificar-me com as personagens, pois pareceu-me sempre que todas as escolhas que elas fizeram não eram as mais acertadas. De facto, nenhuma personagem principal se salva (ou tenta salvar-se) da humilhação a que é submetida. Todas se sentem irredutíveis no seu naufrágio existencial, não querendo abrir mão dos seus "princípios", mesmo que eles contribuam, ou sejam mesmo, a sua própria desgraça.
Por outro lado, talvez tenha sido o facto de não me identificar com as personagens e de não perceber as suas escolhas que me fez acreditar nelas, foi o que as tornou credíveis para mim enquanto leitor. São personagens que estão muito longe da perfeição e, como tal, de um final feliz. Mas isso é o que torna este livro excepcional. Um livro que contribuiu para que o seu autor recebesse o Prémio Nobel da Literatura. Depois de o lermos, percebemos porquê.
 

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