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Diálogos para o Fim do Mundo
Terça, 02 Março 2010 19:31

Autora: Joana Bértholo
Dimensões: 209 x 135 mm
Edição: 2010
Páginas: 248
Editor: Editorial Caminho

Prémio Maria Amália Vaz de Carvalho 2009

Há uma história de amor, num tempo futuro após o fim do mundo, quando o amor ganhou sentidos novos ou deixou até de fazer sentido. Junto com o cinema, os museus e o próprio tempo. Há um famoso general do exército vermelho e uma velha que se lembra de tudo, do que importa e do que não importa. Três irmãs que carpem o destino dos homens e uma pequenina com ar de imperatriz. Há um cão mítico, e incontáveis pores-do-sol. Há até a bordo uma orquestra prussiana, que todas as tardes toca exactamente a mesma peça de Wagner. Segue tudo e todos juntos, num ajuntamento de opções flutuantes, uma espécie de arca. O que todos mais querem é chegar ao Brasil. Mas não sabemos se o Mundo não acaba entretanto.

Autora:
Joana Bértholo nasceu em 1982. Licenciou-se em Design de Comunicação e agora está em Berlim a fazer doutoramento. Recebeu já diversos prémios: Prémio Jovens Criadores 2005; Menção Honrosa no Prémio Nacional de Literatura Juvenil Ferreira de Castro (1998); Melhor Argumento para BD (SOSracismo e editora Baleiazul, 1999); Prémio Escrevendo a Partir da Pintura (Fundação Calouste Gulbenkian, 2000); Melhor Ensaio O Movimento Olímpico (Comité Olímpico Português, 2000); Prémio Jovens Criadores – Literatura (Clube Português de Artes e Ideias, 2005); Menção Honrosa no Prémio UP-Utopia (Universidade de Letras do Porto, 2005); 1.º lugar no Concurso Literário Persona (2006). E finalmente o Prémio Maria Amália Vaz de Carvalho (CMLoures, 2009).
Actualizado em Segunda, 05 Abril 2010 23:23
 

Comentários  

 
0 #1 Sebastião Barata 03-04-2010 21:12
Este foi, para mim, o livro que mais me custou a ler, nos últimos tempos. Apesar dos parágrafos curtos e do tipo de letra agradável, tive muita dificuldade em agarrar o texto. Confesso que cheguei ao fim sem achar a ponta do nó. Como a autora já ganhou diversos prémios (e eu nunca ganhei nenhum), devo ser eu que não tenho competência para compreender este tipo de literatura. Contudo, o que mais me preocupa não é a minha basicidade (de básico), mas sim a basicidade da generalidade dos leitores. Por isso, admiro a capacidade e a coragem dos autores que navegam (ou voam?)em formas de linguagem experimental, mas tenho pena de que certas aventuras estéticas da escrita possam afastar muitos dos possíveis leitores.
Esta obra tem inovações realmente desconcertantes , mas imaginativas e inovadoras. Alguns exemplos: Lá para o meio do livro, há um capítulo que pretende (talvez) ser um poema construído com as 134 notas de rodapé (quase todas, mas algumas com a numeração errada – gralha?), reorganizadas de modo a fazerem algum sentido. Apresenta um índice após 50 capítulos e antes dos últimos 18, que pretende ser o caminho para que quem está perdido possa dizer com segurança que está mesmo perdido. Na verdade, como podem as personagens (ou os leitores?) dizer que estão perdidas, se não houver um caminho do qual estão fora?!
A autora usa (ou abusa?) os trocadilhos como forma inovadora de escrever, mas que deixam o leitor perdido na compreensão do texto. É o Mito de que Pessoa falou, que, por vezes, não é mito, mas o cão que se chamava Mito. É o Mykhaylo pai, o Mikhaylo filho, o outro Mykhaylo que não era o pai nem o filho e ainda o Michael, o Miguel do futuro (que não sabemos se o mundo não acaba entretanto). Mas, de que Fim do Mundo fala a autora? É o fim do acontecimento que decorre, ou o fim da pessoa que o vive, ou o fim da civilização, ou o fim da humanidade, ou o fim da Terra, ou o fim deste Universo, ou...? Talvez sejam todos, o difícil para o leitor é saber de qual (ou de quais?) estamos a falar em cada passagem do texto.
A imagem que me ocorre para descrever este livro, é a de uma barca nas ondas do mar, com avanços e retrocessos, por vezes no alto, outras em baixo, repetição de situações já apresentadas antes, claridade agora, escuridão logo, passado, presente e futuro misturados numa caldeirada por vezes já requentada.
É um livro excelente? Talvez, porque foi premiado. Oxalá outros mais esclarecidos do que eu o compreendem melhor. Não quer tentar?
 

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