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| Diários Secretos de Eva Braun |
| Segunda, 24 Janeiro 2011 23:18 | |||
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Autora: Simone Bernard-Dupre Algures no Rio de Janeiro um velho tradutor falece. Como única herança, deixa a uma vizinha que encontrara uma vez nas escadas um conjunto de papéis. Um diário secreto e uma carta que revelam o lado de lá de uma das páginas mais negras da história europeia. Autora:
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Comentários
Começando pela sua forma, diria que é um livro escrito de uma maneira que nos capta a atenção. O diário, propriamente dito, ocupa quase a totalidade do livro (está inserido numa outra história, esta bastante romanceada) e é constituído por pequenos apontamentos, supostamente de Eva Braun, que não nos cansam e nos mantêm interessados.
A personagem principal, ao escrever o seu diário e ao contar-nos as suas vivências, consegue fazer transparecer muito bem o seu carácter. O seu retrato físico e psicológico está bem conseguido. Resta-nos saber da veracidade do mesmo!
E é precisamente o seu retrato psicológico que me "irritou" de sobremaneira (por isso concluo que está bem conseguido...)! Eva surge-nos, no início da sua vida, como uma rapariga alegre, fútil, que apenas se quer divertir, mas, ao mesmo tempo, rebelde e nada dada a convenções e a obedecer a uma educação rígida... Por outro lado, apaixona-se perdidamente por Adolf Hitler e vai perdendo, aos poucos, a sua autenticidade, tornando-se uma mulher submissa e sem amor-próprio. Isso traz-lhe conflitos interiores, que não expressa verbalmente e que a levam a tentar o suicídio por duas vezes! A sua passividade e o seu "não querer ver" o que se passava à sua volta são uma constante em todo o livro!
Uma mais-valia deste livro é o facto de surgirem, frequentemente, notas de rodapé que nos situam historicamente. O retrato físico e psicológico de Hitler é-nos transmitido com realismo pela sua amante. Dominador de massas, orador nato, provocava nos outros um tal magnetismo que os levava à histeria colectiva. Hitler aparece-nos como um ser sem escrúpulos e sem remorsos, demente e obstinado, na sua guerra contra o comunismo e contra os judeus.
Eva ama-o e odeia-o, simultaneamente ! A sua dependência e submissão face a Hitler revolta-a, mas nada faz para a alterar e mantém-se-lhe fiel até a morte. Terá existido, realmente, esta dualidade interior?
Um dos aspectos que considero mais fraco deste livro é o facto de todos os acontecimentos horríveis dessa época serem aqui aforados muito ao de leve... O que nos leva a perguntar se, efectivamente, esses horrores terão passado por Eva Braun sem que ela se tivesse dado conta? Intencionalment e, ou porque o seu papel como mulher era apenas decorativo, como ela própria nos quis passar a mensagem?
Pelas questões que nos faz levantar, a minha opinião é positiva. Confesso, no entanto, que conseguiu irritar-me esta passividade toda que nos transmite Eva, esse conflito interior que a leva a questionar-se sobre o seu comportamento, mas não demonstrando força suficiente para alterar...
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