Do Outro Lado do Mar

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Autor: João Pedro Marques
Edição: Set/2015
Páginas: 368
ISBN: 9789720047601
Editora: Porto Editora

 

 

 

Tudo começa na Primavera de 1833. Profundamente abalado por um desgosto de amor, o doutor Vasco Lacerda decide abandonar Lisboa para tentar curar o coração ao sol de uma nova vida, nos trópicos. Contudo, no decurso da sua viagem, vê-se arrastado, contra vontade, para o mundo da escravatura e toma contacto directo com realidades de que já ouvira falar, mas que nunca tinha sentido e percebido na sua verdadeira natureza.

E trava, também, conhecimento com a gente que, para o melhor e o pior, povoa esse bárbaro mundo: Tarquínio Torcato, o cruel negreiro; Gaspar, o negro que odeia negros; Sara, a escrava que acende o desejo em todos os homens; Quisama, a pretinha que tudo quer aprender; Januário Paraíso, o velho cocheiro que canta canções de amor; e muitos outros e outras que enchem de afectos e de vida um universo de horrível desumanidade.
Do Outro Lado do Mar leva-nos numa viagem emocionante por esse universo, dos sertões de Angola às fazendas do Brasil, do ventre do navio negreiro à fábrica de açúcar, e mostra-nos como mesmo nos sítios mais improváveis e nas situações mais extremas podem nascer e crescer a solidariedade, a abnegação e fortíssimas relações de amor.

Deste autor no Segredo dos Livros:
Os Dias da Febre

Autor:

João Pedro Marques nasceu em Lisboa, em 1949. Foi professor do ensino secundário e, depois, durante mais de duas décadas, investigador do Instituto de Investigação Científica Tropical e Presidente do Conselho Científico desse Instituto, em 2007-2008. Doutorado em História pela Universidade Nova de Lisboa, onde lecionou durante a década de 1990, é autor de dezenas de artigos sobre temas de história colonial, e de vários livros, dois dos quais publicados em Nova Iorque e Oxford (The Sounds of Silence, 2006; e, em co-autoria, Who Abolished Slavery? A debate with João Pedro Marques, 2010).
Em 2010, publicou o seu primeiro romance, Os Dias da Febre, ao qual se seguiu, em 2012, Uma Fazenda em África (que, com várias edições, constituiu um dos grandes sucessos do ano) e, em 2014, O Estranho Caso de Sebastião Moncada.

Veja aqui o vídeo promocional:

Comentários  

 
#1 Sebastião Barata 2015-10-22 23:18
Depois de ler a sinopse muito completa e ver o trailer promocional muito sugestivo deste livro, não há muito mais a dizer sobre a história que o autor no conta. Passada no século XIX, no tempo do reinado do imperador D. Pedro I do Brasil, quando a Inglaterra já tinha adotado o fim da escravatura, mas esta continuava de pedra e cal no Brasil, é uma história de horrores, muito bem contada e fiel à realidade que se vivia na altura naquele novo país que acabava de ganhar a independência do colonialismo português.

O Brasil era independente, mas quem governava realmente eram os fazendeiros produtores de cana de açúcar e de café. Era um negócio em recessão, por falta de investimento em modernização, que sobrevivia à custa da mão de obra escrava. Apesar da proibição internacional, toda a gente fechava os olhos e o tráfego a partir de Angola e do Golfo da Guiné continuava. Todos ganhavam, incluindo os próprios angariadores negros que, em África, aproveitavam para aniquilarem tribos rivais e se desfazerem de inimigos.

O autor mostra-nos bem como se pretendia justificar e perpetuar a situação. Os fazendeiros, os políticos e a própria Igreja Católica subornavam a sua consciência com o argumento de que os negros eram muito mais felizes na situação de escravos do que seriam como homens livres. Diziam que, por falta de instrução (alguns afirmavam que o negro era uma raça inferior que não era capaz de aprender), não seriam capazes de se autodeterminar e acabariam no crime, na vadiagem e provocariam insurreições para se vingarem dos brancos que poderiam pôr em perigo a própria existência do País.
Baseando-se na personagem de um médico progressista que tinha vivido em Portugal as divergências entre absolutistas e liberais, o autor dá-nos uma panorâmica de todo aquele mundo da escravatura e uma visão independente da desumanidade que tal prática representava.
Mostra-nos personalidades fortes de negros que se revelavam tão ou mais capazes do que muitos dos brancos que os oprimiam. Prova como seria muito mais útil para o progresso do Brasil uma mão de obra livre e assalariada que seria muito mais produtiva e empenhada no trabalho. Mostra-nos como os negros não são menos humanos e racionais do que os brancos, só porque têm outra cor na sua pele. São tão capazes de trabalhar, de estudar, de amar, de ser empreendedores como os outros. Assim lhes deem oportunidade e condições.

O autor construiu personagens fortes e soube caraterizá-las muito bem, de modo que foi um prazer acompanhar aqueles brancos e negros que se amavam ou se odiavam, eram heróis ou vilões, exploradores ou explorados, enfim bons ou maus, que os havia de ambos os lados da barricada. Penso que o autor colocou no seu protagonista, o doutor Vasco Lacerda, a sua noção do que deve ser o respeito pela dignidade humana, pelos direitos humanos e pela igualdade de direitos e deveres, que devem ser os padrões de qualquer sociedade que se preze. E fê-lo muito bem!
 

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