Eça de Queiroz segundo Fradique Mendes

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Autora: Sónia Louro
Género: Romance Histórico
Edição: Nov/2018
Páginas: 528
ISBN: 9789897731341
Editora: Saída de Emergência

 

 


«Eu não tenho história, sou como a República do vale de Andorra», disse certo dia Eça de Queiroz. Mas nada poderia ser mais falso. Eça é uma das figuras mais fascinantes das letras portuguesas. Os seus pais ainda não haviam casado quando, em 1845, nasce na Póvoa de Varzim. Essa indiscrição levou a que tenha sido criado longe dos progenitores, abrindo-lhe um vazio no coração que o acompanhou toda a vida. Em Coimbra faz os estudos e em Lisboa inicia-se numa vida boémia, cruzando-se com figuras incontornáveis do seu tempo como Antero de Quental, Ramalho Ortigão ou Guerra Junqueiro.

Descontente com o Direito, faz uma longa e fascinante viagem pelo Oriente, e quando regressa decide enveredar pela carreira consular. Tendo sido cônsul em Havana, Inglaterra e Paris, foi acumulando dívidas embaraçosas, amigos fiéis, inimigos implacáveis e obras-primas que revolucionaram as letras portuguesas. É esse Eça de Queiroz, homem de contrastes, mistérios e talento único, que Sónia Louro descobre e nos revela neste romance fascinante e rigoroso.
«Um título que vem enriquecer a bibliografia queiroziana e que lemos com muita curiosidade e proveito.» A. CAMPOS MATOS

Desta autora no Segredo dos Livros:
O Cônsul Desobediente
Amália - O Romance da Sua Vida
Fernando Pessoa - O Romance
Eusébio - O Romance

Autora:

Sónia Louro nasceu em 1976 em França. Desde cedo apaixonada pelas Ciências e pela Literatura, acabou por optar academicamente pela primeira, mas nunca abandonou a sua outra paixão. Licenciou-se em Biologia Marinha, mas não perdeu de vista a Literatura, à qual veio depois a aliar a um outro interesse: a História.
Fruto desse casamento, já publicou entre nós A Vida Secreta de Dom Sebastião, O Cônsul Desobediente, A Verdadeira Peregrinação, Amália - O Romance da Sua Vida, Fernando Pessoa - O Romance e Eusébio - O Romance e ainda participou em Pulp Fiction Portuguesa, com outros autores. Sofisticada e minuciosa, é apaixonada pelas obras que escreve.

Comentários  

 
#1 Sebastião Barata 2019-01-14 00:06
Depois de ler várias obras de Sónia Louro, concluo que a sua escrita está cada vez melhor. Este livro está mais leve e a história corre com mais fluidez do que senti em livros anteriores e referi nos meus comentários. A maior semelhança em relação aos anteriores é a dificuldade em catalogá-lo como Biografia ou Romance Histórico.

De facto, a definição do que é um romance histórico não é uma coisa fácil. Sou leitor apaixonado pelo género e já vi de tudo. Podia fazê-lo, mas não preciso de sair da literatura portuguesa para constatar a amplidão do termo. Já li livros que de histórico quase só têm o protagonista, os locais e a época e tudo o mais é ficção. Estes estão mais próximos do chamado romance de época. Outros há que doseiam harmoniosamente a verdade histórica com a ficção. Serão, talvez, os mais genuínos romances históricos. No extremo oposto estão aqueles que, de romance, quase só têm a estrutura, porque a ficção é pouca. Estão mais próximos da biografia do que do romance. Quais são os mais valiosos para o leitor, sob o ponto de vista literário? Na minha opinião, quanto mais próxima a trama está da História, maior é o valor do livro, porque maior e mais rigoroso foi o trabalho de pesquisa. Se são os que têm mais leitores e maior sucesso editorial, essa é outra questão que aqui não quero levantar.

Posto isto, onde enquadrar este novo livro da escritora Sónia Louro? Como é seu timbre, e neste mais do que em nenhum dos anteriores, a fidelidade à verdade histórica é total. Basta salientar que o texto colocado entre aspas representa, provavelmente, cerca de metade do livro. As citações, algumas delas bastante extensas, atingem exatamente o número fantástico de 700 nas notas de rodapé! São extratos de obras de Eça de Queiroz, da sua correspondência , de jornais e revistas da época e também de outros escritores e de críticos seus contemporâneos que sobre ele falaram nos seus escritos.

Como conseguir, no meio de tantas citações, construir uma obra agradável de ler e com o rótulo de "ROMANCE", como a autora insiste em classificar as suas obras? Antes de mais, é de salientar o hercúleo trabalho que deve ter sido a recolha, seleção e organização de tanta bibliografia, de forma a fazer sentido. Em segundo lugar, mas não menos importante, achei excelente neste livro o trabalho da autora ao conseguir narrar a vida de Eça de Queiroz através das suas próprias palavras. Sem dúvida que não há escritor de ficção que consiga imaginar as suas personagens a 100%. Há sempre algo de autobiográfico e da vida dos que o rodeiam, nas obras de todos os romancistas, mesmo quando os próprios não o reconheçam. Foi o caso de Eça. Ao lermos obras como "Os Maias", "A Cidade e as Serras", "A Ilustre Casa de Ramires" ou "O Crime do Padre Amaro", por exemplo, encontramos personagens, locais e acontecimentos que são decalcados na vida turbulenta e sofredora do próprio autor. O mérito de Sónia Louro está na sua perspicácia para encontrar, selecionar e organizar as já faladas centenas de citações. E não é que resulta maravilhosamente?

Mas não falei ainda de Fradique Mendes... Todos sabemos que Carlos Fradique Mendes é o subscritor de cartas fictícias publicadas inicialmente como crónicas que deram muito brado na época, havendo muita gente que as lia na convicção de serem escritas por uma pessoa real, as quais foram depois coligidas na obra "Correspondênci a de Fradique Mendes". Uma das ideias mais bem conseguidas por Sónia Louro neste livro é a "ressurreição" de Fradique Mendes no papel de narrador da vida de Eça de Queiroz: a maravilha de uma personagem que vira "pessoa" a narrar a vida do seu autor como "personagem"! E Fradique revela-se um crítico feroz do seu autor, a quem apelida de plagiador, porque ele sim é o verdadeiro autor de toda a obra literária do imortal José Maria Eça de Queiroz, um escritor cuja vida merece ser tão conhecida como os seus livros.

Termino com a reprodução do autógrafo que a autora amavelmente me dedicou na sessão de lançamento deste livro: "Para o meu querido Sebastião, com votos que este livro lhe proporcione bons momentos". Que a Sónia me perdoe a inconfidência, mas o seu vaticínio concretizou-se na minha leitura e vai, certamente, concretizar-se na leitura de muitos dos que vão ler "Eça de Queiroz segundo Fradique Mendes".
 

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