Eu e os Outros - Uma espécie de memórias

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Autor: José António Saraiva
Género: Memórias
Edição: Abr/2019
Páginas: 216
ISBN: 9789896168889
Editora: Gradiva

 

 

 

O programa A Noite da Má Língua começava com um cartoon animado onde um exemplar do Expresso, jornal que eu dirigia, era metido na sanita - ouvindo-se a seguir o ruído inconfundível de um autoclismo a descarregar. Depois, o jornalista Vítor Moura Pinto dizia mal da última edição do jornal e de mim próprio. Isto acontecia todas as semanas.
Pois bem: muitos anos depois, Júlia Pinheiro considerava magistrais os comentários de Moura Pinto, elogiava Emídio Rangel por permitir o programa e felicitava Balsemão por resistir às minhas supostas queixas. Ou seja, todos eram bons menos o Saraiva - que, por acaso, era a vítima no meio daquilo. Já agora esclareço que nunca me queixei a Balsemão.

Semanalmente o meu jornal era atacado numa televisão que até fazia parte do mesmo grupo, mas calava-me - porque não está na minha natureza fazer queixinhas. As queixas, por estranho que pareça, vinham até do outro lado…

Autor:

O jornalista e escritor José António Saraiva nasceu em 1947, em Lisboa, sendo filho de António José Saraiva, ensaísta, historiador e crítico literário, e sobrinho do também historiador José Hermano Saraiva. Arquiteto de formação, foi no jornalismo que mais se destacou. De qualquer maneira exerceu arquitetura durante quinze anos. Ainda muito jovem, aos 17 anos, José António Saraiva estreou-se no jornalismo, escrevendo no Comércio do Funchal, dirigido por Vicente Jorge Silva, onde assinava crónicas sobre a sociedade. Enquanto dava preferência à arquitetura, continuou a escrever regularmente, nomeadamente no Diário de Lisboa. Acabou por se licenciar em arquitetura em 1973. Pouco depois da revolução do 25 de Abril de 1974, escreveu um artigo no República sobre a extrema-esquerda que chamou a atenção do administrador da Bertrand, Eduardo Martins Soares. Nessa altura, escreveu o livro Do Estado Novo à II República. Entretanto, ingressou no semanário Expresso, do qual se tornou diretor em 1983, ajudando-o a transformar-se num dos jornais mais bem sucedidos de Portugal, tanto a nível de vendas como de prestígio. Sob a direção de José António Saraiva, o Expresso afirmou-se como um jornal de referência. Neste semanário criou o espaço "Memória do Século" e a coluna semanal "Política à Portuguesa". Em 2001 lançou o romance O Último Verão na Ria Formosa, um livro policial que demorou treze anos a conceber. Foi a forma que encontrou de poder exercer uma escrita diferente da que habitualmente utilizava no Expresso e de poder recorrer a outros temas que não a política. De qualquer forma, defende que é positivo que um jornal como o Expresso tenha o mesmo diretor ao fim de tantos anos, porque dá mais confiança aos leitores. A experiência na escrita de ficção agradou ao diretor do Expresso que de pronto começou a escrever um novo romance sobre a história de uma mulher ao longo de três fases da sua vida. Em novembro de 2002, José António Saraiva lançou o Dicionário Política à Portuguesa, obra que foi distribuída juntamente com o Expresso. Este dicionário incluía textos originais e uma seleção de crónicas de sua autoria, da "Política à Portuguesa", renomeadas e organizadas de A a Z.

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