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Eu, Maria Pia
Terça, 20 Julho 2010 10:50


Autora: Diana de Cadaval
Edição: Jul/2010
Páginas: 208 + 16 extratextos
Editora: Esfera dos Livros

Chegou a minha vez de morrer. Como último desejo peço que me virem na direcção de Portugal, o país que me encheu de alegria o coração de menina e me tirou tudo o que de mais sagrado tinha quando mulher. Olhando para trás, reconheço que a minha vida foi marcada pela tragédia. Vi partir uma mãe cedo de mais, morria de doença e de desgosto por um marido que a traía publicamente. Não me consegui despedir do meu pai, enterrei um marido que, com palavras doces e promessas vãs conquistou o meu ingénuo coração e no final me humilhou com as suas traições, um filho em quem depositava todas as esperanças, um neto adorado, e, por fim, a minha querida Clotilde, irmã de sangue e confidente. Claro que também tive momentos de felicidade.

Quando sonhava acordada com Clotilde, deitadas nos jardins do Palácio de Stupigini, com príncipes e casamentos perfeitos, quando cheguei a Lisboa e o povo gritava o meu nome, quando viajava por essa Europa fora de braço dado com Luís, quando brincava no paço com os meus filhos ou quando estendia as mãos para ajudar os mais necessitados, abrindo creches e asilos. Mas mesmo nestas alturas havia quem me apontasse o dedo. Maria Pia a gastadora, a esbanjadora do erário público. A que dava festas majestáticas no paço, a que ia a Paris comprar os tecidos mais caros e as jóias mais exuberantes. Não percebiam eles que assim preenchia o vazio que, aos poucos, se ia instalando no meu coração. Diana de Cadaval traz-nos um retrato impressionante de D. Maria Pia, rainha de Portugal. Num romance escrito na primeira pessoa, ficamos a conhecer a trágica vida de uma princesa italiana feita rainha com apenas catorze anos.

Recebida em clima de grande euforia, Maria Pia foi, 48 anos depois, expulsa de um país a quem dedicou toda a sua vida. Morria pouco tempo depois, demente, longe dos seus tempos de fausto e opulência, mas com a secreta esperança de que a morte lhe trouxesse a tranquilidade há tanto desejada.

Autora:
Diana, duquesa de Cadaval, nasceu em Genebra, na Suíça e vive actualmente em Portugal. Formou-se em Comunicação Internacional na Universidade Americana de Paris e trabalhou na leiloeira Christie's, em Londres. Tem a seu cargo a actividade cultural do Palácio Cadaval, em Évora, o berço da família ducal há mais de seis séculos. Com o marido, o príncipe Charles-Philippe d'Orléans, Diana de Cadaval tem participado em missões humanitárias na Etiópia, Camboja, Sérvia e Egipto.

Actualizado em Domingo, 10 Outubro 2010 22:53
 

Comentários  

 
0 #2 Sandra Nunes 15-11-2010 23:49
A apaixonada por história que há em mim, não resistiu em ler este livro, sobre a rainha de Portugal D. Maria Pia de Sabóia, e confesso que esta história, contada na primeira pessoa, me prendeu deste o prólogo, onde Maria Pia faz uma breve retrospectiva sobre a sua vida e as suas desilusões.
Maria Pia de Sabóia, princesa italiana, ficou órfã de mãe aos 7 anos. Nesse mesmo dia, descobre as traições do pai, o Rei Vítor Emanuel II, que numa tentativa de recompensar a filha pelas longas ausências, a enche de presentes luxuosos. Cresce no sumptuoso palácio de Stupinigi com a irmã Maria Clotilde. Juntas sonham casar com príncipes encantados e com vidas recheadas de amor e riqueza. Aos 14 anos, é pedida em casamento por Luís I, rei de Portugal que, através de cartas apaixonadas e românticas, conquista o coração desta menina que sonha ser rainha. É recebida em Lisboa com pompa e circunstância, como uma verdadeira rainha e cedo dá à luz o tão esperado herdeiro, D. Carlos.
A vida desta rainha foi dividida entre momentos de alegria exacerbada e profunda tristeza, entre uma necessidade profunda de gastar fortunas em vestidos e jóias e a de ajudar o povo, investindo em creches e asilos. Uma das partes do livro que mais me comoveu, foi aquela em que Maria Pia fala acerca dos comentários da corte sobre os seus gastos. “Não percebiam eles que assim preenchia o vazio que, aos poucos, se ia instalando no meu coração.”
Em suma, é um livro que recomendo a quem tem um carinho especial por história e a quem quer conhecer um pouco melhor a vida de uma grande mulher que foi amada e odiada pelo seu povo e que, antes do seu último suspiro, pediu ao seu filho D. Afonso que a voltasse no leito em direcção de Portugal, país que a exilou.
 
 
0 #1 Paulo Lima 12-09-2010 21:36
Este livro trata-se de um romance histórico contado em primeira pessoa, onde a autora – Diana de Cadaval – afirmou ter-se mantido fiel aos acontecimentos passados, datas, nomes, etc. e ainda como referiu, o seu objectivo não foi criar a biografia da rainha, demonstrando assim um conhecimento bastante sólido sobre este assunto.
Na obra, deparamo-nos com a transição de Dª Maria Pia, dos regimes de absolutismo para o da monarquia constitucional e posteriormente para a república, portanto trata-se de uma fase abrangida não só pela vida de luxos, mas também de mudanças sucessivas.
Muito breve, fica aqui um resumo: Maria Pia nasceu no ano de 1847, foi criada com todo o luxo. Ficou órfã de sua mãe muito jovem, seu pai, Rei Vitor Manuel, oferecia-lhes bons presentes, a Maria Pia e à sua irmã. Tendo a vida que todas desejariam, um verdadeira fonte de mimos, carinho e centro das atenções, criou nela uma personalidade forte e arrogante para os demais, contudo sonhava no casamento perfeito. Casou-se aos 15 anos, com D. Luís I, de 25 anos de idade, na altura Rei de Portugal, e que lhe dava o afecto e o carinho por ela desejado. Maria Pia, em Portugal, ao contrário da sua personalidade anterior, foi-se apercebendo da miséria existente no país e surpreendeu com o seu coração de ouro, desconhecido até então, construindo instituições sociais e de apoio à população, o que lhe concedeu uma fama e sucesso que ainda duram nos dias de hoje.
Considerando este um romance ficcionado, sob uma História de Portugal, gostei bastante de conhecer uma Rainha que tão grande nome tem em Portugal e que tanto fez por ele, tanto o adorava. O livro termina com o seu último pedido que o seu filho, D. Carlos, percebe e volta para trás, rumo a Portugal, numa tentativa de satisfazer o desejo que sabe não lhe ser possível ser cumprido, o de ser sepultada junto ao seu marido.
É sem dúvida um trabalho excelente e uma obra de igual modo fantástica.
 

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