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| Exilados |
| Quarta, 17 Março 2010 23:56 | |||
![]() Autor: Manuel Arouca Páginas: 392 Formato: 16 x 23,5 Edição: Fev/2010 Editora: Esfera dos Livros Leia aqui um excerto do livro O brilho dos seus olhos tinha-a marcado para sempre. Cecília era casada com um homem que não amava, era herdeira do império financeiro Mendes Silva que se estendia até Angola e, sabia que a agitação política que se vivia em Portugal, depois da revolução do 25 de Abril de 1974, ameaçava fazer ruir o mundo em que vivia. Manuel Arouca traz-nos a história dos Exilados, dos muitos portugueses que se viram obrigados a abandonar Portugal, com destino ao Brasil, depois de verem nacionalizados os seus negócios, as suas contas bancárias congeladas e as suas casas ocupadas, com a Revolução dos Cravos. Ali encontraram um porto de abrigo, um país novo, com costumes diferentes, onde, do zero, tiveram de reconstruir as suas vidas. Quando desembarcou no Rio de Janeiro Cecília sabia que o futuro dos Mendes Silva estava nas suas mãos. Era ela que teria de recomeçar do nada. Mas entre a tentadora praia de Ipanema, o conhecido restaurante do Copacabana Palace, ou a imagem apaziguadora do Cristo Redentor Cecília não conseguia esquecer a imagem daqueles olhos marcados pela tragédia. Tinha de descobrir José, resgatá-lo da sua dor, estender-lhe a mão e, quem sabe, libertar-se das regras sociais que a estrangulavam, de um marido que a traía e a desrespeitava e aprender, de uma vez por todas, a ser feliz. Autor: Manuel Arouca nasceu em Moçambique a 3 de Janeiro de 1955. Na sua obra televisiva destaca-se a novela Jardins Proibidos pelo facto de ser a primeira novela portuguesa a derrotar, em horário nobre, a prestigiada novela da Globo, alterando drasticamente o panorama da ficção televisiva em Portugal. A sua ambivalência criativa levou-o a escrever também duas séries documentais, ambas de grande sucesso: Eusébio e Mistérios de Fátima. Em 2004 interrompeu a actividade como guionista para se dedicar exclusivamente à escrita de Deixei O Meu Coração Em África, editado em 2005 e hoje já na sua 9.ª edição. Em 2007 regressou à televisão como responsável pelo argumento da novela, emitida pela TVI, Tu e Eu. Em 2008 assina para a SIC, Podia Acabar o Mundo.
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| Actualizado em Sexta, 07 Maio 2010 23:45 |
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| Re:O que estou a ler... wasp 5.2.2012 1:18 |
| Livro - "Dolce Di Love" de Sarah-Kate Lynch paulo 4.2.2012 21:45 |
| Re:As nossas wislists nidia_cardoso 4.2.2012 21:11 |
| Re:Em Nome do Filho Verasopa 4.2.2012 21:03 |
| Re:Troca clarinda 4.2.2012 19:14 |
Comentários
A mentalidade, a cultura e os preconceitos que bloqueavam Cecília, uma mulher portuguesa, à frente do seu tempo e que muito esperou para viver o amor, apesar da determinação e sucesso que obteve nos negócios e na recuperação do grupo empresarial da família.
Foi bom recordar e compreender o que, de um modo simples e bem desenvolvido, o autor transmitiu.
A escrita é fluída, mas rica em detalhes. As personagens bem construídas com carácter, dúvidas, medos e ansiedades, que têm de lutar num mundo em mudança.
Um livro que me prendeu desde a primeira página e que recomendo vivamente.
Fiquei com vontade de ler mais deste autor.
A sua escrita é leve e fluída, mas realista e cativante, fazendo-nos navegar por entre os horrores da descolonização africana, chegando a descrever cenas muito brutais, como a do fim da Vera, os sentimentos dos que tudo tinham de abandonar, as condições que tiveram na saída das colónias e na chegada a Portugal. Fala do amor à terra, da vida que ali existia, desde os mais humildes aos senhores da terra, fala dos locais, do cheiro da terra, da comida, mas também da violência, da brusquidão da tomada e da insegurança que se viveu.
Como se fosse pouco, fala-nos sem pudores do mesmo período em Portugal e dos anos posteriores, de como a sociedade mudou, das tentativas e do sucesso do 25 de Abril de 1974, das implicações que trouxe à política nacional, do ambiente que se viveu e muito se temeu com a tomada de poder pelo comunismo, do surgimento e ascensão do CDS, do PPD, das personalidades que ganharam e perderam com todos estes acontecimentos.
Mas fala-nos principalmente da Cecília, uma jovem mulher de família abastada e com vastas riquezas nas colónias e em Portugal, de como é devastada com a descolonização e se reergue, de como pode um mundo de aparências cair de um momento para o outro, mas como os mais fortes e audazes se reerguem da queda, da afirmação da mulher na sociedade, que se liberta dos condicionalismo s e repressões em que vivia, dos casamentos de conveniência e que se mostram tão ou mais capazes do que o tradicional sexo forte.
Cecília, casada com Diogo, um parasita que vive das aparências e pretende ascender às custas do seu nome e património e que não vai olhar a meios para atingir os seus fins, vive uma vida dura num casamento infeliz, na perda de um filho, na prisão política, no exílio no Brasil e principalmente nas inconstâncias do amor. Cecília, menina rica e de “boas” famílias, apaixona-se por José, o filho dos caseiros da fazenda da família nas colónias, que conhece ao ir ao seu casamento com Vera, filha de trabalhadores da fazenda, mulher de cor, um casamento mal visto entre a sociedade da época, mas bem aceite por Cecília e o seu pai. Mas a vida vai dar muitas voltas e muitas tristezas e alegrias acontecerão.
De África a Portugal, de Portugal ao Brasil e de novo a Portugal, a acção decorre entre Cecília e a sua família, os exilados no Brasil, o seu reerguer ou queda fatal, das suas duas amigas, que a apoiam e desencaminham e de José, o José, o adorável e corajoso José, o seu principio e fim, fala acima de tudo da força do amor e da coragem de, nos momentos mais difíceis e em que tudo se dá por perdido, deitar mãos à obra e não desistir, do poder do amor que tudo vence e nada se lhe opõe.
Sem dúvida, um dos melhores livros que já li de um autor português. Vai directamente para a lista dos melhores livros que li em 2010. Parabéns Manuel, a sua escrita cativou-me e fez-me sonhar!
Falamos das famílias ricas com casa no Estoril, apartamento na Lapa, interesses na banca e em outras áreas de negócio importantes e com um grande peso no panorama social português. Esses mesmos que passaram então a ser apelidados de fascistas e que viram todos seus bens nacionalizados.
Mas falamos também dos seus fiéis funcionários, trabalhadores das ex-colónias que, sem saberem como, também tiveram de fugir daquela terra que aprenderam a amar e a chamar sua.
Ambos se reencontraram no Brasil, terra fértil que para alguns tanto se assemelhava a Angola, mas que para todos se revestia de esperança.
É neste contexto que se insere Cecília, a protagonista principal desta história, uma mulher de força e carácter inabalável, assentes numa educação tradicional, mas ao mesmo tempo revolucionária para aqueles tempos.
A história de amor que serve por base ao livro, torna-se quase como numa lição. Primeiro, que nunca devemos desistir e, segundo, que por vezes temos de pensar bem sobre as nossas prioridades, pois são elas que nos definem como seres humanos e nos fazem crescer.
É um livro muito interessante e bem construído.
Adorei as subtilezas na linguagem… o português com tons diferentes: o quente de África e o ondulante do mar brasileiro.
Muito bom!
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