Fialho Gouveia: Biografia Sentimental

FaceBook  Twitter  

 

 

 

 

Autora: Maria João Fialho Gouveia
Edição: Abr/2013
Páginas: 384 a uma cor + 24 a cores
ISBN: 9789896681869
Editora: Vogais

 

 

Fialho Gouveia era descrito pelos amigos como homem bom, repórter talentoso, benfiquista entusiasta e, acima de tudo, uma referência ética e cívica para todos. Já era uma das vozes mais populares da rádio quando participou na fundação da RTP, em Março de 1957.

Desde logo se tornou uma das caras mais importantes do «pequeno ecrã». Criou e apresentou, com Raul Solnado e Carlos Cruz, o Zip-Zip, o primeiro talk-show português; fez a reportagem em directo do 25 de Abril, numa emissão histórica da RTP; e foi a face e a alma de alguns dos mais conhecidos programas dos anos 80 e 90, como A Visita da Cornélia, A Arca de Noé e Entre Famílias.
A sua filha, Maria João, oferece-nos pela primeira vez um relato íntimo e comovente do conhecido apresentador, em todas as suas facetas — a harmonia familiar e o sucesso popular, mas também as mentiras e as amarguras que lhe roubaram a alegria nos seus últimos dias.
Recheado de fotografias inéditas, Fialho Gouveia: Biografia sentimental é mais do que o retrato de um jornalista e apresentador ímpar: é a história de um período fundamental da vida portuguesa. O prefácio é de Marcelo Rebelo de Sousa.

Primeiros capítulos aqui.

Autora:

Maria João Fialho Gouveia nasceu em 1961, em Lisboa. Cresceu e estudou no Estoril, tendo depois cursado Comunicação Social na Universidade Nova de Lisboa. É ainda diplomada em Inglês pela Universidade de Cambridge.
Começou a sua carreira de jornalista aos 18 anos, conciliando-a depois com o ensino. Escreveu para o Blitz durante 16 anos, foi colaboradora do Se7e e do diário A Capital, integrou a equipa da Antena 1, trabalhou 6 anos em publicidade e foi redactora da revista VIP.
Neta de professora, cedo descobriu o gosto pela leitura e pela escrita. Amante da cultura e da arte, tem agora em curso uma licenciatura em História, que faz por mero prazer. E é com igual amor que se aventura agora na escrita.

Veja aqui o booktrailer:

Comentários  

 
#1 Sebastião Barata 2013-05-26 20:18
Como o nome diz, temos neste livro uma biografia sentimental daquele que foi uma das caras mais carismáticas da nossa TV, desde a abertura da RTP até finais da década de 80 do século passado. Escrita pela sua filha, é necessariamente uma obra carregada de sentimentalismo e admiração por aquele que foi o seu herói de infância. Talvez esse facto tenha levado a autora a carregar mais na faceta cor de rosa e passar por alto o que era mais acinzentado.

Não quero com isto dizer que José Fialho Gouveia não é merecedor da homenagem que este livro representa. Eu que tinha 20 anos quando a TV começou em Portugal e acompanhei a sua carreira de apresentador, produtor e autor de rádio e de TV, confirmo a admiração que todos os portugueses nutriam por ele. Fialho Gouveia foi, na verdade, um ídolo para os portugueses de todas as idades e com total merecimento. É verdade o que se diz no livro que o país parava nas segundas-feiras à noite para ver os talk-shows da RTP do Fialho, Solnado e Carlos Cruz. Ninguém marcava nada para os serões de segunda-feira; até os teatros passaram a fazer desse dia o dia de descanso.
Tudo começou com o Zip-Zip, um programa que foi uma bomba em todos os sentidos. Era entretenimento, divulgação cultural, revelação de novos talentos, palco de apresentação de ricos e pobres, lufada de ar fresco e janela de esperança para um povo que tinha acabado de ver Salazar cair da cadeira e sonhava com uma vida melhor. Com diz a sinopse, outros programas semelhantes lhe sucederam e mantiveram a linha zipiana. A Fialho Gouveia só faltou o feeling para o negócio. Ele era o grande entusiasta, o batalhador que fazia as coisas acontecerem, o elo de ligação entre todos os membros das equipas, mas os benefícios quase nunca foram seus. Restou-lhe, no final, a admiração de um povo e a satisfação de dever cumprido.

Quanto ao livro propriamente dito, está dividido em duas partes. Os seis primeiros capítulos estão organizados de forma cronológica e contam a vida do Zé Fialho, como era tratado nos círculos mais próximos. Confesso que, no 1º capítulo, tive receio de que estivéssemos perante uma monografia com interesse muito restrito: ao ler páginas seguidas a contar quem era pai, filho, tio ou neto de quem, desesperei um pouco. Mas, ultrapassada essa fase, o livro ganhou interesse e a personagem interessante começou a aparecer e diverti-me com o que li.
A segunda série de seis capítulos está organizada por temas, ou centros de interesse, como queiramos chamar-lhe. Foi uma leitura menos interessante, na medida em que fazia lembrar o desfolhar de um ficheiro. Efetivamente, estes capítulos não passam de um repositório de testemunhos de muitas dezenas, talvez centenas de pessoas que se prontificaram a falar sobre o amigo, o colega ou o familiar. Por vezes, não são mais do que uma versão mais desenvolvida de algo que já foi dito nos seis capítulos anteriores, ao jeito de bibliografia ou justificativo. Parece-me que seria mais interessante ter desenvolvido mais a primeira parte, incorporando parte destes textos, e ter saltado do capítulo VI para o XIII. No entanto, embora haja repetições, há muito material novo que me deu gosto ler, para ficar a conhecer mais em pormenor esta figura pela qual já tinha muita admiração.

Do capítulo XIII não vou falar muito. Deixo a apreciação para os outros leitores. Só digo que se chama "E depois do adeus", é uma memória muito íntima, escrita 8 anos após a morte de Zé Fialho, pela sua menina. Gostei da linguagem um pouco para o poético e fez-ma aflorar algumas lagrimazitas...
E por aqui me fico. Leiam. Os mais velhos vão recordar ou reconhecer um dos "senhores televisão" que inauguraram uma nova época em Portugal; os mais novos ganharão a referência a um bom cidadão, um português que a história não pode deixar no esquecimento.
 

Tem de iniciar sessão para submeter o seu comentário.

Últimas Opiniões

  • Crash
    Depois de ter lido "Arranha-Céus" de J. G. Ballard, um romance que me deixou a pensar seriamente nos ...
  • 10.07.2019 22:32
  • Amantes de Buenos Aires
    Amantes de Buenos Aires, o novo romance de Alberto S. Santos, baseia-se numa história real e segue a ...
  • 08.07.2019 16:24
  • 25 de Abril, Corte e Costura
    Este livro é exatamente o que eu esperava dele: uma sucessão de quadros em que se ridiculariza a ...
  • 28.04.2019 21:03

Últimos Tópicos

Uma Pequena Palavra...

"Com os livros aprenderia sempre, porque as pessoas, as pessoas de prestígio, punham o melhor de si próprias em livros. Os livros eram uma destilação das pessoas."
Pearl S. Buck, in A Eterna Demanda