Gente Feliz com Lágrimas

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Autor: João de Melo
Edição: Nov/2013 (23ª Edição)
Páginas: 480
ISBN: 9789722053495
Editora: Dom Quixote

 

 


Romance de uma família que se desfaz e refaz pelas paragens onde a levam os bons e maus augúrios que motivam a sua dispersão, Gente Feliz com Lágrimas é uma saga que irresistivelmente arrasta o leitor ao longo de cinco mundos, vividos e pensados através da obsessiva busca da felicidade que move os seus protagonistas.

Concebida polifonicamente como a descrição dos vários modos de viver a amargura que medeia entre o abandono da terra e o retorno ao domínio do que é familiar, esta peregrinação possível em tempos de escassez de aventura é a definitiva lição de que o regresso se não limita a perfazer o círculo e constitui uma visão fascinante do Portugal que todos, de uma maneira ou de outra, conhecemos.
Gente Feliz com Lágrimas, o romance de João de Melo distinguido com cinco importantes prémios literários, foi adaptado a televisão para a RTP, numa série de cinco episódios dirigida por José Medeiros, e ao teatro por João Brites, para o grupo "O Bando".

Esta edição comemora os 25 anos da 1ª edição em 1988.

Autor:

João de Melo nasceu nos Açores, em 1949, e fez os seus estudos no continente. Licenciou-se em Filologia Românica pela Faculdade de Letras de Lisboa e foi professor dos ensinos secundário e superior. Entre 2001 e 2010, desempenhou o cargo de conselheiro cultural na embaixada de Portugal em Madrid.
Autor de vinte livros já publicados (ensaio, antologia, poesia, romance e conto), algumas das suas obras de ficção valeram-lhe vários prémios literários, nacionais e estrangeiros, e foram adaptadas para teatro e televisão, estando traduzidas em cerca de uma dezena de países (Espanha, França, Itália, Holanda, Roménia, Bulgária, Alemanha, Estados Unidos, México e Croácia).
O romance Gente Feliz com Lágrimas recebeu os maiores galardões e continua a ser uma referência na sua carreira literária. Lugar Caído no Crepúsculo (2014) marcou o seu regresso ao romance após um longo interregno.

Comentários  

 
#1 Sebastião Barata 2014-02-13 23:30
Esta é a saga de uma família típica do País profundo, no espaço temporal entre a década de 50 e a de 80 do último século. É uma família dos Açores, mas podia ser de qualquer outro lugar. A história apresenta-nos uma família com 9 filhos, cujo pai era o "mais severo, avaro e ruim homem do Rozário" (pág. 42). Esta afirmação não significa que fosse uma pessoa assim tão má. Era, simplesmente, um produto da sociedade rural da época, tanto nas Ilhas como no Continente. O sonho de cada pai era poupar o máximo para conseguir comprar terras e tornar-se um proprietário abastado. Para tal, vivia-se miseravelmente comendo o que a terra desse, tinha-se o maior número possível de filhos que eram escravizados, como mão de obra gratuita, com o pretexto de criarem o seu futuro e virem um dia a herdar.
Mas o destino trocou-lhe as voltas e todos esses filhos partiram um dia. Cada um viveu uma vida triste, acabando quase todos por emigrar para o Canadá. Partiram felizes à procura de uma vida melhor, mas com as lágrimas de deixar a ilha que os viu nascer. Os pais acabaram por lhes seguir os passos e morrer naquele país que todos adotaram como o seu.
A exceção foi Nuno, cuja saga o levou a rumar a Lisboa aos 11 anos para frequentar o seminário. Não chegou a ser padre, enveredou pelos caminhos da subversão e viveu intensamente a revolução do 25 de abril. Casou e, desiludido da política, tirou um curso superior, foi professor e acabou por ser um escritor aplaudido e dedicar-se exclusivamente à escrita. Vítima do seu próprio êxito, perdeu a família e regressou à sua ilha natal, em busca das suas raízes. Mas o que encontrou já nada tinha a ver com o que deixou em criança.

O autor conseguiu dar-nos um retrato colorido e muito real de uma sociedade que foi também a sua e a minha, porque sou pouco mais velho do que ele. Tal como Nuno, também eu nasci numa família do interior dedicada à agricultura e pecuária há várias gerações. Também na minha família se tinha um elevado número de filhos; poucos frequentavam a escola, especialmente as meninas; todos trabalhavam no campo, consoante as forças permitiam. Comia-se o que a terra dava; matava-se um ou dois porcos pelo Natal cuja carne tinha de durar todo o ano. Queijos, lã, borregos, cereais, etc. eram para vender, com vista a juntar dinheiro para comprar terras. Senti-me retratado neste relato, até porque também eu fui para longe aos 11 anos para frequentar um seminário, não cheguei a ser padre e vivi a maior parte da vida longe de uma família na qual também já não me conseguiria reintegrar, mas sentindo-me desenraizado na grande cidade.

Aconselho a leitura deste livro não só aos mais velhos como eu, mas especialmente aos mais jovens que não viveram no pós-2ª guerra mundial, quando o povo vivia na miséria, não sofreram um regime autocrático como o de Salazar, não foram exportados para as ex-colónias para servir interesses que não eram os seus, ou tiveram de emigrar para fugir ao triste destino de morrer numa guerra injusta, mas sendo forçados a viver em situações, por vezes, igualmente degradantes.
 

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"Quase todos os homens vivem inconscientemente no tédio. O tédio é o fundo da vida, foi o tédio que inventou os jogos, as distracções, os romances e o amor."
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