Henrique, O Infante

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Autor: João Paulo Oliveira e Costa
Edição: Jun/2013
Páginas: 440 páginas + 20 extratextos
ISBN: 9789896264857
Editora: Esfera dos Livros

 

 

Poucas figuras históricas marcaram tão profundamente a existência de Portugal na sua configuração e na sua relação com o mundo e de forma tão radical e transformadora como o infante D. Henrique.
Esta original biografia procura fugir às polémicas ideológicas que marcaram muitos dos estudos sobre o infante, dando a conhecer um impressionante percurso biográfico que mostra o carácter complexo de uma personalidade com as suas luzes e as suas sombras. Um retrato completo deste homem egocêntrico, implacável, obstinado, com muitas falhas e facetas imperscrutáveis no seu carácter, mas que foi também um visionário do seu tempo.

Despojado do mito, D. Henrique não é apenas o Navegador, mas é antes um príncipe preocupado com o seu senhorio e com a sua influência política; um cortesão que sabia influenciar e enlear as demais figuras da corte, através de uma simpatia que o colocou sempre acima das divergências que dividiam os membros da família real; um guerreiro que desejava ardentemente participar na guerra santa; que se cobriu de glória em Ceuta mas que enfrentou o desastre em Tânger.
Acompanhar a vida de D. Henrique permite-nos observar o país no momento extraordinário da sua refundação – o pequeno e periférico reino peninsular que se tornou numa potência marítima. E ele, D. Henrique, o duque de Viseu, senhor da Covilhã, governador da Ordem de Cristo, senhor dos arquipélagos da Madeira e dos Açores e do barlavento algarvio, mas também o detentor do monopólio das saboarias, da pesca do atum, da produção do pastel ou da pesca do coral, príncipe cioso de todos estes domínios foi o agente decisivo na evolução política do reino. Um homem que, afinal, ficaria famoso por ter provocado um movimento novo e transformador da Humanidade, os Descobrimentos.

Autor:

João Paulo Oliveira e Costa nasceu em Lisboa a 1 de abril de 1962. É professor catedrático de História da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa desde 2009. É diretor do Centro de História d'Aquém e d'Além-Mar (CHAM) e tem uma vasta obra historiográfica em que se destacam as obras O Japão e o Cristianismo no Século XVI. Ensaios de História Luso-Nipónica (1999), D. Manuel I, um Príncipe do Renascimento (2005), Henrique, o Infante (2009), Mare Nostrum - Em Busca de Honra e Riqueza (2013) e História da Expansão e do Império Português (coordenador e coautor, 2014). Foi presidente da Associação de Amizade Portugal-Japão (2000-2005), tendo sido recentemente condecorado pelo Imperador do Japão com a Ordem do Sol Nascente. É autor dos romances O Império dos Pardais (2008), O Fio do Tempo (2010), O Cavaleiro de Olivença (2012), O Samurai Negro (2016) e Xogum – O Senhor do Japão (2018).

Comentários  

 
#1 Sebastião Barata 2010-03-23 17:07
Neste livro apoiado nas fontes da época, vemos um Infante D. Henrique diferente daquele que o mito construiu: um homem que passou a vida na ponta de Sagres a olhar para o mar, à espera das caravelas. Com surpresa pude constatar, ao ler este livro, que D. Henrique foi um poderoso senhor feudal daquele fim de Idade Média, que tudo fez para dilatar os seus domínios e fazer crescer a sua riqueza. Além disso, foi o grande factor de aglutinação da família real, naqueles conturbados tempos do início da 2ª Dinastia, com guerras contra os países vizinhos e guerras dentro da própria família. Como profundo crente e Grão-Mestre da Ordem de Cristo, a continuadora da Ordem dos Templários em Portugal, foi o grande impulsionador da cruzada contra os muçulmanos, que levaram às guerras no norte de África e aos descobrimentos marítimos. Parece provado que a principal motivação para a gesta marítima do Infante foi a busca de caminhos para contornar África, com o fim de atacar os infiéis pela retaguarda e contactar os cristãos que se dizia haver por lá, com o intuito de se unirem no ataque ao inimigo comum. D. Henrique foi um homem de grande visão estratégica e muito avançado em relação ao seu tempo. Basta dizer que conseguiu para si o monopólio de diversas indústrias, actividade desprezada pela generalidade da nobreza, que a considerava indigna da sua condição.
E fico-me por aqui. Não é necessário dizer mais para encarecer o valor desta obra, uma biografia do Infante D. Henrique de rigoroso cunho histórico, tanto quanto o permitem as escassas fontes da época. Neste livro, o autor mostra-nos um dos maiores portugueses de todos os tempos, cujos feitos lhe mereceram ficar na história como o Navegador, mas que foi muito mais do que isso.
 

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