História da Vida Privada em Portugal

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Autor: vários
Direcção: José Mattoso
Edição: 2010 (2ª Edição - 2011)
Páginas: cerca de 500 (por volume)
Editora: Círculo de Leitores/Temas e Debates

Trata-se de uma obra que procura lançar luz sobre a vida que decorre para além das vidas públicas das pessoas, dentro de portas, na sala, à mesa, no quarto, na cama, nos afectos. E isto em toda a sociedade, ao longo da história de Portugal.
A maioria das obras sobre história em Portugal fala-nos de política, de reis, de presidentes, de economia, de arte, de alterações na sociedade...
Assim, a falta, até hoje, de uma história inteiramente dedicada à vida privada em Portugal tem sido possivelmente a maior lacuna da historiografia portuguesa recente porque:

• A história privada fala-nos da vida das pessoas e não apenas da "vida" do país.
• Porque a vida privada constitui uma matéria fundamental para a compreensão do passado humano.
• Só uma figura com a relevância, a experiência e a autoridade científica do Prof. José Mattoso poderia chamar a si os melhores colaboradores para levarem a cabo uma tarefa com a envergadura e o significado deste projecto.
• Se trata de um trabalho feito de raiz, para o qual não há praticamente estudos antecedentes. Parte-se quase do zero neste domínio em Portugal.
• Só o historiador mais experiente entra no domínio do privado, estudando tudo aquilo que não é dito, que não é escrito, ou que fica nas entrelinhas dos documentos históricos.
• Porque é na história da vida privada que mais nos identificamos e mais reconhecemos as nossas características culturais enquanto povo português.

Para além de se tratar de um tema inovador no nosso país, esta obra analisa as características da vida íntima e privada das diversas camadas sociais, dos membros da corte ao clero, ao povo.

Ao longo das suas páginas vamos descobrindo, por exemplo:

• como eram os espaços de habitação e de que modo se organizavam?
• o que se comia em cada época e o que comia cada classe social?
• de que modo se cozinhava, e com que utensílios, e quanto se cozinhava?
• como se caracterizava a vida familiar?
• quais os princípios que regeram a educação até hoje?
• como era o relacionamento de pais com filhos e vice-versa; como seriam entre as classes mais abastadas e os mais desfavorecidos?
• como se foi modificando a higiene ao longo dos tempos no nosso país?
• de que modo foi encarada ao longo do tempo a sexualidade e as sexualidades (adultério, bigamia, homossexualidade, etc.)?
• o que marcava a fé e a relação de cada pessoa com a religião e com o Além?
• que relação tinham com o seu corpo, com a saúde, com a doença?
• que vícios minaram as famílias e a sociedade das gerações que nos precederam?
• quem foi considerado marginal e como foram eles vistos ao longo dos tempos?

Esta obra constitui um contributo fundamental para o historiador pintar um retrato do nosso país, mas proporciona também ao leitor comum o prazer de ver desfilar curiosidades, hábitos próximos ou distantes no tempo, semelhantes ou diferentes dos nossos, intimidades, segredos e modos de ver o mundo. No fundo, usando a expressão de José Mattoso, oferece a possibilidade «de espreitar o passado "pelo buraco da fechadura"».

4 Volumes:
A Idade Média – Coordenação de Bernardo Vasconcelos e Sousa
A Idade Moderna - Coordenação de Nuno Gonçalves Monteiro
A Época Contemporânea – Coordenação de Irene Vaquinhas
Os Nossos Dias – Coordenação de Ana Nunes de Almeida

Mais informação em http://historiadavidaprivadaemportugal.blogspot.com/

Autor:
José Mattoso nasceu em Leiria, em 1933. Doutorou-se na Universidade de Lovaina (Bélgica). Professor da Faculdade de Letras de Lisboa e da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde ascendeu à categoria de professor catedrático em 1979. Foi presidente do Instituto Português de Arquivos e director do Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo. Entre várias obras que publicou, foi director da História de Portugal, em oito volumes. Recebeu o Prémio Pessoa (1987) e foi distinguido em 2007 com o Prémio da Latinidade.

Comentários  

 
#1 Sebastião Barata 2011-06-22 22:12
O volume que tive oportunidade de ler foi o 4º: Os Nossos Dias. Deu para ver a estrutura da obra, seus objectivos e alcance.
Na verdade, esta é uma história de Portugal diferente, porque dá realce à vida privada da população, em vez dos feitos que marcaram cada época. Mostra como as pessoas trabalhavam, como eram as suas habitações, como estava organizada a família ou que importância era dada aos aspectos culturais.
No caso concreto deste volume, está estruturado em três partes, que poderíamos denominar: a vida dentro de casa; a vida fora de casa; a vida em sociedade. Na primeira parte, desenvolvem-se temas como as habitações, a vida em família e a sexualidade; na segunda parte, fala-se do tratamento dado às crianças, dos níveis de escolaridade, da evolução do conceito de juventude e dos direitos sobre o próprio corpo; na terceira parte, trata-se a evolução do papel da religião, das novas formas de entretenimento e das políticas sobre a família.
Todos estes conceitos são analisados à luz da evolução da situação política, desde o pós-guerra 2ª Guerra Mundial até à actualidade, nomeadamente o efeito de quebra com o passado trazida pela revolução do 25 de Abril de 1974.
Esta obra vem mostrar que, muitas vezes, não são os grandes vultos que fazem a história, mas o conjunto dos cidadãos anónimos, com a evolução dos usos e costumes, da tecnologia e da reacção aos grandes acontecimentos.
Muito interessante e fácil de ler e compreender, pela profusão de fotografias, gravuras, gráficos e outros meios de concretização, é uma obra aconselhável a todos os que queiram ficar com uma visão mais abrangente da história do nosso País.
 

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