Hugo Chávez, o colapso da Venezuela

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Autor: Leonardo Coutinho
Género: História contemporânea
Edição: Jun/2019
Páginas: 264
ISBN: 9789897400681
Editora: Ideias de Ler

 

 

 

Como o presidente venezuelano alimentou o tráfico de droga, financiou o terrorismo e continua a assombrar o país e o mundo.
O que levou um país rico, dono das maiores reservas de petróleo do planeta, ao colapso financeiro e institucional?
A crise na Venezuela é apenas a face mais evidente de uma rede de organizações políticas e criminosas criadas ou alimentadas por Hugo Chávez como parte do seu sonho de desenhar uma nova ordem mundial.

Neste livro, o jornalista Leonardo Coutinho revela – com base em milhares de páginas de documentos, muitos deles secretos, e mais de uma centena de entrevistas em dez países – como as ações de Hugo Chávez deixaram marcas em todo o mundo, desde a explosão da violência na América Central e no México até ao financiamento de organizações terroristas como o Estado Islâmico.
Chávez quis mudar o mundo e conseguiu: deixou-o muito pior do que quando o encontrou.

Autor:

Leonardo Coutinho é um jornalista brasileiro com mais vinte anos de experiência. Publicou diversas reportagens sobre tráfico de drogas, extremistas islâmicos no Brasil e uma série de investigações com repercussão internacional sobre organizações criminosas e as ligações políticas com os países da região. Entre elas estão a revelação da reincidência do cancro de Chávez, a prisão dos sobrinhos de Nicolás Maduro por tráfico de cocaína e a conspiração entre a Venezuela, o Irão e a Argentina para contrabandear segredos nucleares. O seu trabalho provocou debates no Congresso dos Estados Unidos e em quase todos os países da América do Sul.

Comentários  

 
#1 Sebastião Barata 2019-09-02 14:09
Gosto de estar bem informado e não fazer juízos sem conhecimento de causa. O governo da Venezuela tem sido fortemente apoiado por alguns partidos e pessoas em Portugal, enquanto é denunciado com a mesma veemência por outros. Por isso, não podia deixar de ler este livro. Sei que, em política, o que governos e oposições dizem e fazem são bons ou maus, consoante a ideologia e os interesses de cada um, e é muito difícil chegar à verdade. Mas, no caso da Venezuela, as posições são de tal modo opostas, que é impossível que todos tenham alguma parte da razão. Um exemplo: todos sabemos que se passa fome na Venezuela. As imagens que nos chegam mostram as prateleiras vazias nas lojas; são aos milhares as pessoas que fogem do país todos os dias; os familiares dos nossos emigrantes enviam-lhes alimentos e medicamentos sempre que podem. Nicolás Maduro e os seus apoiantes dizem que é culpa do embargo dos americanos; os adversários dizem que é o resultado da política do governo de nacionalizações e expropriações que deixou os campos ao abandono.

Mas voltemos ao livro. O autor é um jornalista brasileiro que há muitos anos se tem dedicado ao estudo da política nos países da América e se apoia em milhares de documentos, entrevistas e testemunhos de fontes bem colocadas. O seu grande objetivo neste livro é mostrar como Hugo Chávez levou a Venezuela ao colapso total, tanto no aspeto económico como social e político. Centra-se fundamentalment e em quatro aspetos: o apoio ao terrorismo islâmico e à nuclearização do Irão; a exportação da revolução para a América Latina e não só; o fomento do narcotráfico como arma; a utilização do terror como método para se eternizar no poder.

O livro começa com uma introdução, onde o autor mostra como Hugo Chávez foi vítima de violência na sua infância e isso formatou a sua personalidade; como foi liderado pelo seu irmão mais velho, única pessoa que o defendia da violência doméstica e lhe passou a ideologia comunista; como projetou no povo venezuelano toda a sua frustração e raiva, acreditando que todo o mal era fruto do capitalismo e da exploração pelos Estados Unidos. "Chávez foi buscar aos infortúnios dos heróis nacionais, principalmente a Simão Bolívar, as correspondência s que fizessem a sua história pessoal fundir-se com a dos seus ídolos" (Pág. 17). Acreditou ter a missão de se tornar o salvador do seu país, pois só assim a sua vida teria sentido. Depois de atingir o poder pela via democrática, foi-se gradualmente agarrando ao poder e tornando num ditador, acreditando sempre que estava a cumprir a sua missão e a defender o povo venezuelano dos imperialistas. Também gradualmente foi-se convencendo de que a sua missão ultrapassava as fronteiras da Venezuela e começou a espalhar a ideia da construção do "Socialismo do Século XXI", do qual seria o grande líder.

Com este objetivo, cometeu os maiores erros, a começar por esbanjar os elevadíssimos rendimentos do petróleo, de que a Venezuela era o maior produtor mundial, no apoio a movimentos de guerrilha, a financiamento de campanhas eleitorais em países como o Brasil, a Bolívia, a Argentina, o Perú, etc.. Deu cobertura às pretensões dos Ayatolas do Irão de se apoderarem de segredos nucleares da Argentina; deixou-se enredar nas malhas do terrorismo islâmico, utilizando passaportes, empresas e aviões venezuelanos para introduzir terroristas islâmicos na América e apoiando grupos ligados ao Estado Islâmico para fazerem atentados na Europa. Deixou a Venezuela ser dominada por Cuba e os seus interesses, trocando médicos, professores, espiões e outros especialistas por petróleo, num esquema tal que, a certo ponto, Cuba já não conseguia gastar todo o petróleo, sendo a Venezuela a vender o excedente e entregar-lhe o produto da venda. Acreditou que, não podendo vencer militarmente os países inimigos, os iria vencer destruindo a sua juventude através da inundação com drogas. Tornou a Venezuela num "narco-estado", intermediando o comércio de cocaína produzida pelas FARC e pelos cartéis da droga com diversos movimentos terroristas de todo o mundo, que a usavam como forma de conseguir fundos para as suas atividades, cumprindo ainda o objetivo de inundar os Estados Unidos e a Europa de droga.

Infelizmente para ele, Hugo Chávez foi traído pelo cancro e não pôde levar o seu projeto até ao fim. Nos últimos capítulos, vemos como Nicolás Maduro que lhe sucedeu e os seus colaboradores continuaram as suas atividades criminosas, não já pela ideologia, mas especialmente pelos seus interesses pessoais. Maduro e a sua família, assim como generais, ministros e outras personalidades importantes do regime continuam a beneficiar dos proveitos das atividades criminosas e a explorar o povo em seu próprio proveito. A operação "Lava-Jacto" tem contribuído para desmascarar tais atividades e mostrar como a Venezuela estendeu os seus tentáculos por toda a América Latina e se serviu de empresas como a brasileira Odebrecht para levar os seus planos avante. Cito: "A Operação Lava-Jacto, que desmantelou a maior rede de corrupção de todos os tempos, também revelou a estreita relação desses crimes com os países sob a influência do bolivarianismo. Os executivos da Odebrecht mantinham uma contabilidade paralela de mais de 3,3 mil milhões de dólares, que encheu sacos azuis de campanhas, contas clandestinas de corruptos e lavou verdadeiras fortunas roubadas dos cofres públicos em pelo menos 12 países (Angola, Argentina, Brasil, Colômbia, República Dominicana, Equador, Guatemala, México, Moçambique, Panamá, Peru e Venezuela)" - Pág. 184.

Termino com a citação das últimas palavras do livro, aliás também transcritas na contracapa: "As feridas abertas na América Latina serão de difícil recuperação. Mesmo no dia em que essas feridas cicatrizarem, deixarão sequelas. Chávez quis mudar o mundo e conseguiu: deixou-o muito pior do que quando o encontrou."

Um livro cuja leitura aconselho a quantos queiram informar-se sobre a verdade do que se tem passado na Venezuela desde 1999, quando Hugo Chávez chegou ao poder. Poderá argumentar-se que é a verdade de uma das partes, mas o certo é que é feita por um jornalista credenciado, se apoia em documentos e testemunhos insuspeitos e confere com o que afirmam as pessoas que fogem da Venezuela, seja por medo de serem perseguidas e mortas, seja simplesmente por não terem condições de vida no país. É o caso de muitos ex-emigrantes portugueses e das notícias que vão recebendo os familiares dos que ainda lá continuam, com a esperança de que, um dia, a situação mude.
 

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