Isabel de Aragão - Entre o Céu e o Inferno

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Autora: Isabel Stilwell
Género: Romance Histórico
Edição: Abr/2017
Páginas: 544
ISBN: 9789898818867
Editora: Manuscrito

 

 


A rainha que Portugal imortalizou como Rainha Santa

Nasceu envolta no saco sagrado, a 11 de fevereiro de 1270, em Saragoça. Intocável. Protegida. Com poucos dias de vida o avô, Jaime I, levou-a consigo para Barcelona, no meio de uma tempestade. Cresceu a ouvir histórias de grandes conquistas, de reinos divididos por lutas sangrentas entre pais e filhos e entre irmãos. A história de Caim e Abel. Uma história que se repetiu ao longo da sua vida…

Aos 12 anos casou com D. Dinis, rei de Portugal, e junto dele governou durante 44 anos. Praticou o bem, visitou gafarias, tocou em leprosos e lavou-lhes os pés, gastou a sua fortuna pessoal a ajudar os que mais precisavam e mandou construir o mosteiro de Santa Clara, em Coimbra. Da sua lenda fazem parte milagres, curas e feitos. Mas a melhor rosa de Aragão, que herdou o nome da Santa Isabel da Hungria, era boa para ser rei, como dizia muitas vezes o marido.
Junto dos seus embaixadores e espiões, com a ajuda da sua sempre fiel Vataça, jogou de forma astuta no tabuleiro do poder. Planeou e intrigou. Mas a história teimava em repetir-se. Caim e Abel. Pai contra filho, o seu único filho varão contra os meios-irmãos bastardos.
Morreu aos 66 anos, depois de uma penosa viagem de dezenas de léguas de Coimbra a Estremoz, montada numa mula, para evitar mais um conflito entre Portugal e Castela. Sempre acreditou que a película em que nascera a protegeria de tudo, mas nos últimos tempos de vida sentia-se frágil e vulnerável. E duvidava. Onde falhara como mulher e mãe?

Desta autora no Segredo dos Livros:
Filipa de Lencastre A rainha que mudou Portugal
D. Maria II - Tudo Por Um Reino
Catarina de Bragança
D. Amélia

Autora:

Isabel Stilwell é jornalista e escritora. Desde o Diário de Notícias, onde começou aos 21 anos, que contribui de forma essencial para o jornalismo português. Fundou e dirigiu a revista Pais & Filhos, foi diretora da revista Notícias Magazine durante 13 anos e diretora do jornal Destak até ao final do ano de 2012, entre muitos outros projetos. Hoje escreve para a revista Máxima e continua a colaborar mensalmente com a revista Pais e Filhos, e quando não está a escrever, vira diariamente os “Dias do Avesso” em conversa com Eduardo Sá, na Antena 1. Paralelamente à sua atividade jornalística, escreveu vários livros de ficção, contos e histórias para crianças, mas a sua grande paixão por romances históricos revelou-se em 2007, com o bestseller Filipa de Lencastre, a que se seguiram Catarina de Bragança e D. Amélia, com crescente sucesso. Em abril de 2012, foi a vez de D. Maria II, que mereceu uma edição especial para o mercado brasileiro. Em outubro de 2013 lança um novo romance histórico intitulado Ínclita Geração, sobre a vida de Isabel de Borgonha, filha de D. Filipa de Lencastre, e em maio de 2015 publica o seu mais recente livro sobre a mãe do nosso primeiro rei, D. Teresa. Em julho de 2015 viu traduzido para inglês o seu primeiro romance histórico, Philippa of Lancaster – English Princess, Queen of Portugal.
Com mais de 200 mil exemplares vendidos, Isabel Stilwell é a autora de romances históricos mais lida em Portugal.

Veja aqui o booktrailer:

Comentários  

 
#1 Sebastião Barata 2017-05-10 13:41
Isabel Stilwell, a autora que escreve romances históricos sobre rainhas portuguesas, sempre com muito sucesso, apresenta-nos agora a vida daquela que ficou conhecida na história como a Rainha Santa Isabel, esposa do rei D. Dinis, fundadora do Mosteiro de Santa Clara em Coimbra, onde está sepultada. O seu túmulo continua a ser muito visitado e a marcar o ritmo da cidade dos estudantes, ao ponto de ser Feriado Municipal o dia da sua festa, a 4 de julho. Dizem os responsáveis da Confraria que zela pelo seu túmulo, que o corpo está incorrupto e a sua mão direita é exposta à veneração pública em ocasiões especiais. A última foi no ano passado (2016), ano em que se celebraram 500 anos da sua beatificação.

Mas voltemos ao livro. A autora procura ir além do mito e mostrar-nos uma Rainha Isabel que dedicou uma grande parte do seu tempo a fazer o bem e a ajudar os pobres e os doentes, mas foi uma mulher que viveu num tempo conturbado, sofreu muito com problemas familiares e foi uma estratega que usou a sua influência nas cortes da época para evitar ou alterar o curso de guerras, decidir casamentos reais e fazer alianças entre Estados. Por regra, as suas intervenções foram no sentido de evitar conflitos e promover a paz. Foi capaz de manter a sua dignidade ao lado de um Rei que exerceu um importante papel na consolidação das fronteiras, no desenvolvimento agrícola e comercial de Portugal e no fomento da cultura nacional, adotando o Português como língua oficial e fundando a primeira universidade portuguesa, mas foi também um poeta e trovador que se apaixonava facilmente pelas damas a quem dedicava trovas e deixou muitos filhos bastardos.

Se ser esposa de um Rei como D. Dinis não foi fácil, outros acontecimentos tornaram a vida de D. Isabel de Aragão num inferno. São conhecidas da História situações como aquela em que as tropas do Rei se enfrentaram com as do filho, o futuro D. Afonso IV, e só a intervenção da Rainha conseguiu evitar o confronto entre pai e filho. Outra intervenção semelhante foi a que opôs Afonso XI de Castelo a Afonso IV de Portugal, simultaneamente seu tio e sogro, e que motivou a deslocação de D. Isabel a Estremoz, já idosa e doente, onde acabou por falecer, na tentativa de evitar a guerra entre os dois.

Fica clara a razão da autora lhe ter chamado a Rainha que viveu "entre o Céu e o Inferno": procurando fazer uma vida dedicada aos mais necessitados, viu-se frequentemente envolvida em guerras fratricidas, que ela comparava a Caim e Abel, os dois irmãos bíblicos que se enfrentaram numa luta de morte.

A autora apresentou-nos uma versão da Rainha a que o povo chamava santa, mas pondo a tónica na mulher que soube ser filha, neta, esposa, mãe e avó, procurando harmonizar os desavindos e proteger os direitos das crianças e dos deserdados. Atribui os seus pretensos milagres aos seus conhecimentos de medicina que aprendeu em criança com um famoso físico da época e procura desmistificar o que não é real, mas foi construído pelo povo, antes e depois da sua morte. Achei interessante a forma como deu a volta ao conhecido "milagre das rosas". Soube construir uma história muito credível e próxima da realidade histórica, numa época conturbada da Península Ibérica, onda ainda havia reinos muçulmanos e as fronteiras dos reinos cristãos não estavam consolidadas.

As personagens históricas estão muito bem retratadas e foram rodeadas de personagens ficcionadas muito bem construídas que ajudaram a enquadrar os acontecimentos e tornar mais credíveis certos acontecimentos que são menos claros nos escritos que nos chegaram da época. Uma personagem fulcral é a de Vataça Láscaris que, embora histórica, é aqui muito romanceada e reconstruída, segundo o andamento da trama romanesca.

Um pormenor que me chamou a atenção é que o livro não apresenta nenhuma cena de guerra. Com frequência, a autora leva-nos até ao campo de batalha, ou descreve os acontecimentos que a ela conduziram, mas dá um salto no tempo e faz-nos aterrar no cenário do pós-conflito, escalpelizando as suas consequências. Não sei qual a intenção desta forma de escrever. Será que se prende com o facto de querer mostrar uma rainha que se opôs sistematicament e à guerra? Note-se que não só não assistimos aos combates, como não temos noção do número de mortos que envolveram. A tónica é sempre posta nas consequências para os Reis e nobres envolvidos no conflito, esquecendo completamente os servos que lutavam ao seu lado. Inclusivamente, os pobres que a Rainha assistia eram vítimas de epidemias e doenças, nunca de guerras. Por vezes, havia órfãos e viúvas, mas sem apresentar a guerra como motivo para essa situação. Era uma questão que gostava de apresentar à autora...

Em resumo, é um romance histórico que segue os acontecimentos históricos com fidelidade aos factos conhecidos e que, a exemplo dos livros anteriores da autora, nos ajuda a conhecer melhor a nossa História milenar como Nação independente, através das vidas das nossas rainhas.
 

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