Jornada de África

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Autor: Manuel Alegre
Género: Romance
Edição: Mai/017
Páginas: 200
ISBN: 9789722062688
Editora: Dom Quixote

 

 


«Jornada de África é um romance que foge aos esquemas habituais para entrelaçar epopeia e anti-epopeia, denúncia e crónica de uma guerra cruel, crónica minuciosa mas poética na intertextualidade a que o autor recorre para transmitir a sua vivência, voz de juventude sufocada que, apesar de tudo, consegue amar. E o amor por Bárbara, profundo e difícil, oferece-nos uma das mais belas cartas de amor que me recordo de ter lido.» Maria Luisa Cusati, prefácio à edição italiana

E Sebastião aspira o ar carregado do cheiro da guerra de África, um cheiro que está no jipe onde se senta ao lado do Condutor, levando, sem querer, a mão ao pescoço. Vem de S. Salvador e Sanza Pombo, de Zala e Nambuangongo, está na farda amarrotada e também dentro dele e é talvez o mesmo cheiro de 4 de Agosto de 1578, quando se chegou à tenda d’el-rei o capitão Aldana, e com eficazes brados lhe dizia que se perdia se não desse logo batalha, que começou às dez da manhã, no princípio de todo o fervor de calma.

Deste autor no Segredo dos Livros:
O Canto e as Armas

Autor:

Manuel Alegre nasceu em Águeda em 1936 e estudou Direito na Universidade de Coimbra, onde participou ativamente nas lutas académicas. Obrigado a prestar serviço militar, foi mobilizado para Angola, onde participou na primeira tentativa de rebelião contra a guerra colonial. Preso pela PIDE em Luanda durante 6 meses, foi recambiado para a Metrópole, com residência fixa em Coimbra. Seguiu-se o exílio em Argel, onde foi membro diretivo da F.P.L.N. e locutor da rádio Voz da Liberdade. A sua atividade política andou sempre a par da atividade literária e alguns dos seus poemas transformaram-se em hinos de combate ao fascismo, cantados por Adriano Correia de Oliveira ou Manuel Freire. Os seus dois primeiros livros, "Praça da Canção" (1965) e "O Canto e as Armas" (1967), foram apreendidos pela censura, mas passavam de mão em mão em cópias clandestinas, manuscritas ou dactilografadas. Regressado do exílio em 1974, entrou para o Partido Socialista. Foi deputado da Assembleia da República até 2009, foi membro do Governo e tem um lugar no Conselho de Estado. Funcionou muitas vezes como uma espécie de consciência crítica do seu partido, nomeadamente quando concorreu à Presidência da República contra Mário Soares.
Recebeu inúmeros prémios e condecoração nacionais e estrangeiras, destacando-se o Prémio da Crítica do Centro Português da Associação Internacional de Críticos Literários pelo conjunto da sua obra e o Prémio Pessoa 1999. Foi eleito sócio efetivo da Academia das Ciências de Lisboa em 15 de novembro de 2016.
A sua obra poética foi reunida no volume "Trinta Anos de Poesia" (1997). Escreveu também prosa em livros como "Jornada de África" (1989), "Alma" (1995), "A Terceira Rosa" (1998) ou "Cão Como Nós" (2002). Fez uma incursão na literatura infantil, com obras como "Uma Estrela Como Nós" (2005), "Barbi-Ruivo" (2007) ou "As Naus de Verde Pinho" (2014).
Entre as suas obras mais recentes, destaca-se o livro "Senhora das Tempestades" que vendeu 14.000 exemplares só no primeiro mês, o "Livro do Português Errante" e "Cão como nós", que já vai na 20ª edição. A sua obra está editada em diversas línguas, nomeadamente italiano, espanhol, alemão, catalão, francês, romeno e russo.

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Uma Pequena Palavra...

"Algumas obras morrem porque nada valem; estas, por morrerem logo, são natimortas. Outras têm o dia breve que lhes confere a sua expressão de um estado de espírito passageiro ou de uma moda da sociedade; morrem na infância. Outras, de maior escopo, coexistem com uma época inteira do país, em cuja língua foram escritas, e, passada essa época, elas também passam; morrem na puberdade da fama e não alcançam mais do que a adolescência na vida perene da glória. Outras ainda, como exprimem coisas fundamentais da mentalidade do seu país, ou da civilização, a que ele pertence, duram tanto quanto dura aquela civilização; essas alcançam a idade adulta da glória universal. Mas outras duram além da civilização, cujos sentimentos expressam. Essas atingem aquela maturidade de vida que é tão mortal como os Deuses, que começam mas não acabam, como acontece com o Tempo."
Fernando Pessoa, in Heróstrato