Ladrão de Cadáveres

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9789897220005

 

 

  

 

Autor: Patrícia Melo
Edição: Mar/2012
Páginas: 208
ISBN: 9789897220005
Editora: Livros Quetzal 

O Pantanal - imenso, selvagem. Foi aqui, perto da fronteira da Bolívia, que o narrador desta história se refugiou, depois de implicado no assassínio de uma mulher na mega cidade de São Paulo. E foi aqui que só, nas margens do rio Paraguai, num domingo de sol, presenciou a queda fatal de um pequeno avião - o acontecimento que irreversivelmente lhe mudará a vida.
Na mochila do piloto - único filho de uma família rica e poderosa - encontra um quilo de cocaína.

Dias depois, o local do acidente é identificado, e constata-se o desaparecimento do corpo do piloto - e nessa altura um esquema macabro começa a ser urdido.
Ladrão de Cadáveres
, o mais recente livro de Patrícia Melo, é uma mistura explosiva de temor, ganância, conspiração, sexo, corrupção, traição dos vivos e profanação dos mortos. Um romance de leitura compulsiva.

 

Autora:
Patrícia Melo é romancista, dramaturga, jornalista e argumentista, e uma figura de destaque na literatura brasileira contemporânea. Os seus livros foram finalistas e vencedores de importantes prémios literários dentro e fora das fronteiras do Brasil: Jabuti, Femina, Deux Océans, IMPAC e Portugal Telecom, entre outros.
A revista TIME, no ano 2000, incluiu-a na lista dos cinquenta “Líderes Latino-Americanos para o Novo Milénio”.
Patrícia Melo vive atualmente entre o Brasil e a Suíça.

Comentários  

 
+1 #3 Filipe Dias 2012-06-26 14:10
Acabei de ler este livro ontem. O que me tinha cativado no livro foi o seu título e a sua sinopse, que me levaram a criar uma determinada ideia do livro.
Quando comecei a ler, apercebi-me logo que estava a ler em brasileiro. Dei por mim a verbalizar as palavras que lia, com entoação brasileira. Mas gostei deste aspecto? Não, não gostei. Muitas palavras diferentes, muitas verbalizações esquisitas, desconhecidas até.
Provavelmente vou contra muitas opiniões, mas não gostei da maneira de escrever da autora. Um texto narrativo e em discurso, como que escrito à pressa e de rajada. Não há diálogo, a autora mete as falas entre o discurso de uma maneira intrusiva. Exemplo : "Fomos comer um sorvete. Muito saboroso, ela disse." Enfim, não gostei deste método.
Aliado à escrita em brasileiro, a história passa-se à volta de personagens que vivem de biscates, roubam aqui e ali, traem os parceiros, mentem, etc. Não consegui afastar a minha imaginação de uma favela com gente de muito pouco nível.
Também não concordei com a história em si, pois safar-se a qualquer custo sem limites éticos, fazendo cada vez mais atrocidades e dizendo "ainda estou bem", não é socialmente recomendável.
No fundo, o livro desiludiu-me bastante, não só pelos aspectos que referi, mas também porque o título sugere uma coisa que na verdade não acontece.
Tenho dúvidas de voltar a ler algo da autora...
 
 
+1 #2 Cristina Delgado 2012-06-13 22:53
Como começar esta opinião? Não conhecia Patrícia Melo. Estranhei a escrita. Brasileiro puro, ou não se passasse a acção em terras irmãs... Confesso que não gosto de ler em brasileiro, parece que passo a vida, ou melhor, a leitura a corrigir a forma e esqueço-me do conteúdo, da história!

Porém, esqueci-me bem rapidamente desse pormenor. A escrita de Patrícia é fascinante. Se não soubesse quem tinha escrito esta obra, pensaria que o autor era um homem. A personagem principal, um sujeito que vai optando sucessivamente por atitudes cada vez mais desconcertantes , vai-nos revelando os seus pensamentos, as suas dúvidas e as suas opções.

E o leitor simpatiza com ele cada vez mais, muito embora condene quase todas as suas atitudes. Atitudes cada vez mais reprováveis aos olhos de pessoas de bem, mas tão afastadas do nosso dia a dia, que não podemos deixar de pensar que se trata de um filme a que estamos a assistir! E o final, tão improvável, assusta-nos um pouco, porque pensamos quantas pessoas não haverá por aí que agiram de forma semelhante e que tiveram um final igual?

Para além disso, como consegue esta autora fazer com que nos congratulemos com a sorte da personagem, mesmo que as suas acções sejam reprováveis? É aí que reside a mestria da escrita de Patrícia Melo! Ao simpatizarmos com o protagonista, ele compra o nosso apoio no que concerne às suas acções, muito embora nos sintamos irritados por o fazer. Parece complicado? Precisam de ler para compreender!
 
 
+2 #1 Sónia 2012-05-06 14:17
Patrícia Melo é uma escritora que me desperta curiosidade há já alguns anos, desde que cá foram editados alguns títulos seus pela Campo das Letras. Esta foi uma oportunidade excelente para travar conhecimento com a sua obra, embora tenha estranhado alguns aspectos.

Para começar, o facto de ser escrito em português do Brasil, pese embora as novas normas do Acordo Ortográfico. Há palavras que, embora estejam mais próximas em termos de interpretação/c onotação, outras há que me dificultaram um pouco a leitura.

Outro factor a ter em conta é a própria estrutura narrativa. É usado maioritariament e o discurso directo, mas, ao invés do habitual recurso a travessões, a autora usa uma narrativa mais pesada, recorrendo a expressões como "você sabe" que, embora possam querer transmitir uma sensação de proximidade (como se se tratasse de uma conversa), acabam por suscitar alguma estranheza que depois se entranha.

São pequenos pormenores que tornam a leitura um pouco mais complicada, mas que em nada inviabilizam a leitura deste excelente livro. Nele, somos confrontados com os limites éticos do ser humano, quando o que está em causa é uma ambição tremenda pelo dinheiro. Aliás, a certa altura, fez-me questionar não só o comportamento da personagem principal, como também o meu, se passasse por uma situação similar. Esmiuça, de forma bastante interessante, as consequências que a conspiração, e consequente traição, conseguem despoletar em alguém que não olha a meios para atingir os seus fins, mesmo que, para tal, tenha que viver, de forma algo fria, a dicotomia sentimentos/imoralidade.

Apesar das pequenas dificuldades que referi inicialmente, é um livro que se lê bem, não só pelo tema, mas também devido ao número reduzido de páginas. Recomendo!
 

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