Limões na Madrugada

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Autora: Carla M. Soares
Género: Romance
Edição: Nov/2017
Páginas: 224
ISBN: 9789898886064
Editora: Cultura

 

 


Ansiosa por regressar à Argentina, mas presa a Portugal, distante do homem que ama e da mulher com quem vive, Adriana está perante um dilema universal e intemporal: manter-se comodamente na ignorância ou desvendar o passado da família, como se de um caso policial se tratasse, enfrentando assim aquilo de que andou a fugir toda a vida, por mais doloroso que seja.

Num jogo magistralmente imaginado pela autora, entre a vida atual de Adriana e os ecos do Portugal antigo, machista e violento dos seus pais e avós, esta história, de uma família e dois continentes, é uma viagem entre o presente e o passado, uma ponte sobre o fosso cultural que separa as gerações, um tratado sobre tudo aquilo que a família pode fazer à vida de um só indivíduo.
Entre a sombra e a luz, deixando que por vezes os silêncios falem mais alto do que as palavras, Limões na Madrugada é um romance sobre o amor incomum, o poder da família e a necessidade da coragem.

Desta autora no Segredo dos Livros:
O Ano da Dançarina
O Cavalheiro Inglês
A chama ao vento
Alma Rebelde

Autora:

Carla M. Soares nasceu em 1971, em Moçâmedes, Angola, mas muito cedo veio para Portugal.
Formou-se em Línguas e Literaturas Modernas pela Faculdade de Letras de Lisboa. Já professora e mãe, embarcou na aventura de um Mestrado em Estudos Americanos – Cultura e Literatura, e mais tarde num Doutoramento em História da Arte, cuja tese espera ainda por dias mais tranquilos.
Em 2012, viu publicado o seu primeiro romance, Alma Rebelde, pela Porto Editora, que foi finalista no Festival do Premier Roman de Chambérye. Em 2014 publicou O Cavalheiro Inglês, na coleção Os Livros RTP da editora Marcador e, em 2016, com a mesma editora, O Ano da Dançarina.

Siga a autora em monsterblues-cms.blogspot.pt

Comentários  

 
#1 Sebastião Barata 2017-12-02 13:57
Carla M. Soares fez uma pausa nos romances históricos (que espero não passe de uma breve pausa) para nos apresentar este romance de atualidade que, no entanto, não deixa de fazer uma visita a um passado não muito afastado no tempo, mas muito afastado nos conceitos de sociedade, como veremos mais adiante.

Muito sumariamente, é a história de uma mulher portuguesa que reside na Argentina, para onde foi levada em criança pelos pais, quando tinha cinco anos de idade. O passado português da família sempre foi tabu e fica muito admirada quando recebe o contacto de uma firma de advogados do Porto a intimá-la para vir receber a herança de uma tia. A princípio, não liga, mas depois de alguns contratempos e sobretudo após ler uma carta que a tia lhe escreveu enquanto ainda tinha lucidez, decide vir a Portugal. Aqui descobre o motivo pelo qual os seus pais fugiram e acaba por se encontrar com as suas raízes e reabilitar a memória de uma família vítima de um conceito de sociedade carregada de preconceitos, ignorância e opressão das mulheres e daqueles que tinham o azar de ser diferentes.

Quando comprei o livro, vinha envolvido numa cinta que dizia: Carla M. Soares - emocionante como Allende; misteriosa como Ferrante; portuguesa como Agustina. Costumo deitar estas cintas fora, mas esta intrigou-me e decidi guardá-la até ler o livro, para ver no que é que a editora achava Carla semelhante a essas três autoras de tanta nomeada. E agora sei! Ou penso saber...

Invertendo a ordem das sugestões, começo por Agustina Bessa-Luís. De facto, à medida que ia lendo "Limões na Madrugada", ia recordando os primeiros livros de Agustina, especialmente a "Sibila". Aqui vemos também ser revelado, pouco a pouco, o perfil de uma família rural e agrícola do interior norte de Portugal; de mulheres vítimas dos maus tratos de maridos irascíveis e infiéis; dos vizinhos que não intervinham porque "entre marido e mulher ninguém mete a colher"; de filhos e filhas que sofrem, mas nada podem fazer, senão desejar que o tempo passe e cresçam para fugir daquele inferno.
De Elena Ferrante nunca li nada, mas pelas achegas que me têm chegado sobre a obra desta misteriosa autora, parece-me encontrar em Adriana e Chloe e na sua mútua relação algo que faz lembrar Elena e Lila da série iniciada com "A Amiga Genial". São duas mulheres que se amam e odeiam, que interferem na sua relação com os homens e ficamos na dúvida sobre a profundidade e o género do seu mútuo amor.
Finalmente, confirmo que Carla M. Soares apresenta neste livro, de facto, muitas semelhanças com a obra de Isabel Allende. É uma história de mulheres, várias gerações de mulheres, mulheres fortes capazes de afrontar as convenções sociais, mas também mulheres vítimas das mesmas convenções.

Sobre a estrutura da obra, confesso que, no início me senti um pouco baralhado, mas rapidamente encontrei o fio condutor da narrativa. A autora inicia a história com a protagonista a contemplar três quadros numa galeria de arte e muito intrigada com o que vê. A partir daí, sucedem-se capítulos, sempre muito curtos, que vão revelando o passado lado a lado com um presente que, afinal, se interligam, à medida que vamos tomando conhecimento da história daqueles quadros e das motivações do seu autor, um ser estranho, cujo fantasma estará sempre no cerne da narrativa e parece manobrar os fios, tal ator de marionetas, que conduzirão a protagonista a um fim inesperado, mas redentor.

Foi uma leitura absorvente, embora conte uma história terrível, por vezes muito angustiante. Recomendo a sua leitura, porque todos vamos ali encontrar algo com que nos possamos identificar, pois, até há quarenta anos, era este o mundo dos nossos pais e avós. E é bom não perder a sua memória, para que esses tempos não voltem mais, especialmente agora que certos fundamentalismo s parecem estar a querer fazê-los voltar, se é que desapareceram mesmo, pois todos os dias vemos na comunicação social a descrição de novos casos de violência familiar.

Felicito a autora e desejo que volte aos seus apreciados romances históricos, mas, se possível, continue este novo caminho, onde se mostrou também muito dotada.
 

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