Livro

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Autor: José Luís Peixoto
Edição: Set/2010
Páginas: 264
ISBN: 9789725648995
Editora: Livros Quetzal

 

 

 

Este livro elege como cenário a extraordinária saga da emigração portuguesa para França, contada através de uma galeria de personagens inesquecíveis e da escrita luminosa de José Luís Peixoto. Entre uma vila do interior de Portugal e Paris, entre a cultura popular e as mais altas referências da literatura universal, revelam-se os sinais de um passado que levou milhares de portugueses à procura de melhores condições e de um futuro com dupla nacionalidade. Avassalador e marcante, Livro expõe a poderosa magnitude do sonho e a crueza, irónica, terna ou grotesca, da realidade.

Através de histórias de vida, encontros e despedidas, os leitores de Livro são conduzidos a um final desconcertante onde se ultrapassam fronteiras da literatura. Livro confirma José Luís Peixoto como um dos principais romancistas portugueses contemporâneos e, também, como um autor de crescente importância no panorama literário internacional.

Deste autor no Segredo dos Livros:
Nenhum Olhar

Autor:

José Luís Peixoto nasceu em 1974, em Galveias, concelho de Ponte de Sôr.
É um dos autores de maior destaque da literatura portuguesa contemporânea. A sua obra ficcional e poética figura em dezenas de antologias, traduzidas num vasto número de idiomas, e é estudada em diversas universidades nacionais e estrangeiras.
Em 2001, acompanhando um imenso reconhecimento da crítica e do público, foi atribuído o Prémio Literário José Saramago ao romance Nenhum Olhar. Em 2007, Cemitério de Pianos recebeu o Prémio Cálamo Otra Mirada, destinado ao melhor romance estrangeiro publicado em Espanha. Com Livro, venceu o prémio Libro d'Europa, atribuído em Itália ao melhor romance europeu publicado no ano anterior. As suas obras foram ainda finalistas de prémios internacionais como o Femina (França), Impac Dublin (Irlanda) ou o Portugal Telecom (Brasil). Na poesia, o livro Gaveta de Papéis recebeu o Prémio Daniel Faria e A Criança em Ruínas recebeu o Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores. Em 2012, publicou Dentro do Segredo, Uma viagem na Coreia do Norte, a sua primeira incursão na literatura de viagens. Os seus romances estão traduzidos em mais de trinta idiomas.

Comentários  

 
#3 Lídia Rumor 2011-04-15 09:41
"A mãe pousou o livro nas mãos do filho" e disse "Ilídio.", "Escuta.", "Nunca esqueças." Assim se inicia a narrativa de Livro que aparentemente é apenas a narração da crua realidade da vida numa vila do interior português em meados do século XX e da emigração portuguesa para França, gerada pela ânsia de conseguir uma vida melhor.

É uma narração por vezes dura e cruel e outras vezes cheia de benesses e ternura, que nos traz à memória aquilo que Portugal foi em tempos e aquilo que, com um esforço gigantesco e com um custo que ascendeu a muitas vidas perdidas pelos caminhos entre Portugal e França, milhares de emigrantes conseguiram. É preciso nunca esquecer a nossa História, é preciso lembrar os mortos que nunca voltarão e os emigrantes saudosos que sempre voltam.

Com uma panóplia de personagens, o narrador pinta um desenho muito realista desta época. Há Ilídio, filho de pai incógnito, abandonado pela sua mãe e deixado entregue a Josué, mestre de obras solteirão, desiludido com a vida, mas extremamente terno. Há os amigos de Ilídio: o simples Galopim e o inseparável Cosme. Há, ainda, Adelaide, bela e desejada por todos na vila pois "Tem um belo quadril" e "É boa, é gorda. Tem uns refegos aqui na barriga", mas amada por apenas um - Ilídio.

Passamos o resto da história a desejar que os caminhos destes dois amantes eternos se cruzem e tornem num só, mas, na verdade, pelo caminho surgem muitos obstáculos - o desencontro em Paris, para onde ambos emigram; o desencontro das suas cartas, que demoram tempo demais a chegar um ao outro e levam à desistência da parte de ambos; o casamento apressado de Adelaide, para ajudar a esquecer Ilído e a rectidão de ambas as personagens que, durante todas as suas vidas, os torna incapazes de ceder perante um amor tão forte. Tendo apenas sucumbido à sua força uma só vez, da qual resultou uma criança - Livro.

Descobrimos mais tarde que é Livro que nos narra a história de Livro e que o livro que lemos é nada mais nada menos que o mesmo livro que a mãe de Ilídio lhe tinha deixado, que este depois ofereceu a Adelaide como símbolo do seu amor, que esta guardou carinhosamente escondido até ao dia em que Constantino o usou para iniciar uma conversa com Adelaide, que o Cosme escreveu e editou, que levou a que Livro se chamasse Livro e que o próprio Livro escreveu também.

Numa segunda parte, somos surpreendidos por esta confusão de narrativas encaixadas umas nas outras e, curiosamente, encontramos provas de que este livro é o livro de Ilídio, Adelaide, Constantino, Cosme e Livro pois encontramos palavras rodeadas, textos com espaço em branco, inúmeras reflexões em rodapé e o narrador, Livro (filho de Ilídio e Adelaide, fruto de um amor eterno e duma noite de paixão num beco escuro no mês de Agosto) a dialogar connosco directamente, deixando o livro em aberto para continuar a ser escrito.

Livro é muito mais do que aparenta ser, desafia todas as regras da narrativa para inquietar o leitor, levando-o a recordar, porque o mais importante é NUNCA ESQUECER.
 
 
#2 fernanda carvalho 2011-01-06 13:58
Este é um livro estranho, mas ao mesmo tempo fantástico. É possível? Sim, tudo é possível. Um Livro pode ser uma forma de comunicação entre duas pessoas, pode ser uma moeda de troca, pode ser uma prova de amor, e pode até ser o nome de uma pessoa!
José Luís Peixoto já conquistou inúmeros prémios por esse mundo fora e, sim, por aqui conquistou também mais uma leitora. Gostei muitíssimo desta história, mas, acima de tudo, da forma como o autor envolve o leitor, tornando-nos parte da narrativa.
Recomendo.
 
 
#1 Cristina Delgado 2010-12-01 11:26
Este livro tem um registo muito diferente do que li anteriormente e, talvez por isso, custou-me um pouco a entrar na história. Mas fiquei rendida ao fim de algumas páginas!

É um livro de uma escrita apaixonante, para ler devagar, para saborear lentamente... Voltei atrás variadíssimas vezes para reler frases lindíssimas que careciam de uma nova leitura, mais atenta.

A história tem como pano de fundo uma situação verificada anteriormente em Portugal: a emigração de muitos portugueses para França, clandestinos, à procura de uma vida que lhes trouxesse mais fartura e menos miséria. Viagem cheia de perigos e dificuldades...

Os livros estão presentes nesta leitura, sobretudo um que acompanha alguns personagens pela vida fora, mas Livro é o nome de um desses personagens.

Imaginativo, muito bem escrito, com uma poesia toda própria, com um humor que nos faz sorrir interiormente, "Livro" é um livro a ler. Seguramente!
 

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"Acredito que, assim como na nossa vida se vão sucedendo acontecimentos de todo o tipo, também na literatura se sucedem esses acontecimentos, que são expressão do que sentimos e pensamos: a criação é a forma que temos de colocar cá fora as nossas esperanças, as nossas certezas, dúvidas, as nossas ideias."
José Saramago in A Estátua e a Pedra