Malparado - Diários 2012-2015

FaceBook  Twitter  

 

 

Autor: Pedro Mexia
Género: Crónicas
Edição: Mar/2017
Páginas: 208
ISBN: 9789896713652
Editora: Tinta da China

 

 


«Uma das grandes personalidades da cultura portuguesa contemporânea, Pedro Mexia, cronista, poeta, crítico literário, tradutor e editor, cultiva um género literário que desafia, em simultâneo, convenções e convicções: o falso diário. Os falsos diários de Mexia são uma das mais estimulantes escritas da nossa literatura actual.» Osvaldo Manuel Silvestre.
Decorrendo do blogue homónimo, Malparado é um novo capítulo sobre essa persona literária, esse alter ego que Pedro Mexia nos vem apresentando desde Prova de Vida (2007), e que prosseguiu em Estado Civil (2009) e em Lei Seca (2014).

«Pessoas que fizeram parte da nossa vida durante décadas desaparecem e na verdade não lhes sentimos a falta, reparamos nisso quando reparamos que nunca reparámos nisso, é um pouco indecente confessá-lo mas é assim, as coisas são o que são. E outras pessoas, raras, duas por década se tanto, pessoas que mal conhecíamos, com quem nos cruzámos ou com quem convivemos por uns dias apenas, essas fazem-nos uma falta tremenda, uma falta como a de uma substância química a que o organismo se habituou, às vezes nem é tanto o que elas são ou foram, que mal soubemos ou adivinhámos, mas pequenos gestos, ambiguidades desastradas ou cuidadosas, gargalhadas inconvenientes e fantásticas, certa forma de nos chamarem quando nos afastamos, um jeito de se afastarem quando chegamos demasiado perto, clichês encantadores, bocados contrabandeados de biografia para não parecer que são biografia, entusiasmos de outros tempos, zangas que passam logo, branduras quase irreais, e uma impossibilidade última de existirem na nossa vida senão fazendo-nos falta, mulheres que mal tocámos e que afinal faziam parte do nosso corpo, e que agora talvez pensem de quando em vez nesse nosso corpo amputado e triste e grato por nos termos conhecido, e talvez pensem o mesmo de nós, ou talvez se tenham esquecido, ou talvez se esqueçam em breve.» Pedro Mexia

Autor:

Pedro Mexia nasceu em 1972 na cidade de Lisboa. Após ter concluído os seus estudos secundários, ingressou no curso de Direito da Universidade Católica Portuguesa, que completou com sucesso. Prosseguiu para a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, de onde arrebatou um mestrado em Estudos Americanos.
Pedro Mexia passou depois a colaborar com publicações como o Diário de Notícias, na qualidade de crítico literário, e a escrever artigos para a revista Grande Reportagem, vendida em conjunto com jornais como o Diário de Notícias e o Jornal de Notícias. Debruçou-se entretanto para a poesia, estreando-se em 1998 na revista Colóquio. No ano seguinte publicou o seu primeiro livro, uma colectânea de poemas intitulada Duplo Império (1999). Seguiram-se Em Memória (2000), Avalanche (2001) e Eliot e Outras Observações (2003). Escreve em blogues que, depois, dão origens a livros. É o caso de Malparado, cujos textos estão reproduzidos no livro com o mesmo nome.

Tem de iniciar sessão para submeter o seu comentário.

Últimas Opiniões

  • Terrarium
    Não sei se todos os que estão a ler este comentário sabem o que é um "Terrarium". Para quem não sabe ...
  • 19.08.2017 23:11
  • Como Escrever (Tudo) em Português Correto
    Tinha eu, talvez, 15 anos, quando me veio parar à mão um livrinho que era o manual de uma disciplina ...
  • 31.07.2017 11:52
  • O Poder
    Já conhecia e apreciava o livro anterior desta autora (O Segredo). Assim, quando adquiri este livro ...
  • 23.07.2017 12:45

Últimos Tópicos

Uma Pequena Palavra...

"Quase todos os homens vivem inconscientemente no tédio. O tédio é o fundo da vida, foi o tédio que inventou os jogos, as distracções, os romances e o amor."
Miguel de Unamuno