Memórias de Branca Dias

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Autor: Miguel Real
Edição: 2009
Páginas: 176
ISBN: 9789896281564
Editora: QuidNovi

 

 

Com uma existência entre a História e a Lenda, considerada uma das matriarcas do Pernambuco, Branca Dias é, no século XVI, no Brasil, a primeira mulher portuguesa a praticar «esnoga», a primeira «mestra laica» de meninas e uma das primeiras «senhoras de engenho». Oriunda de Viana do Castelo, denunciada pela mãe e pela irmã e presa pela Inquisição nos Estaus, em Lisboa, Branca Dias embarca para o Brasil com sete filhos, juntando-se ao marido, Diogo Fernandes, vivendo ambos entre Camaragibe e Olinda, onde lhe nascem mais quatro filhos e educa uma enteada.

Com a primeira visitação do Santo Ofício ao Brasil, em finais do século XVI, filhos e netos de Branca Dias são presos sob a acusação de reconversão ao judaísmo e enviados para Lisboa, para onde terão seguido igualmente, presume-se, os ossos de Branca Dias, a fim de serem queimados no Rossio em auto-de-fé.
No presente romance, Branca Dias rememora a sua vida, da infância no Minho à velhice em Olinda, passando pela sua prisão em Lisboa, pela existência perturbada no engenho de açúcar, pelo levantamento da casa grande de Camaragibe e da casa urbana da rua dos Palhares (ainda hoje existentes), pelo convívio com Duarte Coelho, primeiro capitão donatário do Pernambuco, pela morte de Pedro Álvares da Madeira, comido pelos tupinambás, pelo candomblé dos escravos pretos, pelos terrores de uma nova geografia e de uma nova fauna, pelo martírio do povo miúdo português no Novo Mundo, evidenciando assim o lado popular do heroísmo quotidiano, exultante e aziago, miscigenador e dizimador, generoso e rapace, dos primeiros colonos portugueses no Brasil.

Livros do Ciclo do Brasil:
- Memórias de Branca Dias
- A Voz da Terra
- O Último Negreiro
- O Sal da Terra

Autor:

Miguel Real é o pseudónimo do professor e, também, escritor Luís Martins. Licenciado em Filosofia pela Universidade de Lisboa e Mestre em Estudos Portugueses pela Universidade Aberta, tem publicado ensaio, filosofia, teatro e romance, sendo ainda autor de vários manuais escolares e traduções de obras filosóficas de autores como Descartes ou Leibniz.
Recebeu o Prémio de Revelação nas áreas da Ficção e do Ensaio Literário da Associação Portuguesa de Escritores, o Prémio Ler/Círculo de Leitores e o Prémio Fernando Namora da Sociedade Estoril Sol, este último atribuído ao romance A Voz da Terra, também finalista do Prémio de Romance e Novela da APE.
Na área da ficção publicou, entre outros, os seguintes romances: A Verdadeira Apologia de Sócrates, A Visão de Túndalo por Eça de Queirós, Memórias de Branca Dias, A Voz da Terra, O Último Negreiro, O Sal da Terra, O Último Minuto na Vida de S., A Ministra, A Guerra dos Mascates, o Feitiço da Índia e A Cidade do Fim.
É colaborador permanente do JL, Jornal de Letras, Artes e Ideias, onde faz crítica literária.

Comentários  

 
#2 Adelaide Bernardo 2014-10-23 14:07
Um livro que, além de uma lição de história, é também uma lição sobre a capacidade de reinvenção de uma mulher.
Leia o comentário completo em :
http://poeiraresidual.blogspot.pt/2014/09/memorias-de-branca-dias-miguel-real.html
 
 
+1 #1 João Teixeira 2010-01-10 19:17
Este é o segundo livro que leio de Miguel Real (o primeiro foi o enigmático "O Último Minuto na Vida de S.") e a verdade é que, se inicialmente não tinha grande curiosidade em ler nada dele, confirmei agora com este livro que isso era um erro. Este é, de facto, um autor que surpreende graças à sua maneira bastante arejada de escrever.
Um dos meus receios iniciais com Miguel Real era o de que os seus romances históricos seriam pesadões. Se bem que os pode haver, este "As Memórias de Branca Dias" está longe disso. Não é nada difícil de ler e o facto de estar escrito em forma de memórias "em tempo real" ajuda muito. Sentimo-nos embrenhados na vida daquela mulher de quem pouco se sabe, apenas que era judia e que viveu no Brasil do século XVII, fugida ao obscurantismo de um Portugal inquisitorial. A reconstituição histórica da época colonial está extremamente bem feita e é mesmo interessante saber o que é que os colonos portugueses do Pernambuco comiam, como dormiam, o que faziam, enfim, como viviam.
Por isto tudo, posso dizer que vale muito a pena o tempo que tenho dedicado aos livros de Miguel Real. Depois de os ler, fica sempre a vontade de conhecer mais deste autor.
 

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