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Memórias Vivas do Jornalismo
Quinta, 21 Janeiro 2010 20:48

Autores: Fernando Correia; Carla Baptista
Dimensão:  21x13,5 cm
Páginas: 424
1.ª edição: Janeiro 2010
Editora: Editorial Caminho

As conversas com jornalistas dos anos 40, 50e 60 do século passado mostram-nos, de forma saborosa, humorística ou sarcástica, um clima profissional com características únicas, ao mesmo tempo que nos confrontam com uma sensação de continuidade em muito do que hoje ainda é essencial ao profissionalismo jornalístico. Este livro encerra um manancial muito grande de informação, revelando aspectos pouco habituais na investigação sobre o jornalismo em Portugal. É ainda uma homenagem a todos os que sabem guardar e partilhar as suas histórias de vida, na parte em que as biografias individuais se misturam com a vida colectiva, contribuindo para uma melhor compreensão do mundo em que vivemos.

Autores:
Fernando Correia é licenciado em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e Mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação pelo ISCTE. É Professor Associado Convidado na Licenciatura em Ciências da Comunicação e da Cultura da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, Área de Jornalismo, de cujo Conselho Científico faz parte. Lecciona igualmente no Mestrado em Comunicação nas Organizações (ULHT), no Curso de Pós-Graduação em Jornalismo, organizado pelo Departamento de Sociologia do ISCTE e pela Escola Superior de Comunicação Social, e no Mestrado em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação (ISCTE).
É membro fundador e investigador do Centro de Investigação Media e Jornalismo (CIMJ) e integra a Comissão de Redacção da Media & Jornalismo, revista do CIMJ.
Jornalista desde 1966 (Carteira Profissional n.o 51), é Chefe de Redacção da revista Vértice e Editor de publicações periódicas da Editorial Caminho, membro do Conselho Geral do Sindicato dos Jornalistas, membro fundador do Clube de Jornalistas, membro do júri dos Prémios Gazeta de Jornalismo e Director Editorial da revista JJ-Jornalismo e Jornalistas. Pertenceu às comissões organizadoras dos três congressos de jornalistas portugueses já realizados.
É autor, nomeadamente, de Os Jornalistas e as Notícias. A Autonomia Jornalística em Questão, Lisboa: Editorial Caminho (1.a edição, 1997, 4.a edição, 2003), e Jornalismo e Sociedade, Lisboa: Editorial Avante, 2000. Apresentou dezenas de comunicações em seminários, debates, conferências e congressos, relacionadas com os media e o jornalismo, parte das quais editadas em jornais e revistas e em obras colectivas.
Carla Baptista nasceu em Luanda em 1969. É licenciada em Ciências da Comunicação pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Universidade Nova de Lisboa, Mestre em Estudos Africanos pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa e prepara o doutoramento na área da Comunicação Política. Foi jornalista do Diário de Notícias, é docente no departamento de Ciências da Comunicação da FCSH, onde lecciona as disciplinas de Géneros Jornalísticos, Questões Éticas e Deontológicas do Jornalismo e Atelier de Jornalismo. Publicou em 2002 o livro Portugal no Olhar de Angola na editora Minerva Coimbra e colabora com diversas publicações.
Comentários
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Sebastião Barata  - Jornalismo de outros tempos   |14:36:38 19-02-2010
Um livro interessante, que se lê com agrado. São dezassete entrevistas a outros tantos jornalistas, efectuadas entre 2004 e 2006. Todos os entrevistados são já muito idosos, tento alguns falecido, entretanto. Ao ler este livro, fica-se com uma ideia muito clara do funcionamento dos jornais nas décadas de 40, 50 e 60 do século XX, em Portugal.
Através do diálogo com o entrevistador, vão contando as peripécias do tempo em que se escrevia à mão e os mais velhos reclamavam do barulho das máquinas de escrever, quando estas começaram a aparecer timidamente nas redacções. É contado como funcionava a censura e as habilidades que era preciso fazer para a contornar. Não havia formação específica em jornalismo, sendo todos autodidactas na matéria; a formação era feita com a prática da profissão e o apoio dos mais velhos. Muitos jornalistas tinham muito poucos estudos, alguns não mais que a 4ª classe. Os quadros dos jornais eram pequenos e os redactores compunham as notícias com as informações que recebiam dos correspondentes ou dos repórteres, que não eram considerados jornalistas; por vezes, eram enganados e as notícias que saíam não correspondiam ao que se tinha passado na realidade. Há histórias verdadeiramente hilariantes, como quando Briggite Bardot esteve em Portugal: uns jornais diziam que esteve na Nazaré, outros se passeou por Cascais e outros que não saiu do hotel, porque houve um grande temporal nesse dia e ninguém sabia, realmente, o que a senhora tinha feito.
Uma leitura agradável e instrutiva, tanto para quem precisa de se documentar sobre a época, como para os leitores em geral.

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"Agora que o último livro morreu, posso partir. Estive presa nesta história durante séculos, ligada ao destino do que escrevi. Até aqui, meu amor, não podia amar-te: todo o real gritava que não nos conseguíamos tocar. Mas liberta daqui, atirada por todos os séculos até ao fundo do tempo, dentro dos restos deste livro te chamo. Fechada de luz dentro deste livro te chamo.”
"333" de Pedro Sena-Lino