
Autor: Naguib Mahfouz
Edição: Jul/2012
Páginas: 192
ISBN: 9789722635011
Editora: Civilização
Um romance coeso e de grande carga emocional sobre vidas que se cruzam, Miramar desenrola-se na Alexandria do início dos anos 60. Seis personagens, todas agora exiladas por força das circunstâncias, tornam-se residentes da elegante e decadente Pensão Miramar. A figura central é Zohra, a bela camponesa cuja relação com as outras cinco personagens simboliza a essência da realidade política e social da época.
Autor:
Naguib Mahfouz nasceu no Cairo em 1911. Modernizou a literatura árabe, sendo considerado um dos seus maiores vultos. Foi o único escritor de língua árabe a ser galardoado com o Prémio Nobel da Literatura. Publicou 34 romances, mais de 350 contos, dezenas de argumentos cinematográficos e cinco peças ao longo de uma carreira de mais de 70 anos. Viveu com a mulher e as duas filhas na sua cidade natal até falecer, em 2006.









Comentários
Estes são os ingredientes desta estranha história, que nos é narrada aos poucos pelos diversos intervenientes. Cada um apresenta a sua versão dos acontecimentos e revela novos pormenores que vão alterar a perceção do leitor. Onde está a verdade, afinal?
Naguib Mahfouz narra-nos de uma maneira suave e lírica, mas também irónica e quase hilariante, a história do Egipto na época conturbada após a independência, com os europeus a abandonarem o país, vendendo os seus negócios ao desbarato.
Todo o livro está pontilhado de passagens em itálico, que presumo serem citações. Algumas pertencem ao Alcorão, de acordo com as notas de rodapé, mas muitas não têm indicação de origem. Penso que as notas de rodapé (estas e as restantes) sejam da iniciativa do tradutor, com o objetivo de ajudar o leitor português a interpretar melhor o texto.
Estas citações prejudicaram a minha leitura, porque não me dizem nada e cortam o ritmo. Calculo que sejam citações que um leitor egípcio identifica imediatamente, pois o autor não se deu ao trabalho de as rotular. É o inconveniente de ler autores de outras culturas.
Todas essas ocorrências têm como elemento comum Zohra - uma camponesa. É através das relações estabelecidas entre ela e as restantes personagens que vamos ficando a conhecer a realidade social e política da época. E é aqui que entra o complicado do livro. Apesar de ter bastante discurso directo, o nome das várias personagens é difícil de memorizar. Talvez seja por não estar habituada a ler livros em contexto árabe. Depois, toda a narrativa é bastante rica em notas de rodapé, para nos situarmos na acção, nas quais figuram nomes igualmente estranhos. Possui também várias notas históricas que, infelizmente, nos vão fazendo perder o fio à meada.
Foi um livro que não me cativou. Não pelo tema em si, mas pelo contexto espacial.