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| Não Fomos Nós Dois |
| Quarta, 11 Janeiro 2012 16:07 | |||
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Autor: Tiago Gonçalves O desespero de Júlio empurra-o para Mafalda, uma jovem mas experiente terapeuta habituada a lidar com inquietos desenquadrados sociais. A relação entre eles flui com a natural química de um aparente jogo predestinado, mas as suas convicções são tão diferentes como as suas personalidades. "...Falamos de um livro tenso até à medula, de um livro que caminha a passo apressado e vai olhando as pegadas do social, do lugar de onde se veio, mas não pára. Um livro de coça, que esfrega e que magoa. Um livro que não é consolação. Não se queira uma vista larga, de pico, de arranha-céu. Trata-se de um buraco no chão, trata-se de um mergulho, é humano." Autor:
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Comentários
Pequeno em tamanho, mas não em conteúdo. Claro que poderia ser mais desenvolvido, porque me pareceu um pequeno conto sobre duas personagens que se encontram num contexto profissional, uma vez que Mafalda é a terapeuta de Júlio.
Li a reflexão introspectiva de ambos, alternadamente sobre si mesmos, o outro e a sociedade em que se inserem, com diferentes perspectivas e objectivos. Subitamente, a empatia e atracção mútua... O desfecho é diferente do que desejei, mas coerente com toda a narrativa.
"A minha alma terá de sorrir devagar."
É disso que se trata. Tocante e sincero sobre emoções e sentimentos, numa escrita bela e profunda.
Julgo que este é um desses casos.
A história, apesar de um pouco banal, está bem construída e corre com fluidez perante os nossos olhos. Só tenho um pequeno reparo a fazer. Na minha opinião, esta teria ficado mais rica, caso o autor tivesse optado por um estilo de escrita diferente para cada uma das personagens.
Mas, de resto, gostei imenso da sua maneira de escrever. Quer-me parecer que, daqui a mais algum tempo, teremos boas novidades sobre este autor.
É esta mesma solidão que leva Júlio a procurar os serviços de Mafalda.
Frequentando o consultório da terapeuta, a atracção mútua vem ao de cima, inevitável e pronta a ser discutida.
No mundo imperfeito de Júlio, será Mafalda a perfeição?
No mundo comedido de Mafalda, será Júlio o turbilhão que lhe dará vida e energia?
Tiago Gonçalves retrata-nos duas personagens com as quais facilmente nos identificamos, seja pelo seu desespero, pela sua busca da felicidade, pela sua ambição ou pela falta dela.
A acção roda em torno de apenas Júlio ou Mafalda, sendo narrada pelos dois, alternando em cada capítulo.
Tanto Júlio como Mafalda são personagens bem estruturadas e vincadas pela formação sociológica do autor.
A leitura é rápida e agradável, de fácil entendimento e que, no seu final, nos deixa a reflectir.
A reflectir sobre quem somos e quem queremos ser, de onde viemos e para onde vamos.
Uma estória curta mas envolvente, recomendada a todos os que alguma vez na vida se sentiram sós.
É apresentado em forma de monólogo, ou, se preferirmos, de um diálogo diferido. Nos capítulos ímpares, fala ele; nos pares, fala ela. Ambos refletem sobre os seus encontros semanais, como paciente e terapeuta. O desenlace começa a pressentir-se no início do livro e confirma-se no final, embora o leitor seja levado a torcer para que tal não aconteça.
É um livro com uma trama narrativa bem construída e uma história breve e simples, muito ao estilo da sociedade dos nossos dias.
Hoje todos somos uns inadaptados, todos nos julgamos especiais, mas, provavelmente, não passamos de uns falhados, porque não somos capazes de agarrar e conservar as oportunidades de ser feliz que surgem no nosso caminho, vítimas dos nossos preconceitos e do nosso egoísmo. Penso que é esta a mensagem que o autor nos quis deixar.
Aponto como deficiência as diversas falhas de revisão, mas essa é uma pecha muito comum nos dias de hoje, mesmo nas editoras mais conceituadas.
Para além disso, é uma leitura agradável para um serão.
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