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Autor: Fabio Geda Edição: Jan/2011 Páginas: 280 Editora: Objectiva
“Há três coisas que nunca deves fazer na vida, querido Enaiat, por motivo nenhum. A primeira é consumir drogas. Não acredites nelas. Promete-me que não o farás. Prometido. A segunda é usar armas. Ainda que alguém faça mal à tua memória, às tuas recordações ou aos teus afectos. Promete-o. Prometido. A terceira é roubar. O que é teu pertence-te; o que não é, não. E jamais intrujarás qem quer que seja, querido Enaiat, está bem? Serás hospitaleiro e tolerante com toda a gente. Promete-me que assim farás. Prometido.” Enaiatollah tinha dez anos e prometeu.
Não sabia ainda que essas seriam as últimas palavras que escutaria da mãe antes de esta o deixar num campo de refugiados no Paquistão. Porque nasceu no Afeganistão no seio de uma minoria, e porque teve o azar de perder o pai precocemente, foi arrancado de casa aos dez anos. O seu corpo em crescimento já não cabia na cova onde corria a esconder-se sempre que batiam à porta de casa. É com este trágico acto de amor que começa a nova vida de Enaiatollah Akbari, assim como a incrível viagem que o levará até Itália, passando pelo Irão, pela Turquia e pela Grécia, onde descobre que no mar há crocodilos. Uma odisseia que o obrigou a enfrentar a miséria e a nobreza humanas, mas que não conseguiu roubar-lhe o sorriso de criança. Nascer no Afeganistão significa crescer à pressa. Enaiatollah precisou de esquecer a infância para poder sobreviver, mas encontrou finalmente um lugar para viver a idade que realmente tem. Esta é a sua história.
Autor: Fabio Geda é um escritor italiano nascido em 1972 em Turim, onde vive. Ocupa-se dos problemas de menores e animação cultural. Escreve no Linus e no La Stampa sobre temas do crescimento e da educação. Colabora com a Escola Holden, o Círculo de Leitores de Turim e com a Fundação para o Livro, a Música e a Cultura. Estreou-se em 2007 com o romance "Per il resto del viaggio ho sparato agli indiani", bastante premiado e já traduzido em França e Roménia. Em Outubro de 2008 lançou o seu segundo romance, "L'esatta sequenza dei gesti", vencedor do Prémio Grinzane Cavour e do Prémio dos Leitores de Lucca. O seu novo livro "Nel mare ci sono i coccodrilli", editado em Abril de 2010, e agora em Portugal, conta a história verídica de Enaiatollah Akbari, um jovem fugido ainda criança do Afeganistão que, depois de muito sofrimento, chegou a Turim, onde obteve asilo político e foi acolhido por uma família que tomou conta dele.
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Comentários
É pela mão de um menino afegão de 10 anos (idade aproximada), que viajei para países como o Afeganistão, o Paquistão, o Irão, a Turquia, a Grécia e a Itália. Sentimos o seu sofrimento quando a sua mãe, porque a situação no Afeganistão é perigosa para si, o deixa ficar, depois de uma viagem arriscada, quase sem aviso e sem grandes despedidas, num campo de refugiados no Paquistão. Pensamos na dor que terá passado sua mãe ao abandoná-lo a um destino incerto, porém melhor que o que o esperaria na sua aldeia natal...
As suas tentativas de recomeçar de novo, num sítio onde se sinta bem e seguro, levam-no a nunca desistir e, mesmo com os sucessivos repatriamentos, Enaiat resiste a deixar-se afundar pelo desespero.
Quando este menino, feito homem à pressa, mostra aos Serviços que concedem a autorização de residência em Itália, um jornal onde uma criança afegã mata um outro ser humano e diz: "esta criança poderia ser eu!" é-lhe concedido, finalmente o visto de permanência nesse país que escolheu para sua casa e que o acolheu. Nessa altura suspiramos de alívio, tal foram as atribulações por que passou...
A capa esconde bem o seu conteúdo. Belíssimo este livro! Recomendo vivamente.
Conta-nos a história (na primeira pessoa e com factos verídicos) de um rapazinho afegão que fugiu do Afeganistão com apenas 9 anos e, depois de inúmeras peripécias, chega a Itália, onde vive e onde contou a sua epopeia fantásticas. Adorei o livro e acabei-o com lágrimas nos olhos. Comovente e enternecedor.
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