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| Num Breve Fechar de Olhos |
| Quinta, 14 Outubro 2010 20:21 | |||
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| Actualizado em Sexta, 22 Outubro 2010 17:30 |
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Comentários
Abbie Taylor torna uma história simples e, francamente, comum, numa narrativa emocionante, constantemente interrompida por flashbacks de Emma que são essenciais para nos colocar do lado dela, levando-nos a simpatizar com a heroína, mas que também nos deixam ainda mais curiosos em relação ao desenvolvimento dos acontecimentos na narrativa principal - o rapto.
Um mãe solteira a lutar pela sua sobrevivência e felicidade e a do seu filho contra a indiferença do mundo e contra o seu próprio desespero. Outra mãe que nunca conseguiu mostrar à sua filha o quanto realmente a amava. Outra mãe, ainda, que tudo fez para salvar o seu filho duma doença mortal, mas, como não conseguiu, ficou irremediavelmen te afectada, capaz de actos hediondos como rapto e tentativa de assassínio. E, por fim, um homem inconformista, idealista e bondoso que só quer ajudar os outros.
A narrativa interpela-nos constantemente. E se fosses tu? A mãe solteira, desistirias ou lutarias até ao fim como Emma? A mãe fria e distante, serias capaz de transpor as tuas próprias barreiras e ir ao encontro de quem amas? A mãe dilacerada pela morte do filho, farias tudo para o ter de volta? O homem em busca dum lugar no mundo onde possa ser ele mesmo, partirias em busca de ti próprio(a) como ele fez?
Intensidade dramática, realismo e suspense num altamente recomendável thriller.
Ela vai à polícia participar o rapto, mas a polícia não consegue grandes resultados e vai ter de ser ela própria a procurar o seu filho.
Esta é uma obra bastante dramática, sobre a perda de um filho e conseguir sobreviver aos dias seguintes, sem saber por onde ele andará e com quem, se estará a ser bem tratado ou não.
Ao longo do livro, vamos também sabendo como Emma ficou grávida, o porquê do pai do filho não estar presente na sua vida e de como foi difícil para ela ser mãe solteira e não ter familiares que a ajudassem nos primeiros tempos.
Acima de tudo, acho que este livro retrata muito bem a sociedade onde vivemos actualmente, com mães solteiras que, por diversos motivos, têm de tratar de uma criança sem ter alguém que as ajude; que os primeiros meses de um bebé são bastante complicados e, quando se é mãe pela primeira vez, é ainda pior, pois não sabe bem como agir; que, muitas vezes, a polícia tem em consideração as aparências e não o que realmente é importante.
E acho que quem é mãe conseguirá rever-se um pouco nas angústias, medos e preocupações de Emma.
Emma é uma jovem universitária que partilha casa com uma amiga e vive a alegria dos seus 20 anos. Numa saída à noite de amigas, conhece um rapaz que a fascina e por quem se apaixona, acabam por ter um curto relacionamento, pois a sua antiga namorada volta e ele decide terminar tudo com Emma.
“Não nos esquecemos das pessoas assim do pé para a mão, só porque elas querem que isso aconteça.”
Ela tenta esquecê-lo, mas passados alguns meses percebe que está grávida e, mesmo não tendo apoio de Oliver, nem família a quem recorrer, porque já perdera a única que tinha – a mãe -, decide avançar com a gravidez porque é tudo o que lhe resta de um amor impossível. E, ainda antes de ter a criança, vê-se sozinha e desamparada até pela amiga, acabando por ir viver para uma casa num bairro social, dias antes de dar Ritchie à luz. Quando isso acontece, isola-se por completo do mundo e vive apenas para o filho e para as tarefas de casa, esquecendo-se até de si própria.
“Fora tão fácil, mas tão fácil, afastar-se das pessoas que em tempos se havia pensado serem muito importantes. E tão, mas tão difícil substituí-las.”
Um ano passa e a sua vida tende a piorar, pois as preocupações que a assolam são muitas… E é num dia normal de compras que, de repente, num breve fechar de olhos, Emma se vê sem o seu filho Ritchie. A partir daqui, a sua vida dá uma volta completa e tudo o que ela tinha desaparece, como se só para ela alguma vez tivesse existido. Apenas haverá uma pessoa que vai acreditar nela incondicionalme nte, e será a única capaz de trazer Ritchie de volta para os braços da mãe. Essa pessoa é Rafe, a única testemunha de tudo e o verdadeiro herói da história.
“Emma queria falar, mas o que tinha para dizer era demasiado grande, inchava dentro dela, dilatando-se para fora até que os seus seios se tocaram. Eu estou aqui, disse ela, e a mensagem passou directamente do seu coração para o dele. Estamos os dois aqui.”
O final é compensador e, apesar de alguns de nós desejarmos mais para estes três personagens, penso que a autora deixou que cada leitor finalizasse a história como gostaria.
Não encontramos aqui um romance, mas sim um drama muito intenso, em que o sofrimento trespassa por entre as páginas, fazendo-nos pensar constantemente - e se fosse connosco, o que éramos capazes de fazer para recuperar um filho!?
É um romance intenso, uma história perturbadora que nos faz ver o quão difícil é a vida de muitas mãe solteiras, que não contam com apoio de familiares ou amigos e que por vezes as palavras, mesmo que não sejam pensadas, pesam sobre decisões e opiniões.
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