
Autor: Miguel Esteves Cardoso
Edição: Abr/2013 (1ª ed. na Porto Editora)
Páginas: 184
ISBN: 9789720045997
Editora: Porto Editora
«As lágrimas das raparigas refrescam-me. Levantam-me o moral. Às vezes lambo-a dos cantos dos olhos. São pequenos coquetéis sem álcool, inteiramente naturais. Dizer: "Não chores" funciona sempre, porque só mencionar o verbo "chorar" emociona-as e liberta-as, dando-lhes carta branca para chorar ainda mais. Só intervenho com piadas e palavras de esperança e de amor quando elas vão longe de mais e começam, por exemplo, a pingar do nariz.»
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Miguel Esteves Cardoso nasceu em Lisboa em 1955. Em janeiro de 1981 nascem em Manchester as duas filhas, Sara e Tristana. Em 2000 casou-se com a Maria João Lopes Pinheiro, amor da vida dele. A partir desse ano, dedica-se tanto ao casamento como ao trabalho. Desde 2009 escreve diariamente no Público e, em 2013, passa a ser autor da Porto Editora, a quem confia a obra inteira. É feliz da vida e vive com a Maria João em Colares. |









Comentários
Com tudo isto, quero dizer que posso não me identificar minimamente com o conteúdo de uma obra, mas gostar da mesma. Foi o caso deste livro. É manifestamente "exagerado", bastante depressivo, sofrido e faz uma análise do Amor que não corresponde minimamente ao que penso. Tal não impede, contudo, de acreditar que haja amores que levam ao limite.
Narrado em retrospectiva, permite uma reflexão sobre as relações amorosas que se tomam por adquiridas. Junte-se a isso a sensação de solidão no Amor, quando não se é visto, nem achado, nem sentido e tem-se um livro polémico... O que é conseguido através de avanços e recuos na vida de João. Desde a altura em que ainda vivia com Teresa, até ao lar de idosos onde reside e se permite conversas surreais sobre a temática. Tal é conseguido com frases curtas e directas. E perturbadoras, porque não?...
Confesso que achei algumas das passagens exageradas, principalmente no que diz respeito ao vernáculo, embora tal não me incomode. Tanto é assim, que fiquei com bastante vontade de ler a restante obra do autor. Contudo, a frequência com que tal é usado acaba por ser desnecessária. Quem conhece um pouco do percurso de Miguel Esteves Cardoso, sabe que não envereda por "terrenos" fáceis e "desbrava-os" de forma cáustica.
Por último, uma palavra para a polémica que este livro suscitou quando foi lançado, em 1995. Julgo que, basicamente, terá sido pelo título. Porque quem o tomou por proscrito, não terá tido oportunidade de o ler, certamente. E de ver que, ao seu estilo, Miguel Esteves Cardoso fala dum lado - negro - do amor como ninguém. Aconselho a todos, principalmente aos pudicos e/ou a quem ainda acredita em contos de fadas.