O Ano da Dançarina

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Autora: Carla M. Soares
Género: Romance Histórico
Edição: Abr/2017
Páginas: 392
ISBN: 9789897543029
Editora: Marcador

 

 


No ano de 1918, o jovem médico tenente Nicolau Lopes Moreira regressa da Frente francesa, ferido e traumatizado, para o seio de uma família burguesa de posses e para um país marcado pelo esforço de guerra, pela eleição de Sidónio Pais e pela pobreza e agitação social e política.
No regresso, Nicolau vê-se confrontado com uma antiga relação com Rosalinda, dançarina e amante de senhores endinheirados, e com as peculiaridades de uma família progressista.

Enquanto a Guerra se precipita para o fim e, em Lisboa, se vive a aflição da epidemia e da difícil situação política, a família experimenta o medo e perda, e Nicolau conhece um amor inesperado enquanto trava as suas próprias batalhas contra a doença e os próprios fantasmas.
Este é um romance de grande fôlego, histórico, empolgante e profundo, sobre a superação pessoal e uma saga familiar num tempo de grande mudança e turbulência em Portugal.

Primeiras páginas disponíveis aqui.

Desta autora no Segredo dos Livros:
O Cavalheiro Inglês
A chama ao vento
Alma Rebelde

Autora:

Carla M. Soares nasceu em Moçâmedes em 1971. Formou-se em Línguas e Literaturas Modernas pela Faculdade de Letras de Lisboa e tornou-se professora. Tem um mestrado em Estudos Americanos. A tese de doutoramento em História da Arte, começada na Faculdade onde se formou, aguarda dias mais tranquilos para uma conclusão cuidada. Publicou em 2012 o romance de época Alma Rebelde, com a Porto Editora, e embarcou em 2014 na aventura digital, publicando o romance A Chama ao Vento, com a Coolbooks.

Siga a autora em monsterblues-cms.blogspot.pt

Comentários  

 
#1 Sebastião Barata 2017-04-17 22:59
Antes de entrar na análise do livro, desejo fazer a ressalva de que, em minha opinião, este não é um romance histórico, mas sim um romance do género a que se costuma chamar "romance de época". Mas digo, desde já, que o considero um belo romance de época.

Há semelhanças e diferenças nos dois géneros. Ambos são ficções situadas numa determinada época do passado, que o autor descreve com fidelidade às fontes históricas. A grande diferença é que, enquanto, no romance histórico, o autor utiliza personalidades daquele tempo que tiveram existência real para personagens do livro, no romance de época as personagens são ficcionadas. Só o cenário é verdadeiro. Note-se que o romance histórico não é um livro de História, porque o autor ficciona parte da vida e dos atos das personalidades que compõem a narrativa e, geralmente, rodeia-as de uma ou várias personagens ficcionadas que se revelem necessárias, para dar uma sequência lógica à narrativa, ou contracenarem nas cenas ficionadas das personalidades reais.

No caso de "O Ano da Dançarina", estamos nitidamente perante um romance de época e, na minha opinião, um bom romance de época. Perdoe-me o autor da sinopse que lhe chama "histórico", mas é a minha opinião. Senão, vejamos. A história começa em França, em plena zona de guerra, onde o protagonista da história era tenente médico e acabava de ser gravemente ferido. É procurado e trazido para Portugal por um seu irmão e toda a história vai construir-se à volta dessa personagem, Nicolau Lopes Moreira, e da sua família, uma família burguesa, bem sucedida nos negócios e com ligações ao Brasil. De personalidades da História de Portugal, só vi o Presidente Sidónio Pais que, como sabemos foi eleito em maio daquele ano de 1918 e foi assassinado em dezembro do mesmo ano.

A autora faz muito bem o enquadramento da família Lopes Moreira no espírito da época, o que revela um profundo trabalho de investigação. Vai ao pormenor de descrever Lisboa como era naquele tempo, incluindo nomes de ruas, de jornais, de restaurantes, de hotéis, de casas de diversão, por exemplo. Mostra como era a vida da capital naquela época de fome, em que era preciso improvisar para meter algo na panela; em que quase não havia famílias onde não fossem chorados mortos, gaseados ou estropiados de guerra; em que se vivia uma feroz ditadura, pelo que se podia ser preso, morto ou exilado para as colónias quase sem motivo; em que, ajudadas pela situação, cresciam ideias revolucionárias , incentivadas pela implantação do regime comunista na Rússia e pela desilusão com a jovem República em Portugal. Para agravar mais a situação, foi o ano da pneumónica, uma epidemia feroz que matou uma grande parte da população. São referidas as Aparições de Fátima ocorridas um ano antes, mas a autora não insiste no tema, aliás com alguma lógica, porque ainda eram consideradas pelas classes menos desfavorecidas como uma coisa de miúdos, que não merecia crédito.

Neste ambiente histórico real e verdadeiro, a ficcionada família de Nicolau viveu todos estes dramas de uma forma muito bem imaginada e desenvolvida pela autora. Teve feridos de guerra, teve vítimas da epidemia, teve perseguidos pelo regime, teve voluntários e profissionais que desempenharam um papel importante na luta contra a espanhola, como era conhecida a pneumónica no nosso País. Como família rica, tinha empregados e serviçais domésticos, e também as suas vidas ajudaram a compor uma história muito credível, bem construída e perfeitamente enquadrada no seu tempo.

Penso que haverá alguns leitores que vão achar a história muito tétrica, com desgraças ao virar de cada página. Talvez haja mesmo quem seja tentado a pôr o livro de lado no meio da leitura. A esses incentivo a que continuem até ao fim, porque o verdadeiro amante da leitura não é o que lê com o simples objetivo de tirar prazer da estória. Mas a esses deixo um consolo: também há histórias de amor no livro, com muitas reviravoltas, e podem ter a certeza de que vão ter muitas surpresas e vão gostar do seu final.

Para terminar, dou os parabéns à autora por ter escolhido para cenário do seu romance uma época, mais exatamente um ano, cheio de motivos para proporcionar uma boa história. Foi o que ela fez com muita qualidade, dando-nos um retrato fidedigno de uma crise que foi muito grave para o nosso País e para a Europa e que muitos portugueses, especialmente os mais jovens, provavelmente não conhecem. E, a partir da leitura deste livro, já vão ter uma nova perspectiva, quando virem na Avenida da Liberdade em Lisboa, e em praças de muitas cidades do país, o "Monumento aos Mortos da Grande Guerra".
 

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