O Caçador de Brinquedos

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Autor: João Barreiros
Género: Ficção Científica /Contos
Edição: Out/2019
Páginas: 
ISBN: 9789895451814
Editora: Divergência

 

 


Entre brinquedos robotizados (passíveis a vírus informáticos) e pragas alienígenas, os futuros aqui descritos podem ser carregados de tecnologia, mas nem por isso os humanos serão mais inteligentes ou felizes. São humanos. Como tal, qualquer avanço tecnológico pode ser usado para o desenvolvimento da civilização ou para a guerra. Esqueçam os finais felizes e cor de rosa.

João Barreiros é conhecido pelo sarcasmo ou pelas fortes reviravoltas e este conjunto de contos, diverso em temas, representa todas as melhores facetas do autor.

Deste autor no Segredo dos Livros:
Terrarium (coautoria)

Autor:

João Barreiros é licenciado em Filosofia e ex-professor do ensino Secundário, tendo nascido a 31 de Julho de 1952.
Escritor, editor, crítico e tradutor, já trabalhou com todas as vertentes da publicação. Trata-se de um autor incontornável na ficção científica portuguesa não só por ser o mais prolífero, mas também por ter sido traduzido em diversos idiomas. João Barreiros escreve, dentro da ficção científica, de tudo em pouco, desde contos a romances, desde Space Opera a Steampunk. Independentemente do género, as histórias de João Barreiros caracterizam-se por grandes doses de humor negro e reviravoltas de máximo prejuízo.

Comentários  

 
#1 Sebastião Barata 2020-03-12 16:59
Se gosta de ficção científica, não deixe de ler este livro! João Barreiros é considerado um dos melhores, talvez o melhor escritor português deste género literário e este conjunto de contos são bem a prova disso.

A maioria destes contos são passados no futuro relativamente próximo, quando a humanidade já tiver destruído completamente a Terra e se tiver mudado para os planetas mais próximos. O pano de fundo de alguns deles é a Lua, onde se estabeleceu uma colónia humana, com a ajuda de uma espécie alienígena, os Aranhetas, assim batizada por se assemelharem a insetos. Através de um acordo entre espécies, foram autorizados a estabelecer colónias no sistema solar, com a contrapartida de darem à Lua condições de ser habitada por humanos, aumentando a sua gravidade. Tal vai permitir a existência de uma atmosfera semelhante à da Terra e a importação de gelo dos planetas exteriores, tornando o solo lunar fértil.

Outros contos não têm ligação a este ecossistema. É o caso daquele que dá nome ao livro e se baseia nos desenvolvimento s da inteligência artificial. Todas as crianças têm brinquedos inteligentes, que são meigos e obedientes até ao dia em que se revoltam, matam os seus donos e fogem, criando colónias. Nasce a profissão de "caçador de brinquedos", com o objetivo de caçar e neutralizar os revoltosos. Este conto narra a saga de um desses caçadores.

"O Caçador de Brinquedos" é, de facto, um dos contos mais bem estruturados de acordo com as regras a que deve obedecer o género "contos", mas há muitos outros que ficam na memória do leitor, seja pela sua estrutura narrativa, seja pelo tema ficcional. É difícil destacar os melhores, porque são todos bons. Posso, no entanto, fazer algumas considerações acerca dos que mais me ficaram na memória, para além do já citado "O Caçador de Brinquedos":

Gostei de "A Gaia-Concorrênc ia", onde tudo se passa no Jardim da Estrela em Lisboa, daqui a alguns séculos, quando as grandes corporações industriais estão em órbita e de lá enviam os seus "comerciais" à Terra, os quais lutam até à morte pela conquista de um cliente. É uma história aparentemente ridícula, mas que é uma fábula da nossa sociedade atual.
"Saldos" é um conto que ridiculariza o consumismo, onde o cliente que vai ao engodo dos saldos acaba por sair "tosquiado", "depenado" e tudo o mais que possamos chamar à exploração de que é vítima. Tudo isto numa época de elevado desenvolvimento tecnológico e com o pretexto da aplicação da "Lei do Consumo Compulsivo", criada justamente para 'proteger' o consumidor.
Do conjunto de contos sob o tema geral de "Crónicas do Exílio Lunar", destaco o conto "Kultur komandos", que aconselho de um modo especial aos amantes de literatura. Neste conto, passagens de obras de autores famosos, como Byron, Duras, Proust, Poe, Borges ou Yourcenar, são tanatotextos usados como armas mortíferas na luta entre ninhos de Aranhetas.
Em "O Encantador de Bombas", em vez da literatura, o protagonismo é da música. Do céu caem "bomblettes" cantoras, que cantam músicas conhecidas até pousarem e explodirem. Mas há uma criança a quem as bombas obedecem e cantam para ele ininterruptamen te, nunca explodindo.
Para terminar, refiro o conto "Lobos à Porta" que fecha o livro e que recomendo especialmente a quem tem um cão de companhia e adora o seu amigo animal. É uma história muito terna que exalta a dedicação dos cães aos seus donos, por quem são capazes de dar a vida. Mas serão os donos merecedores de tal dedicação?

Termino com uma recomendação para quem teve a paciência de ler este texto: a ficção científica não é um género hermético, só acessível a um grupo de iluminados. A FC é para todos os leitores. Na prática, é uma espécie dentro da fantasia. E quem não gosta de um bom livro com mundos alternativos que nos façam sonhar?!
 

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“Um livro aberto é um cérebro que fala; fechado, um amigo que espera; esquecido, uma alma que perdoa; destruído, um coração que chora.”
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