O Canto e as Armas

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Autor: Manuel Alegre
Género: Poesia
Edição: Mar/2017
Páginas: 144
ISBN: 9789722061810
Editora: Dom Quixote

 


«Breviário de uma geração, O Canto e as Armas articula paciente, mas indesistivelmente, aquilo que o autor segreda ao ouvido de uma mítica destinatária, a quem interpela como "Penélope que bordas de saudade", e no "amor em que me prendes", e que "é Liberdade", "palavra clandestina em Portugal / que se escreve em todas as harpas do vento."
Contrapondo a incandescência das "armas" a uma outra, e porventura utópica, a do "canto", esta voz remete-nos a um destino hegemónico que consagra os artefactos da alta poesia, os quais, publicados e apreendidos pela censura, mas circulando em cópias manuscritas e dactilografadas, e novamente apreendidas, e novamente publicadas, duram como se verifica quatro décadas mais tarde.

Eis pois o que erige um poeta, e o que o assinala, para além de quanto ele for, e de quanto quiser assinalar. Calem-se definitivamente, ou quase, as armas multímodas, e até as que se guardarem no avesso do gabão para surgirem em solertes assaltos. Só nesse instante o canto, o de Manuel Alegre, e o nosso através dele, poderá escutar-se em perfeita serenidade.» (do Prefácio de Mário Cláudio)

Autor:

Manuel Alegre nasceu em Águeda em 1936 e estudou Direito na Universidade de Coimbra, onde participou ativamente nas lutas académicas. Obrigado a prestar serviço militar, foi mobilizado para Angola, onde participou na primeira tentativa de rebelião contra a guerra colonial. Preso pela PIDE em Luanda durante 6 meses, foi recambiado para a Metrópole, com residência fixa em Coimbra. Seguiu-se o exílio em Argel, onde foi membro diretivo da F.P.L.N. e locutor da rádio Voz da Liberdade. A sua atividade política andou sempre a par da atividade literária e alguns dos seus poemas transformaram-se em hinos de combate ao fascismo, cantados por Adriano Correia de Oliveira ou Manuel Freire. Os seus dois primeiros livros, "Praça da Canção" (1965) e "O Canto e as Armas" (1967), foram apreendidos pela censura, mas passavam de mão em mão em cópias clandestinas, manuscritas ou dactilografadas. Regressado do exílio em 1974, entrou para o Partido Socialista. Foi deputado da Assembleia da República até 2009, foi membro do Governo e tem um lugar no Conselho de Estado. Funcionou muitas vezes como uma espécie de consciência crítica do seu partido, nomeadamente quando concorreu à Presidência da República contra Mário Soares.
Recebeu inúmeros prémios e condecoração nacionais e estrangeiras, destacando-se o Prémio da Crítica do Centro Português da Associação Internacional de Críticos Literários pelo conjunto da sua obra e o Prémio Pessoa 1999. Foi eleito sócio efetivo da Academia das Ciências de Lisboa em 15 de novembro de 2016.
A sua obra poética foi reunida no volume "Trinta Anos de Poesia" (1997). Escreveu também prosa em livros como "Jornada de África" (1989), "Alma" (1995), "A Terceira Rosa" (1998) ou "Cão Como Nós" (2002). Fez uma incursão na literatura infantil, com obras como "Uma Estrela Como Nós" (2005), "Barbi-Ruivo" (2007) ou "As Naus de Verde Pinho" (2014).
Entre as suas obras mais recentes, destaca-se o livro "Senhora das Tempestades" que vendeu 14.000 exemplares só no primeiro mês, o "Livro do Português Errante" e "Cão como nós", que já vai na 20ª edição. A sua obra está editada em diversas línguas, nomeadamente italiano, espanhol, alemão, catalão, francês, romeno e russo.

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“E desde então decidi que a POESIA é a forma mais curta, mais doce, mais explosiva. Para que escrever um romance se é possível dizer o mesmo em dez linhas?”
Charles Bukowski