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| O Cão de Sócrates |
| Quarta, 26 Janeiro 2011 15:40 | |||
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Autor: António Ribeiro «Desta vez fiz asneira e da grossa. Mas como podia eu saber que aquele pedaço de papel que rasguei e comi era tão especial para o meu dono? Todos os dias lhe como e destruo metade dos papéis oficiais e dos despachos que ele tem em cima da secretária e ele não se importa com isso. Aliás, as coisas que já lhe comi, davam para fazer um livro só sobre isso: um DVD intitulado “Espanhol para falar com Chefes de Estado”, um telemóvel que fazia ruídos estranhos quando se atendia (este por acaso até foi o meu dono que me deu para roer), um livro de poemas autografado pelo Manuel Alegre (ainda por abrir!), uma fotografia do presidente da República que estava a marcar as Páginas Amarelas, três ou quatro orçamentos de Estado (são sempre os mais difíceis de roer). Sempre que tenho estes impulsos de rafeiro, o meu dono faz-me aquela falsa cara de mau e diz-me “Não, pá, isso não pá, larga pá!” mas depois ou toca o telemóvel e ele distrai-se com a conversa ou acaba por esboçar um sorriso e perdoar-me. Desta vez não. Foi tudo muito diferente. Enfim, a culpa é minha. Tinha de acabar em desgraça esta minha mania de me atirar a tudo o que é papel oficial. E o que mais me causa estranheza é que desta vez só roí um papel, um miserável papel. (…) Este era fininho, uma folha apenas, estava cheio de números e letras e tinha um emblema no cimo da página. Uma coisa aparentemente rasca, sem valor mas afinal era valiosíssima! Como é que eu ia saber que aquilo era o certificado de habilitações do meu dono, do seu curso de engenheiro?» Um rafeiro retirado de um canil para viver uma vida de glória, fama e proveito em São Bento. Pela trela ou ao colo, nos momentos difíceis ou nas horas de triunfo, o cão foi uma testemunha ocular e privilegiada do dia-a-dia do chefe do Governo ao longo dos últimos anos. Do Tratado de Lisboa à Cimeira da NATO, das frias relações institucionais com o presidente da República aos calorosos apertos de mão das grandes figuras da política internacional, da crise do Orçamento de Estado para 2011 aos prós e contras da entrada do FMI em Portugal, o cão dá a sua opinião sobre tudo o que aconteceu nos últimos anos num relato detalhado, inédito e original sobre os bastidores da mais alta política portuguesa PS: o cão encontra-se à procura de novo dono. Aceitam-se inscrições. Obrigado!
Autor:
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| Actualizado em Terça, 22 Março 2011 13:36 |
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Comentários
Está realmente fantástico! Escrito num tom humorístico, encontramos por ali grandes verdades que nos fazem entender perfeitamente os passos que levaram Sócrates a cair.
Mas não é só sobre Sócrates que o seu cão deprimido e a comprimidos desabafa. É também de toda a máquina do ex-governo socialista, e é claro, da oposição.
Para quem não é grande apreciador de política, ou que como eu apenas se mantém minimamente informado e atento, este é um livro perfeito, pois mostra-nos um outro lado sobre os senhores que governam (ou desgovernam) este nosso país, ao mesmo tempo que damos umas gargalhadas.
Quem gosta de política e tem uma mentalidade aberta apreciará, com toda a certeza, esta sátira inteligente.
Muito bom!
Narrado por um cão que faz do seu dono a figura central da narração, amiúde, e por força da situação, acaba por visar outros políticos nacionais e internacionais.
Recomendado para quem sofre de tristeza e depressão esporádica. Numa manhã/tarde, melhora substancialment e.
Não me importava nada de ter um cão destes :)
Mostra a política do nosso país de uma forma completamente inovadora. E a relação dele com o seu público?, sem comentários. Vou oferecê-lo à minha mãe agora pelo dia da mãe, tenho a certeza de que ela vai adorar.
Trata-se de um livro muito fácil de ler, de discurso simples e com muito humor, organizado por situações/temas com poucas páginas, onde o cão narra o sucedido de forma hilariante.
Se gosta de acompanhar a vida política, ou se não gosta mas adora dar umas boas gargalhadas, este é um livro para si.
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