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| O Chalet da Memória |
| Segunda, 14 Novembro 2011 18:25 | |||
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Autor: Tony Judt Esta obra resulta das memórias de Judt escritas durante o período da sua doença, memórias "arrumadas" pelo autor como os diversos quartos de um chalet suíço que visitara em criança.
«Já doente há uns meses, percebi que, durante a noite, escrevia histórias completas na minha cabeça. Não há dúvida de que procurava o esquecimento, e trocava a contagem de carneiros pela complexidade narrativa, com o mesmo efeito. Mas durante estes pequenos exercícios, percebi que estava a reconstruir – como se fosse um lego – segmentos entrelaçados do meu próprio passado que antes nunca pensara que estivessem relacionados. Em si mesmo, isto não era grande feito: os fluxos de consciência que me levavam de um motor a vapor para a minha aula de alemão, das linhas de autocarro de Londres cuidadosamente traçadas à história do planeamento urbano do período entre guerras – eram suficientemente fáceis de lavrar e, por isso, seguiam em todo o tipo de direções interessantes. Mas como conseguiria eu recuperar no dia seguinte esses sulcos meio enterrados?» Tony Judt “O Tony foi um lutador e combateu a sua doença com toda a força e determinação. ‘Mas o inferno não é uma experiência transmissível’, disse. Então o melhor é falar de outras coisas: amigos, bêtes noires, política, livros.” Autor:
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| Actualizado em Segunda, 06 Fevereiro 2012 10:12 |
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Comentários
Devido a complicações da sua doença (esclerose lateral amiotrófica), Judt perdeu os movimentos do pescoço para baixo, obrigando-o a ficar imobilizado, impedimento que o levou a analisar todo o seu passado e as memórias da sua vida, que conta neste livro. Foi uma análise profunda que o levou a recordar-se, por exemplo, dos cheiros que encontrava na rota que fazia no autocarro da sua casa até à outra ponta de Londres.
Na minha opinião, o facto de o escritor ter perdido a mobilidade e o sentido do tato levou-o, nas longas noites de imobilidade, a recordar como havia vivido a sua vida, quando ainda não lhe havia sido diagnosticada a doença.
A interrogação inquietante enquanto estado permanente, a aceitação de algo que nos esvazia de seres pensantes e dotados desse processo maravilhoso que é saber comunicar. Graças a ele, passamos o nosso conhecimento de geração em geração. Construímos(nos ) saber e partilhamos saber, será isso de facto o que realmente nos distingue dos outros animais.
A morte assusta-nos, intriga-nos, fascina-nos? Um pouco como aquela definição de amor que li uma vez: cedemos ao amor, porque este nos dá uma certa noção do desconhecido.
Maria Filomena Mónica escreveu e bem “que nos tempos de crise os meus compatriotas estão mais preocupados a tratar da vida do que da morte, o que tem como corolário deixar o nosso fim nas mãos dos políticos, dos padres e dos médicos. Uma atitude perigosa.”
A temática da morte foi considerada ao longo da história literária através de várias perspectivas e, no meu caso, também suscita obviamente curiosidade em ler sobre o assunto, embora tenha uma preferência para ler e escrever sobre a vida e isto, principalmente, porque a vida que cada um de nós conhece, é decerto rica em memórias e testemunhos únicos que devemos partilhar ainda em vida.
Assim fez o historiador e escritor britânico Tony Judt no seu livro “O Chalet da Memória” (tradução portuguesa Edições 70).
A doença (esclerose lateral amiotrófica – ELA), não impediu Judt de continuar a escrever nos últimos meses de vida e, apesar de ser uma prova e um testemunho doloroso, é também um hino e uma lição de vida que percorre a alma do autor, bem como a visão que tem do mundo, tendo por base essa viagem ao passado e às memórias, tal e qual como muitos de nós o fazemos no silêncio de uma noite em que viajamos por memórias que pensávamos extintas, mas que naquele momento se avivam como imagens dentro de nós.
“O Chalet da Memória” é essa viagem no tempo, de alguém que cresceu no período complicado do pós-guerra, que nos partilha pedaços de história, bem como as consequências ou reflexões que podem ser feitas actualmente.
“Mas quem é que anda pelo apartamento a apagar luzes e a ver torneiras que pingam? Quem é que, numa era de substituição instantânea, ainda prefere remediar-e-reparar? Quem é que recicla os restos de comida e guarda papel de embrulho usado? Os meus filhos dão um toque cúmplice, com o cotovelo, aos amigos: o pai cresceu na pobreza. Nada disso, corrigi-os: cresci na austeridade”
Para Judt, cujas duas décadas a seguir à queda do muro de Berlim foram desperdiçadas por um homem que se converteu à ganância. Afinal, parece que nada aprendemos com a história do Século XX.
Peço desculpa pela presunção, mas recomendo ao Homem uma viagem ao seu passado numa dessas noites passadas em silêncio e se for necessário, recomeçar de novo.
Opinião do membro SL Nuno Teixeira.
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