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O Cônsul Desobediente
Quinta, 24 Setembro 2009 22:18

Autora: Sónia Louro
Género: Romance Histórico
Formato: 16 x 23 cm
Páginas: 416
Editora: Saída de Emergência

Há pessoas que passam no mundo como cometas brilhantes, e as suas existências nunca serão esquecidas. Aristides de Sousa Mendes foi uma dessas pessoas. Cônsul brilhante, marido feliz, pai orgulhoso, teve a sua vida destruída quando, para salvar 30.000 vidas, ousou desafiar as ordens de Salazar.
Nascido numa família com laços à aristocracia, Aristides cursa Direito em Coimbra e opta por uma carreira consular. Vive nos locais mais exóticos de África e nos mais cosmopolitas da Europa. Cônsul em Bordéus durante a Segunda Guerra, é procurado por milhares de refugiados para quem um visto para Portugal é a única salvação. Sem ele, morrerão às mãos dos alemães.
Infelizmente, Salazar, adivinhando as enchentes nos consulados portugueses, proibira a concessão de vistos a estrangeiros de nacionalidade indefinida e judeus. Sob os bombardeamentos alemães, espremido entre as ameaças de Salazar, as súplicas dos refugiados e sua consciência, Aristides sente-se enlouquecer. E então toma a grande decisão da sua vida: passar vistos a todos quantos os pedirem. Salvará 30.000 inocentes mas destruirá irremediavelmente a sua vida.
Esta é a história de um grande português. De um herói com uma coragem sem limites. Só é possível compreender o seu feito se nos colocarmos no seu lugar: destruiríamos a nossa vida e a da nossa família em nome da caridade e do amor ao próximo? Até ao seu derradeiro fôlego, Aristides nunca se arrependeu.

Autora:
Sónia Louro nasceu em 1976 em França.
Desde cedo apaixonada pelas Ciências e pela Literatura, acabou por optar academicamente pela primeira, mas nunca abandonou a sua outra paixão.
Licenciou-se em Biologia Marinha, mas não perdeu de vista a Literatura, à qual veio depois a aliar a um outro interessa: A História. Fruto desse casamento, este é o seu terceiro romance histórico.
Comentários
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João Teixeira  - Um livro demasiado grande   |16:41:24 03-11-2009
Este é o segundo livro que leio através do Segredo dos Livros e cumpre-me agora uma acção algo ingrata. No entanto, como prometi a mim mesmo e aos leitores deste site que seria o mais honesto possível no que respeita às minhas opiniões, manter-me-ei fiel a esse princípio.
Ora bem, o que eu tenho para dizer é que julgo que este livro peca por ser demasiado grande. Quando o recebi cá em casa assustei-me com o seu tamanho e temi que a autora tivesse exagerado ao pormenor a descrição da vida de Aristides de Sousa Mendes. As minhas suspeitas confirmaram-se à medida que fui avançando na leitura. Sónia Louro, na tentativa de tornar o seu relato credível e de acordo com a realidade histórica, tenta incorporar todo e qualquer episódio de que teve conhecimento por que Sousa Mendes e a sua família passaram. O problema é que nem todos os episódios são interessantes e não se justifica que aqui sejam abordados.

É claro que todos nós podemos reconhecer nos actos de Sousa Mendes a sua coragem, mas não devemos esquecer que ele foi, como o próprio título deste livro indica, um cônsul desobediente. Sónia Louro bem tenta dar alguma profundidade ao conflito inerior de Sousa Mendes entre cumprir as ordens que o Estado português exigia e a sua própria consciência. Mas, na minha opinião, não o consegue fazer da melhor forma, pois parte claramente do princípio de que aquele homem é um herói. Isto acaba por não deixar muito espaço à 'personagem', a qual seria mais importante desenvolver, de forma a não a tornar tão plana e aborrecidamente desinteressante. (Veja-se, a título de exemplo, que este pai de família com uma moralidade superior não deixou de dar uma facadinha no matrimónio, chegando mesmo a ter um filho fora dele! Apesar de a autora abordar vagamente essa questão, não se detém muito nela).

Enfim, para concluir, gostava apenas de dizer que não gostei especialmente de ler este livro, por ser um pouco maçador. No entanto, não posso ser injusto, e tenho de dizer que, apesar de não estar escrito de uma forma inovadora, Sónia Louro tem mérito, porque se vê bem que fez um aturado trabalho de pesquisa em relação à vida de Aristides de Sousa Mendes. Só é pena é que, ao apresentar essa mesma pesquisa de forma ficcionada, tirou toda a credibilidade que o livro poderia ter enquanto biografia. Esta é, portanto, uma biografia mascarada de romance histórico. E isso faz com que seja uma má biografia e, simultanemante, um mau romance histórico. (Flagrantes são as notas de rodapé que vão surgindo ao longo do livro para sustentar aquilo que o narrador afirma. Ora, se este livro se trata de ficção, essas notas não deveriam aparecer, pelo menos em nota de rodapé).

Apesar de esta não ter sido a leitura mais estimulante dos últimos tempos para mim, queria salvaguardar que esta é uma história que poderá ser apreciada por todos aqueles que queiram saber mais (e exaustivamente...) sobre a vida deste homem que ousou desafiar o Estado Novo. E isso por si só, poderá ser razão para que se dê uma oportunidade a este livro.
maria afonso   |18:31:30 22-11-2009
Porque é não se fala mais neste homem?
Conhecia a sua história por alto mas não tinha ideia da magnitude do seu gesto. 30 000 pessoas salvas pela sua "desobediência"... fiquei fã.
Quanto ao livro em si, acho que enferma dos mesmos pecados dos romances históricos que pululam por aí: embora admita que a autora tenha feito uma investigação cuidadosa (as frequentes notas de rodapé assim o atestam) creio que ela devia ter tido mais cuidado com a forma. Ou é uma biografia e não faz floreados romanceados ou é um romance e então abstém-se de fazer tantas citações. De resto, confesso que li várias páginas na diagonal. Não eram necessárias tantas informações para provar um ponto de vista. E o recurso a analepses também não foi muito feliz. A maior parte dos acontecimentos poderiam perfeitamente ser apresentados por ordem cronológica.
Do conteúdo tenho a dizer que nos dá uma imagem muito interessante do homem que foi Aristides Sousa Mendes, do seu casamento feliz com Angelina, dos seus 14 filhos e da sua vida itinerante como Cônsul de Portugal, em Zanzibar, no Brasil, na China, na Bélgica e finalmente em Bordéus onde desempenha as suas funções quando começa o êxodo dos judeus que fogem a Hitler. Portugal é a sua última esperança para fugirem à perseguição e à revelia e contra as ordens expressas para que não o faça, Aristides com a ajuda do pessoal do consulado, dos seus filhos mais velhos e de Krueger, um rabino judeu, passou milhares de vistos para que essas pessoas pudessem fugir para Portugal.
Acaba na miséria na companhia de Andrée uma francesa com quem se casa depois de viúvo e que nunca foi aceite pela família.
Uma estória impressionante.
fernanda carvalho   |09:52:56 04-01-2010
Até há bem pouco tempo não fazia ideia de quem foi Aristides de Sousa Mendes. Não imaginava o acto grandioso que levou a cabo, nem os resultados dessa atitude. Aristides de Sousa Mendes optou por desobedecer a uma ordem de Salazar e levou a cabo uma das maiores acções de salvamento orquestradas na Europa, aquando do inicio do terror nazi.

Pela sua mão consta-se terem sido salvas cerca de 30 mil pessoas. Apesar de saber que as suas acções teriam repercussões não hesitou… e na verdade acabou por morrer na miséria, tendo sido remetido à indiferença pelo estado português. Só há bem pouco tempo é que lhe foi dada a devida importância, e finalmente pudemos conhecer o carácter de um verdadeiro herói.

Devo ressalvar no entanto que não me agradou particularmente a forma como a história foi narrada pela autora, Sónia Louro. Ela optou por intercalar o percurso de vida do consul, desde a mais tenra idade, com os acontecimentos dramáticos que o tornaram conhecido. Talvez tivesse tornado a leitura menos "maçuda" se houvesse um desenrolar natural da história da vida de Aristides.

Mas é sem dúvida uma história a não perder.
Tanea Lopes Costa   |22:12:57 03-02-2010
Aristides de Sousa Mendes foi um nome que ouvi em casa desde pequena. Inúmeras vezes os meus pais me contaram a história de um homem que, apenas por passar vistos, salvou a vida a milhares de pessoas durante a 2ª guerra Mundial.

Sempre tive curiosidade para saber mais.

Acho que o livro, por estar escrito em forma de romance, consegue chegar a mais público, logo isso é positivo, pois é bom recordar a vida deste grande homem e dar a conhecer a mais gente.
No entanto, por ser um romance, perde alguma qualidade e torna-se muito maçador em algumas partes. Penso que uma biografia se adequava melhor.

De louvar o excelente trabalho de pesquisa histórica feito pela autora.

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