O Cônsul Desobediente

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Autora: Sónia Louro
Edição: Out/2009
Páginas: 416
ISBN: 9789896371623
Editora: Saída de Emergência

 

 


Há pessoas que passam no mundo como cometas brilhantes, e as suas existências nunca serão esquecidas. Aristides de Sousa Mendes foi uma dessas pessoas. Cônsul brilhante, marido feliz, pai orgulhoso, teve a sua vida destruída quando, para salvar 30.000 vidas, ousou desafiar as ordens de Salazar.

Nascido numa família com laços à aristocracia, Aristides cursa Direito em Coimbra e opta por uma carreira consular. Vive nos locais mais exóticos de África e nos mais cosmopolitas da Europa. Cônsul em Bordéus durante a Segunda Guerra, é procurado por milhares de refugiados para quem um visto para Portugal é a única salvação. Sem ele, morrerão às mãos dos alemães.
Infelizmente, Salazar, adivinhando as enchentes nos consulados portugueses, proibira a concessão de vistos a estrangeiros de nacionalidade indefinida e judeus. Sob os bombardeamentos alemães, espremido entre as ameaças de Salazar, as súplicas dos refugiados e sua consciência, Aristides sente-se enlouquecer. E então toma a grande decisão da sua vida: passar vistos a todos quantos os pedirem. Salvará 30.000 inocentes mas destruirá irremediavelmente a sua vida.
Esta é a história de um grande português. De um herói com uma coragem sem limites. Só é possível compreender o seu feito se nos colocarmos no seu lugar: destruiríamos a nossa vida e a da nossa família em nome da caridade e do amor ao próximo? Até ao seu derradeiro fôlego, Aristides nunca se arrependeu.

Autora:

Sónia Louro nasceu em 1976 em França. Desde cedo apaixonada pelas Ciências e pela Literatura, acabou por optar academicamente pela primeira, mas nunca abandonou a sua outra paixão. Licenciou-se em Biologia Marinha, mas não perdeu de vista a Literatura, à qual veio depois a aliar a um outro interesse: a História.
Fruto desse casamento, já publicou entre nós A Vida Secreta de Dom Sebastião, O Cônsul Desobediente, A Verdadeira Peregrinação, Amália - O Romance da Sua Vida, Fernando Pessoa - O Romance e Eusébio - O Romance e ainda participou em Pulp Fiction Portuguesa, com outros autores. Sofisticada e minuciosa, é apaixonada pelas obras que escreve.

Comentários  

 
#7 Cristina Delgado 2010-11-03 15:05
Entre a sua consciência e uma ordem dada por Salazar, Aristides optou pela primeira, aquela que lhe trazia paz de espírito, salvando, assim, milhares de pessoas que se queriam refugiar em Portugal e pondo a sua vida em perigo e a da sua família. Deveria ser mais lembrado e conhecido, este homem que, face ao perigo, conseguiu pensar nos outros e no bem que poderia proporcionar...
 
 
+1 #6 Sebastião Barata 2010-04-15 16:47
A atitude de Aristides de Sousa Mendes, ao conceder muitos milhares de vistos de entrada em Portugal, à revelia das instruções expressas do Governo Português, deve ser encarada por diversos ângulos:
Como funcionário do Estado, a atitude não pode deixar de ser condenável. Era só o que faltava, se os funcionários públicos deixassem de aplicar as leis, só porque não estão de acordo com elas! Por isso, foi alvo de um processo disciplinar e correctamente demitido do seu cargo.
Como humanista e cristão fervoroso, entre o dilema de cumprir ordens e os ditames da sua consciência, optou por seguir a última, salvando aquelas pessoas do sofrimento e da morte provável. Estava, ou devia estar consciente das consequências que tal opção traria para si e para o bem-estar da sua esposa e dos seus filhos, muitos deles ainda crianças, que em nada tinham contribuído para a situação.
Como pessoa e pai de família, mostrou-se pouco responsável, ser um megalómano, um mau gestor dos seus proventos e dos bens herdados, ser dado ao facilitismo e à improvisação, não medir bem as consequências dos seus actos, o que o arrastou para o acto final que o levou à ruína, na presunção de que, mais uma vez, Salazar e o Governo iriam relevar a falha.
Porém, embora bem castigado pelo seu acto, Aristides de Sousa Mendes foi injustamente vítima do regime ditatorial que era o do Estado Novo e do déspota que era Salazar. De facto, após a conclusão do seu processo disciplinar, não deixou de ser perseguido e humilhado até à morte, bem como toda a sua família. Ele que era um admirador de Salazar, que o julgava um bom cristão e uma pessoa compreensiva, foi forçado da pior forma, a descobrir a vilaneza que havia por baixo daquela capa de “santidade” que o ditador aparentava e fazia passar, com o apoio da corja que o rodeava e a vigilância da polícia política.

No meu entender, é um livro bem escrito, mais história do que romance. Se bem creio, todos os acontecimentos, lugares e pessoas que a autora apresenta são reais, sendo somente ficcionado o que poderíamos chamar a dramatização, isto é, os diálogos. Sem dúvida que a história assim dramatizada fica muito mais atractiva para os potenciais leitores, que são levados a vivenciar os acontecimentos com muito mais proximidade, do que a apresentação nua e crua dos factos históricos.
Quanto à técnica de intercalar os factos da vida passada do protagonista com os acontecimentos que são o objecto próximo do livro, em capítulos alternados, é uma forma de escrever muito em uso que, a meu ver, visa colocar em paralelo os factos com os seus antecedentes. Se é verdade que pode dificultar a compreensão do desenrolar da trama romanesca, também é verdade que, ao actualizar o passado, põe em evidência que a história não podia deixar de acabar da maneira como acaba, que as situações não apareceram do nada e que tudo tem uma génese e uma evolução.
Vários autores têm utilizado esta técnica de uma forma magistral. Lembro, por exemplo, Toni Morrison, autora norte-americana galardoada com o Prémio Nobel.
 
 
#5 Angelina Rosa Nogueira Santos Violante 2010-03-30 11:53
Realmente, este livro foi, para mim, cheio de surpresas, pois nunca pensei que pudessem fazer o que fizeram ao pobre homem. O discurso de Salazar aquando do fim da guerra é ridículo: o país recebeu louvores de toda a Europa pelos feitos de um homem que considerou como irresponsável e medíocre.
Eu soube da existência deste ser maravilhoso aquando do concurso da RTP sobre os maiores Portugueses do século XX, pois, antes disso, nem sabia da sua existência e, por isso, a curiosidade em ler este livro.
Mas parece-me que a actual situação não é melhor da que estava no tempo do Cônsul, pois, enquanto andei na escola, não sei se ainda se passa o mesmo, nunca se falou nele, nem tão pouco no seu esplêndido trabalho. Eu admito que, se estivesse no seu lugar, não sei se teria coragem de fazer o que ele teve coragem para fazer.
 
 
#4 Tanea Lopes Costa 2010-02-03 22:12
Aristides de Sousa Mendes foi um nome que ouvi em casa desde pequena. Inúmeras vezes os meus pais me contaram a história de um homem que, apenas por passar vistos, salvou a vida a milhares de pessoas durante a 2ª guerra Mundial.

Sempre tive curiosidade para saber mais.

Acho que o livro, por estar escrito em forma de romance, consegue chegar a mais público, logo isso é positivo, pois é bom recordar a vida deste grande homem e dar a conhecer a mais gente.
No entanto, por ser um romance, perde alguma qualidade e torna-se muito maçador em algumas partes. Penso que uma biografia se adequava melhor.

De louvar o excelente trabalho de pesquisa histórica feito pela autora.
 
 
#3 fernanda carvalho 2010-01-04 09:52
Até há bem pouco tempo não fazia ideia de quem foi Aristides de Sousa Mendes. Não imaginava o acto grandioso que levou a cabo, nem os resultados dessa atitude. Aristides de Sousa Mendes optou por desobedecer a uma ordem de Salazar e levou a cabo uma das maiores acções de salvamento orquestradas na Europa, aquando do inicio do terror nazi.

Pela sua mão consta-se terem sido salvas cerca de 30 mil pessoas. Apesar de saber que as suas acções teriam repercussões não hesitou… e na verdade acabou por morrer na miséria, tendo sido remetido à indiferença pelo estado português. Só há bem pouco tempo é que lhe foi dada a devida importância, e finalmente pudemos conhecer o carácter de um verdadeiro herói.

Devo ressalvar no entanto que não me agradou particularmente a forma como a história foi narrada pela autora, Sónia Louro. Ela optou por intercalar o percurso de vida do consul, desde a mais tenra idade, com os acontecimentos dramáticos que o tornaram conhecido. Talvez tivesse tornado a leitura menos "maçuda" se houvesse um desenrolar natural da história da vida de Aristides.

Mas é sem dúvida uma história a não perder.
 

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