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| O Coração de Murano |
| Terça, 19 Julho 2011 22:45 | |||
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Autora: Marina Fiorato O fabrico de vidro e cristal representa um inestimável monopólio para a República e os espelhos venezianos são considerados mais valiosos do que o ouro. Sob a vigilância atenta do Conselho dos Dez, os sopradores de vidro de Murano vivem praticamente aprisionados na pequena ilha, onde os segredos do seu ofício são guardados a sete chaves. Mas o maior dos artífices, Corradino Manin, ver-se-á forçado a revelar os seus métodos e a vender a alma a Luís XIV, o Rei Sol, para proteger a sua filha ilegítima. Autora:
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Comentários
A história é contada entre o passado e o presente de forma harmoniosa e encadeada, enredando o leitor numa teia de intrigas e mistério. Confesso que aquilo de que mais gostei neste livro foi da parte referente ao trabalho do vidro, à reclusão exigida aos mestres vidreiros e à paixão que estes homens dedicavam à sua arte. Em suma, do que mais gostei foi da parte histórica do livro.
Quanto às personagens, por um lado temos Leonora, uma mulher que, ao sofrer uma grande desilusão de amor, decide partir para Veneza, numa tentativa de encontrar-se, tentando fazer as pazes consigo mesma e conciliar-se com o passado. Por outro lado, temos Corradino, um mestre vidreiro renascentista, antepassado de Leonora, o melhor entre os melhores, que, devido às circunstâncias da vida, vê-se envolvido num conflito de interesses, num jogo perigoso, no qual tudo pode perder. Corradino, foi sem dúvida a minha personagem preferida, talvez por todo o mistério que o cercava e pelo amor e dedicação que tinha pelo vidro.
Esta foi a minha primeira incursão pela escrita de Marina Fiorato e devo que confessar que foi surpreendente encontrar uma escrita rica, fluída, harmoniosa, com um ritmo adequado. Sendo de salientar a capacidade da autora em descrever cenários que convidam o leitor a embrenhar-se pelos canais e ruas empedradas de Veneza, se antes já tinha curiosidade em conhecer esta cidade, agora a curiosidade tornou-se num desejo fervoroso. Adorei e recomendo vivamente.
Com mistério q.b., este livro consegue transmitir-nos o valor, nessa época passada do renascimento, dos conhecimentos sobre o fabrico do vidro e a que nível os seus segredos eram guardados, muitas vezes pagando com a própria vida.
As referências históricas encantaram-me e os aspectos referidos em relação ao fabrico de vidro, sobretudo na ilha de Murano, são muito fiéis ao que foi a realidade de muitos cristaleiros de então. Um dos aspectos que desconhecia, foi a razão pela qual essa arte se deslocou de Veneza para Murano: os edifícios venezianos eram construídos, na sua maior parte, em madeira, sendo o risco de incêndio muito elevado, o que provocou o isolamento esses fazedores de vidro nessa ilha perto de Veneza! Com códigos de conduta muito restritos, os cristaleiros viviam como que aprisionados na ilha de Murano.
Gostei da alternância entre passado e presente, e achei que a passagem entre um e outro está, neste livro, particularmente bem conduzida, não havendo aspectos menos apelativos nesta leitura e conseguindo manter o interesse do leitor.
É uma narrativa fluída, que nos leva a viajar pelas cidades de Veneza e Paris, e nos fala dos valores da Família e de quanto somos capazes de lutar para limpar/defender o nome daqueles que mais amamos.
Apesar de não me ter arrebatado, recomendo.
Gostei particularmente da linguagem rica e acutilante de Marina Fiorato ao descrever tão bem sensações e espaços em Veneza e Paris, que nos transporta para esse mundo que percepcionamos.
Manuseável nas suas dimensões e com uma letra adequada, este é um bom romance para nos acompanhar no nosso dia-a-dia, em breves momentos de leitura.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Murano
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cristal_murano
http://www.metacafe.com/watch/768893/handmade_murano_glass/
E qual a ligação entre Veneza e a ilha de Murano, além de nos dar uma descrição da ilha em termos de monumentos, cultura, tradições e costumes, como se vivia na época de Corradino Manin e agora na época de Nora Manin, etc. No meu humilde entender, o que dá beleza à história em si é vermos que, por causa de um engano sentimental, a personagem principal sentiu necessidade de ir buscar as suas origens ao passado. Mas também como um nome do passado pode ainda ter tanto significado no presente e ajudar a mudar por completo a vida de uma pessoa. Neste livro, também se pode ver como era visto o amor fora do casamento em diferentes épocas e como os/as filhos/as fora do casamento eram tratados.
Mas este livro vale por nos contar a história de flash-backs da produção do vidro na ilha de Murano e como há diferenças entre um presente (onde já existem imensas fábricas de produção de vidro) e um passado, em que a produção de vidro estava quase nas mãos de uns poucos mestres que sabiam os segredos desta arte. É um livro que recomendo ler, por isto e não pelo romance ou vida da personagem principal (Nora Manin). E também vale a pena ler por causa de uma simples coisa: como a nossa vida pode dar tantas voltas e o que hoje é, amanhã poderá já não o ser.
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