Participe neste fantástico passatempo e habilite-se a ganhar exemplares dos livros "Eterna Saudade" e "Steve Jobs nas suas Próprias Palavras". Para mais informações clique aqui.
| O Evangelho do Enforcado |
| Sexta, 05 Fevereiro 2010 21:03 | |||
![]() Autor: David Soares Formato: 16x23cm Páginas: 368 Editora: Saída de Emergência Nuno Gonçalves, nascido com um dom quase sobrenatural para a pintura, desvia-se dos ensinamentos do mestre flamengo Jan Van Eyck quando perigosas obsessões tomam conta de si. Ao mesmo tempo, na sequência de uma cruzada falhada contra a cidade de Tânger, o Infante D. Henrique deixa para trás o seu irmão D. Fernando, um acto polémico que dividirá a nobreza e inspirará o regente D. Pedro a conceber uma obra única. E que melhor artista para a pintar que Nuno Gonçalves, estrela emergente no círculo artístico da corte? Mas o pintor louco tem outras intenções, e o quadro que sairá das suas mãos manchadas de sangue irá mudar o futuro de Portugal. Entretecendo História e fantasia, O Evangelho do Enforcado é um romance fantástico sobre a mais enigmática obra de arte portuguesa: os Painéis de São Vicente. É, também, um retrato pungente da cobiça pelo poder e da vida em Lisboa no final da Idade Média. Pleno de descrições vívidas como pinturas, torna-se numa viagem poderosa ao luminoso mundo da arte e aos tenebrosos abismos da alienação, servida por uma riquíssima galeria de personagens. Autor: Escritor e ensaísta, David Soares foi galardoado com dois troféus para Melhor Argumentista Nacional pelos seus álbuns de banda desenhada. Autor publicado em França (Frémok), os seus trabalhos mais recentes são os livros Os Ossos do Arco-Íris (Saída de Emergência) e As Trevas Fantásticas (Polvo). Participou em diversas antologias relacionadas com a literatura fantástica, como A Sombra Sobre Lisboa (Saída de Emergência), Ficções Científicas & Fantásticas (Chimpanzé Intelectual) e o livro O Homem Que Desenhava na Cabeça dos Outros, de Pedro Zamith (Oficina do Livro).
|
|||
| Actualizado em Quarta, 21 Abril 2010 22:05 |
Os nossos Passatempos têm o prestimoso contributo das Editoras que colaboram connosco.
Para ver os resultados dos passatempos mais recentes clique aqui.
| Re:Vendo ou troco (RaquelCollin) RaquelCollin 6.2.2012 23:19 |
| Re:As nossas wislists wasp 6.2.2012 23:09 |
| Re:6 de Fevereiro - AnaisNin RaquelCollin 6.2.2012 22:45 |
| Re:A Guarda Negra vibarao 6.2.2012 22:27 |
| Re:6 de Fevereiro - AnaisNin Paula_Belita 6.2.2012 22:20 |
Comentários
O próprio título já diz muito sobre o seu conteúdo: "Evangelho" lembra Jesus Cristo, mas ele foi crucificado, não foi enforcado. Além disso, esta obra não é sobre Cristo, nem nenhuma das personagens principais foi enforcada.Porque então este título?
A meu ver, há duas razões:
O autor pretende estabelecer um certo paralelismo entre Cristo, cuja doutrina não foi compreendida pelos senhores do seu tempo e Nuno Gonçalves, cuja arte não foi aceite pelos governantes da sua época;no entanto, ambas eram sublimes e vieram a impôr-se nos séculos seguintes.
A segunda razão para este título é a subversão que o autor dá à interpretação mais comum que tem sido dada aos painéis; é como se agora se viesse a descobrir que Cristo, afinal, foi enforcado e não crucificado.
Outro motivo para este paralelismo entre Cristo e Nuno Gonçalves que David Soares pretende realçar é a constante citação da Bíblia; e fá-lo em latim sem tradução, como quem diz que o que interessa não é o texto, mas dizer que aquilo também se aplica a Nuno Gonçalves.
É, na verdade, uma obra fantástica, difícil de classificar, mas muito interessante e fácil de ler. Recordo a apresentação deste livro que foi feita em Fevereiro de 2010 na FNAC do Colombo, onde se disse que, apesar da ampla bibliografia, não era uma obra histórica, mas de ficção. Aliás, o autor afirmou que não tinha qualquer pejo em adulterar os factos históricos, sempre que tal interessava ao desenrolar da narrativa. Apesar disso, está recheada de informação histórica sobre Portugal na primeira metade do século XV, de uma forma muito densa, o que revela o trabalho hercúleo do autor para a escrever.
O autor tenta, de uma forma bem documentada, mas totalmente ficcionada, explicar a origem dos famosos painéis de S. Vicente, criados pelo pintor Nuno Gonçalves, ao mesmo tempo que nos retrata um Portugal medieval.
Mesmo que por alguns momentos me tenha sentido inquieta com a fria crueza do que lia, não posso deixar de admitir que este é um grande livro e que mudei completamente a ideia que tinha acerca deste autor português.
Uma excelente leitura.
De resto, acho que este livro está muito bem escrito e que as personagens estão muito bem construídas. Não é o primeiro livro que leio que fala acerca da Ínclita Geração e julgo que ela aqui está muito bem retratada, nomeadamente o maquiavelismo do Infante D. Henrique, a fragilidade do Infante Santo, a inteligência de D. Pedro, Duque de Coimbra, e todas as intrigas da corte dos reinados de D. Duarte e de D. Afonso V.
Julgo que os "Apontamentos" finais que vêm no fim do livro são muitos úteis, pois ajudam a compreender melhor quais os objectivos do autor quando escreveu este livro e, além disso, ajudam a perceber que ele fez um aturadíssimo trabalho de pesquisa histórica para construir esta narrativa que se passa no Portugal do século XV. Detectei uma incorrecção histórica (que creio ter-se devido a um erro de revisão, mais do que do autor: a determinada altura, na página 128, diz-se que Isabel, filha de D. João I, se casou com Filipe de "Bolonha", quando o correcto é "Borgonha"). Alguns diálogos entre as personagens parecem-me ser algo anacrónicos (pois elas utilizam palavras que não faziam parte do vocabulário do Português quatrocentista, como por exemplo "desapontar"). Não obstante, denota-se neste livro um trabalho que, apesar de ao princípio não parecer, foi feito com a lucidez que é necessária quando se escreve um romance histórico. Um livro altamente recomedável para todos os que gostam deste género literário.
Subscreva o RSS dos comentários