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| O Longo Caminho de Olga |
| Sexta, 31 Julho 2009 18:19 | |||
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Desde as terras campestres da Rússia até à inóspita pampa argentina povoada de índios, uma menina de doze anos, abandonada pelos pais, deverá empreender a sua missão mais importante: viver. A extraordinária vida de Olga começa na faustosa Rússia dos últimos czares Romanov, quando, com somente doze anos, a sua família decide abandonar o seu país, deixando para trás tudo o que tinha, inclusivamente uma das suas irmãs. Começa então uma grande viagem que os levará a Inglaterra e Canadá, antes de chegarem à longínqua e desconhecida Argentina, onde a família se separará definitivamente. Ali, a pequena Olga começará uma nova vida plena de dificuldades, que enfrentará da melhor maneira possível. Terá de ultrapassar novas separações e notícias infelizes, duas guerras mundiais que a atingirão profundamente, mas também conhecerá o amor e iniciará a sua própria família, reencontrará pessoas que julgara desaparecidas e trabalhará nas suas próprias terras na pampa argentina.
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| Actualizado em Segunda, 07 Setembro 2009 22:10 |
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Comentários
É sem dúvida uma história maravilhosa, contada na primeira pessoa como se de um conto se tratasse. E é nesse tom íntimo e pleno de nostalgia, que Olga, no auge dos seus 91 anos e ao longo de vários meses, relata a história da sua atribulada vida a uma das suas netas, a autora Yolanda Scheuber. De entre as peripécias que a vida lhe foi reservando, Olga nunca se deixou abater, lutando sempre pelos seus sonhos e acreditando que nada era impossível.
É um livro riquíssimo, cheio de lições preciosas que devemos reter e guardar com carinho.
É um livro simplesmente arrebatador, uma verdadeira lição de história e de vida.
Embora seja escrito na primeira pessoa, e com poucos diálogos, não tem momentos monótonos e apetece sempre ler mais e mais.
Recomendo-o a todos que gostam de uma boa biografia. Pois é daqueles livros que nos fazem pensar e dar valor às coisas simples da vida, tendo por exemplo as experiências vividas por outros.
A história começa a ser-nos relatada na 1ª pessoa, pela própria Olga, que em conversas com a neta aos domingos lhe vai revelando, no fundo, a longa e dura história da família, que se começou a desmembrar com a partida da Rússia imperial e que apenas parou quando já havia elementos da família na Alemanha, Canadá, Estados Unidos e na Argentina, onde Olga e uma das suas irmãs ficaram.
Ao acompanharmos o relato desta longa e atribulada vida, acompanhamos também os acontecimentos que marcaram os anos mais complicados do século XX e que, tal como no resto do mundo, deixaram a sua marca indelével em Olga, que tinha o coração dividido por todas as partes do mundo onde tinha a família que tanto amava.
No entanto, e apesar de todo o sofrimento, a vida de Olga torna-se afinal um exemplo de fé, de luta e de coragem. São comoventes os relatos das (demoradas) chegadas das cartas com notícias dos familiares. E torna-se impressionante, como no meio de tanta convulsão económica e social, conseguiram sempre manter um contacto mais ou menos regular. Mesmo quando já todos tinham "assentado" e dado origem às suas próprias famílias.
Olga teve uma vida sofrida, desenraizada, mas nunca deixou de sonhar e acima de tudo de acreditar. Gostei particularmente desta passagem:
"Sentia que a minha alma ia onde iam os que eu amava e então compreendi que o tempo e a distância eram somente valores impostos pela própria humanidade e que, ignorando-os, me era permitido ser livre e transladar a minha mente e alma para o lugar que eu propusesse sem que nada nem ninguém mo impedisse." (p.145)
Achei o livro um pouco mais denso do que a sinopse revela, mas é não só riquíssimo em vivências e reflexões sobre os anos mais conturbados do século XX, como também sobre a vida em si.
"Quando nascemos, ninguém nos dá a receita da felicidade. Há milhões de receitas de comidas, de sobremesas, de perfumes, de medicamentos, mas quanto à felicidade, não existe nem existirá nunca uma fórmula mágica que, aplicada a todos por igual, nos dê um resultado exacto. (...)
A felicidade não é uma paragem à qual temos de chegar, uma meta, um horizonte. A felicidade é uma forma de estar na vida. Se a perseguirmos, parece que nunca mais a alcançamos, é como a nossa própria sombra que foge quando vamos atrás dela, mas quando chega, chega sem nos apercebermos e quando menos a esperamos. " (p. 218)
Trata-se de uma história verdadeiramente real e humana, de separação, superação e muita determinação. Uma história singular de vida que, de facto, merecia ser contada e que valeu muito a pena ler.
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