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| O Longo Inverno |
| Sábado, 22 Outubro 2011 00:12 | |||
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Autora: Ruta Sepetys Em 1941, Lina, de quinze anos, prepara-se para ingressar na escola de artes e para tudo o que aquele verão lhe pode proporcionar. No entanto, uma noite, a polícia secreta soviética invade a sua casa, levando-a juntamente com a sua mãe e o irmão mais novo. São enviados para a Sibéria. O pai de Lina é separado da família e conduzido a um campo de concentração. Lina decide arriscar tudo e usa a sua arte como forma de enviar mensagens, na esperança de que estas cheguem ao campo prisional onde o seu pai se encontra e lhe transmitam que a sua família ainda está viva. É uma longa e comovente viagem. Apenas a força, o amor e a esperança fazem com que Lina e a família resistam a cada dia. Mas será isso suficiente para os manter vivos?O Longo Inverno é um romance arrebatador, de cortar a respiração e que revela a natureza miraculosa do espírito humano.
Autora:
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| Actualizado em Segunda, 05 Dezembro 2011 09:40 |
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Os acontecimentos são narrados por Lina, uma rapariga com quinze anos, que foi deportada com o irmão de 10 anos e a sua mãe. Lina conta-nos o que faziam, o que os obrigavam a fazer nos campos de trabalho.
Viajando num contentor que dizia possuir "Ladrões e Prostitutas", percorreram muitos quilómetros até chegar ao primeiro campo de trabalho. A maior parte das pessoas não sabia russo e, por isso, quem traduzia as coisas era a mãe de Lina, fossem elas boas ou más noticias. Também era ela que, de certa forma, acalmava as pessoas.
Lina era uma artista que adorava desenhar, pintar e captar a essência das pessoas. Com pouca coisa era capaz de fazer um retrato perfeito da pessoa.
Ninguém podia documentar, escrever fosse o que fosse sobre o que se passava nos campos,nem escrever à família. Quem o fizesse acabava pendurado com uma estaca no corpo em pleno recinto. Por isso, todo o cuidado era pouco. Lina escondia todos os desenhos que conseguia na sua mala, num fundo falso.
Mas havia um ou outro que ela queria fazer viajar, queria que fosse de mão em mão até chegar ao seu pai, que não sabia onde estava, para lhe dizer que ela e a família estavam vivas. Apenas o seu pai perceberia a sua assinatura.
E é esse desejo de documentar as coisas que mantém, de certa forma, Lina viva, ajudando o irmão a sobreviver às doenças e a manter a mãe viva. Conhece Andrius que os ajuda muito, em especial a mãe, pelo sacrifício que ela fizera por ele.
Uma história muito cativante, com uma escrita perfeitamente envolvente, que nos faz sentir cada página e nos faz chorar pelas mortes, mas também, por vezes, chorar de alegria.
"Andrius virou-se. Os seus olhos encontraram os meus.
- Voltaremos a ver-nos.- disse.
Nem uma ruga se formou no meu rosto. Não proferi um som. Mas pela primeira vez em meses, chorei."
É uma história bastante triste, mas, ao mesmo tempo, feliz. Se houve algo que me comoveu verdadeiramente neste livro, foi o facto de, apesar de tudo aquilo por que a narradora e a sua família passaram, nunca deixarem de acreditar que as coisas iriam ficar melhores; de continuarem a conseguir gostar uns dos outros, mostrarem amor uns para com os outros e ajudarem-se. Numa história em que tudo nos leva a crer que as personagens teriam todos os motivos para se odiarem e terem atitudes cruéis, a verdade é que, se há algo que não se vê no livro, é esta atitude. O amor é o tema central de toda a história.
Mas não é só a história em si que é cativante, a própria escrita da autora consegue fazer-nos sentir tudo aquilo que é descrito, faz com que estejamos junto das personagens, a dar-lhes força e a incentivá-las. A escrita é bastante simples, clara e directa, sem floreados que podem distrair o leitor daquilo que é essencial. E isso torna toda a história bastante mais cativante.
Um livro a ler, que nos toca de uma maneira surpreendente, pela força das suas personagens e por tudo aquilo que o próprio livro significa.
Para quem goste de livros históricos baseados em factos verídicos, este é um livro a não perder.
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