O Motim

Autor: Miguel Franco
Género: Teatro
Edição: Set/2018
Páginas: 128
ISBN: 9789896168490
Editora: Gradiva

 

 

 

Inventa-se um crime. Forjam-se culpados. Simula-se um julgamento. Reais são o sangue e a morte. Dezenas de homens e de mulheres enforcados por serem ingénuos e humanos. Crime verdadeiro é o do despotismo que governa.
Esta é a situação – desenrolada no século XVIII – a partir da qual Miguel Franco constrói uma alegórica vigorosa, admirável peça de teatro. Grito de liberdade, protesto contra todas as tiranias, tocando profundamente o leitor ou o espectador, O Motim é uma obra intemporal.

Editado originalmente por Publicações Europa-América na colecção icónica «Os Livros das Três Abelhas», a peça foi então considerada pelo crítico muito exigente que era João Gaspar Simões «uma das obras mais importantes da dramaturgia portuguesa moderna». Posta em cena pela Companhia Nacional do Teatro de D. Maria II, a representação de O Motim foi proibida pela Comissão de Censura da Ditadura depois de duas representações…
Miguel Franco foi considerado por Luiz Francisco Rebello, na História do Teatro em Portugal, o representante mais importante da dramaturgia histórica na década de 1970.

Autor – Miguel Franco

Autor:

Miguel Franco (Leiria, 1918 – 1988) foi um ator, encenador e dramaturgo português. Desenvolveu o teatro na sua cidade natal, através da recriação do Grupo de Teatro Miguel Leitão, de que foi diretor e encenador. A partir de 1950, com a apresentação, por todo o país, da peça Tá-Mar, de Alfredo Cortez, o Grupo de Teatro Miguel Leitão passa a destacar-se na dinâmica do teatro amador em Portugal, sendo ainda de destacar a divulgação das obras de Gil Vicente, um pouco por todo o país. Depois, ainda com Franco como encenador, o Grupo montou a peça de Bernardo Santareno, O Duelo, cuja estreia seria impedida pela censura. Assinala-se ainda o facto de levar o teatro para fora das salas habituais, criando representações ao ar livre, e em festivais de verão, começando pela sua região, onde recriou ao modo vicentino A Farsa de Inês Pereira, apresentada no Castelo de Leiria, no claustro do Mosteiro de Alcobaça e no Convento de Cristo, em Tomar.
Como dramaturgo, Miguel Franco é considerado o mais importante da década de 1970, na categoria da chamada Dramaturgia Histórica, segundo a História do Teatro em Portugal, de Luiz Francisco Rebello. Da sua obra fazem parte O Motim, A Legenda do Cidadão Miguel Lino, O Capitão de Navios, Visita Muito Breve, tendo deixado várias obras por terminar, de que se destaca Leonor Fonseca Pimentel.
Ator de cinema a partir da década de 1960, participou em cerca de dez películas, nomeadamente Crime de Aldeia Velha (1963), O Trigo e o Joio (1964) e Lotação Esgotada (1972), de Manuel de Guimarães, Domingo à Tarde (1966), de António de Macedo, O Cerco (1970) e Vidas (1984), de António da Cunha Telles, A Fuga (1976), de Luís Filipe Rocha, O Rei das Berlengas (1978), de Artur Semedo, e Manhã Submersa (1980), de Lauro António.
Ainda em Leiria, criou no Ateneu Desportivo de Leiria, de que era igualmente diretor, um espaço de conferências a que chamou Sexta-feira à Noite, no qual intervieram entre outros Bernardo Santareno, Rogério Paulo ou Luiz Francisco Rebello. A edilidade local viria a atribuir o seu nome ao Teatro Miguel Franco, equipamento cultural construído em 2003, nas instalações do velho Mercado de Sant’Ana.

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