O Nu na Antiguidade Clássica | Antologia de Poemas sobre a Grécia e Roma

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Autora: Sophia de Mello Breyner Andresen
Género: Ensaios
Edição: Mai/2019
Páginas: 224
ISBN: 9789723720235
Editora: Assírio & Alvim

  


Foi em 1975 que Sophia publicou o seu magistral ensaio sobre a arte e o corpo na antiga Grécia, O Nu na Antiguidade Clássica, a que acrescentaria em edição posterior um capítulo dedicado aos bronzes de Riace, entretanto encontrados. Há muito esgotado, a Assírio & Alvim volta a publicá-lo agora, no ano do centenário do nascimento da autora, em conjunto com uma antologia significativa de poemas dedicados à antiguidade clássica, selecionados por Maria Andresen de Sousa Tavares.

«O texto que agora se reedita não é uma história da arte grega, nem a isso se propõe; não é igualmente um texto de académica erudição, procurando inserir-se e porventura dilatar o largo caudal da tradição universitária. Embora nobre, tal não constitui a sua intencionalidade primordial. O Nu na Antiguidade Clássica ergue-se a partir de intuições nucleares, ardentes fachos concedidos pelos deuses, intuições cerzidas e estendidas em abissais vivências, em que o épico resplendor do Sol se mistura com o abissal e trágico canto da Esfinge.» [do prefácio de José Pedro Serra]

Dionysos

Entre as árvores escuras e caladas
O céu vermelho arde,
E nascido da secreta cor da tarde
Dionysos passa na poeira das estradas.

A abundância dos frutos de Setembro
Habita a sua face e cada membro
Tem essa perfeição vermelha e plena,
Essa glória ardente e serena
Que distinguia os deuses dos mortais.

Desta autora no Segredo dos Livros:
Quatro Contos Dispersos
Os Ciganos

Autora:

Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu a 6 de novembro 1919 no Porto, onde passou a infância. Em 1939-1940 estudou Filologia Clássica na Universidade de Lisboa. Publicou os primeiros versos em 1940, nos Cadernos de Poesia. Na sequência do seu casamento com o jornalista, político e advogado Francisco Sousa Tavares, em 1946, passou a viver em Lisboa. Foi mãe de cinco filhos, para quem começou a escrever contos infantis. Além da literatura infantil, Sophia escreveu também contos, artigos, ensaios e teatro. Traduziu Eurípedes, Shakespeare, Claudel, Dante e, para o francês, alguns poetas portugueses.
Em termos cívicos, a escritora caracterizou-se por uma atitude interventiva, tendo denunciado ativamente o regime salazarista e os seus seguidores. Apoiou a candidatura do general Humberto Delgado e fez parte dos movimentos católicos contra o antigo regime, tendo sido um dos subscritores da "Carta dos 101 Católicos" contra a guerra colonial e o apoio da Igreja Católica à política de Salazar. Foi ainda fundadora e membro da Comissão Nacional de Apoio aos Presos Políticos. Após o 25 de Abril, foi eleita para a Assembleia Constituinte, em 1975, pelo círculo do Porto, numa lista do Partido Socialista. Foi também público o seu apoio à independência de Timor-Leste, consagrada em 2002.
A sua obra está traduzida em várias línguas e foi várias vezes premiada, tendo recebido, entre outros, o Prémio Camões 1999, o Prémio Poesia Max Jacob 2001 e o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana – a primeira vez que um português venceu este prestigiado galardão. Com uma linguagem poética quase transparente e íntima, ao mesmo tempo ancorada nos antigos mitos clássicos, Sophia evoca nos seus versos os objetos, as coisas, os seres, os tempos, os mares, os dias.
Faleceu a 2 de julho de 2004, em Lisboa. Dez anos depois, em 2014, foram-lhe concedidas honras de Estado e os seus restos mortais foram trasladados para o Panteão Nacional.

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"O Homem e o escritor são a mesma pessoa. Mas este facto constitui a maior descoberta de um escritor. Precisei de muito tempo - e de quantas páginas escritas! - para chegar a essa síntese."
V.S.Naipaul, in O Enigma da Chegada.